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Matérias / Personagem

A norte-americana que assumiu ter encenado o próprio sequestro

As mentiras de Sherri Papini mobilizaram uma verdadeira caçada policial através dos Estados Unidos em 2016

Redação Publicado em 26/06/2022, às 08h00

Fotografia de Sherri Papini com rosto pixelado - Divulgação/ Facebook/ Arquivo Pessoal
Fotografia de Sherri Papini com rosto pixelado - Divulgação/ Facebook/ Arquivo Pessoal

Em 2016, o estado norte-americano da Califórnia foi abalado pelo caso de Sherri Papini, uma mulher de 34 anos, casada e mãe de dois filhos pequenos, que havia permanecido desaparecida durante três semanas. 

A estadunidense saiu de casa no dia 2 de novembro para praticar corrida, ao que apenas seria vista novamente no fim do mês, quando foi reencontrada na lateral de uma rodovia a 225 quilômetros de seu bairro, em estado deplorável. 

A mulher possuía uma sacola sobre sua cabeça e trazia os pulsos acorrentados, de forma que seus movimentos estavam restringidos. Ela estava coberta de hematomas, queimaduras, marcas de correntes e outros machucados.

Seu nariz estava quebrado, e o cabelo havia sido cortado. Além disso, a moradora da Califórnia havia perdido vários quilos, segundo repercutido pela BBC no período. 

Enganação

Sherri contou às autoridades que havia sido sequestrada por duas mulheres hispânicas que dirigiam um veículo utilitário esportivo na cor preta, e a polícia dos Estados Unidos não mediu esforços para procurar as autoras do crime violento, iniciando uma caçada de alçada nacional. 

A história dos horrores vividos pela mãe de duas crianças acabou mobilizando a população do país, de forma que diversas pessoas se voluntariaram para participar das buscas, e outros fizeram doações à família da vítima que somaram cerca de 49 mil dólares. 

Minha Sherri sofreu tremendamente e todas que vocês podem imaginar a respeito de sua aparência, eu garanto, não são tão gráficas e horríveis quanto a realidade", relatou o marido da norte-americana, Keith, em entrevista à ABC News na época. 

Na mesma conversa com o veículo, o homem mencionou a existência de pessoas que não acreditavam nos relatos de sua esposa: 

Rumores, suposições, mentiras e ódio têm sido exaustivos e repugnantes. Eu entendo que as pessoas querem a história, fotos, prova de que isso não foi algum tipo de farsa, plano para ganhar dinheiro ou alguma guerra racial fabricada. Não vejo um propósito em abordar cada mentira absurda", concluiu ele. 

Tragicamente, porém, Keith, assim como todo o restante dos Estados Unidos, havia sido enganado por Sherri Papini, que, seis anos mais tarde, acabou admitindo ter forjado seu próprio sequestro, em um desdobramento que mudou completamente a maneira como o caso é visto. 

Fotografia de Sherri e Keith / Crédito: Divulgação/ Facebook/ Arquivo Pessoal

Verdade inacreditável

Em março de 2022, após uma longa investigação, o FBI publicou um relatório de 55 páginas em que acusa a mulher, hoje aos 39 anos, de ter mentido a respeito de todo o episódio, de forma que teria cometido fraude e enganado agentes federais. 

As três semanas desaparecidas, por sua vez, teriam sido passadas na casa de um ex-namorado, e os ferimentos, autoinfligidos, por vezes com a ajuda dele.  

Em tribunal, Sherri acabou confessando aos crimes em troca de uma redução de sua futura sentença, que poderia chegar a 25 anos de prisão, mas, com o acordo, pode ser de apenas 8 meses, segundo repercutido pela BBC. 

Ela também concordou em arcar com uma multa de 300 mil dólares, quantia destinada a compensar os órgãos oficiais pelos recursos usados nas buscas atrás das sequestradoras que a estadunidense inventou. 

O documento do FBI ainda contou com uma série de entrevistas a conhecidos de Sherri que descreveram instâncias passadas em que a observaram contando mentiras "para chamar atenção". 

Os motivos por trás das ações perturbadoras da norte-americana, por sua vez, permanecem um mistério. Durante o julgamento, ela apenas disse que estava "muito triste". Sua sentença está prevista para ser decidida no próximo dia 11 de julho. 

Vale mencionar que Keith Papini solicitou um divórcio após a parceira ter confessado a farsa, e, através da Justiça, foi capaz de conseguir a guarda integral dos filhos.