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A obsessão explosiva de Ricardo Lopez, o stalker da cantora Björk

Sem nunca ter entrado em contato com a artista, o lunático ficou furioso com a islandesa após o início de um relacionamento com um DJ

Wallacy Ferrari Publicado em 05/04/2020, às 09h00

Um dos vídeos do stalker
Um dos vídeos do stalker - Divulgação/Youtube

Nascido no Uruguai, Ricardo Lopez se mudou para os Estados Unidos junto com sua mãe, que o teve com idade avançada, mas era muito próxima do garoto. Sempre recluso na escola, tinha poucos amigos e nunca teve um relacionamento amoroso com outra garota. Sua vontade de ser um rapaz com poder e fama ascendeu no início da década de 1990, o levando a acreditar que a iniciativa poderia acabar com a sua reclusão.

Com isso, Ricardo se mudou para a Flórida junto ao irmão George ao entrar na academia de artes, mas teve de tirar o foco de seu sonho para se sustentar. Com isso, trabalhou com controle de pragas, porém, desenvolveu uma raiva imensa ao trabalho, a sociedade e principalmente, uma autocrítica que chegava a beirar a compulsão. Lopez então passou a escrever um diário e desenvolver a habilidade de falar sozinho para externar suas críticas.

Em seu diário, que totalizou 803 páginas, relatava suas fantasias sobre a fama com sua obsessão pela cantora irlandesa Björk, que o apaixonou pela sua figura de “aparência e voz infantil”, conforme descrito em um de seus diários.

Apesar de ser dez anos mais velha do que Ricardo, seus traços delicados resultaram em quase dois anos com escrituras obsessivas. Porém, a gota d’água foi um novo cara na jogada.

O músico Goldie (à esq.) em montagem com a cantora Björk (à dir.) / Créditos: Wikimedia Commons

 

Em 1996, Björk teve um breve relacionamento amoroso com Goldie, um DJ de drum n’ bass com dentes de ouro e feições de miscigenação, com traços mistos. Foi o suficiente para enlouquecer Lopez, que, apesar de sua origem latina, recheou seus textos de insultos raciais e xenofóbicos ao produtor musical. Ele não acreditou que seria suficiente guardar o ódio para si e decidiu punir a cantora.

No dia de seu aniversário, em janeiro de 1996, comprou uma câmera e começou a filmar, toda vez que tinha algum pensamento para compartilhar, uma espécie de vlog, com questões filosóficas, humor e reclamações sobre sua persguição com Björk. Entre janeiro e setembro, suas gravações posteriormente coletadas totalizavam 18 horas de filmagens, espalhadas em diversas fitas.

A vingança de Lopez

Ao longo de 9 meses, Lopez estudou e montou uma carta-bomba, com o disfarce de livro, falsamente enviado como a gravadora Elektra Records. O artefato foi projetado para disparar ácido sulfúrico quando aberto, com a possibilidade de matar ou desfigurar a cantora. Inicialmente, tentou fazer algo que pudesse lhe passar HIV, mas não conseguiu coletar e nem manter o vírus estável entre uma viagem transcontinental.

Após conseguir localizar seu endereço em Londres, fez o envio em 12 de setembro de 1996, e, ao retornar para sua casa, gravou seu vlog final. No vídeo, demonstra um comportamento compulsivo e cômico, raspando o cabelo e pintando o rosto com graxa e tinta vermelha, fazendo uma maquiagem semelhante à do personagem Maul, da série Star Wars. No vídeo, explica os motivos de “estar indo” de maneira fria.

Ricardo posicionou a câmera em frente ao seu rosto e montou um espaço com uma televisão, passando clipes de Björk, além da música I Remember You, que estava sendo reproduzida ao fundo.

Atrás de seu rosto, preparou uma placa branca, com as escrituras “A melhor parte de mim”. Quando a música encerrou, atirou com um revólver calibre 38 contra sua boca. O sangue não espirrou contra a placa, conforme Lopez planejou, mas se espalhou pelo apartamento.

Quatro dias depois, o mal cheiro e a presença de sangue escorrendo no teto do apartamento abaixo fez com que o zelador do prédio notificasse a polícia local, que foi até o local e descobriu o corpo do uruguaio já em decomposição, junto as fitas.

A gravação final foi descoberta ainda dentro da filmadora. Ao analisar o conteúdo das fitas, a polícia americana fez uma operação com urgência em contato com a polícia londrina para evitar a chegada da carta.

A Scotland Yard conseguiu interceptar a bomba já em uma estação dos correios no sul de Londres, há poucas etapas de ser entregue, e conseguiu detoná-la. Björk expressou pesar e buscou enviar mensagens de apoio para a família de Ricardo.

Buscando comentar pouco, chegou a falar sobre o caso em entrevista ao The Sun: “É terrível, muito terrível. É uma coisa muito triste que alguém atire em seu rosto”.


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