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Marco da ditadura: a política brasileira foi desestabilizada em razão de demissões de militares

No final da década de 70, houve uma grande crise entre os militares da chamada linha-dura e o então presidente Ernesto Geisel

Redação Publicado em 03/04/2021, às 09h00

O então presidente Geisel
O então presidente Geisel - Wikimedia Commons

O ano era 1977 e o país se preparava para a transição que devolveria a democracia aos brasileiros. Contudo, havia um setor mais radical, o linha-dura, que não concordava com as ideias do general Ernesto Geisel, então presidente da República.

De acordo com a Folha, o protagonista desse movimento contrário à transição era o também general do Exército Sylvio Frota, que tinha um cargo extremamente importante na época. Como não existia o Ministério da Defesa, o comandante de cada força atuava como um ministro.

Dois anos depois ocorreria a eleição indireta que escolheria o novo presidente do Brasil e Frota desejava se candidatar ao cargo. Ele também não concordava com Geisel quando o assunto era o afastamento do comandante do 2º Exército ocorrida em 1976, depois que um operário chamado Manoel Fiel Filho morreu em uma das unidades do DOI-CODI.

General Sylvio Frota - Crédito: Wikimedia Commons

 

A demissão de Frota

O general Sylvio Frota foi demitido no dia 12 de outubro de 1977. Na época, ele se recusou a deixar o cargo, de modo que Geisel respondeu: "o cargo de ministro é meu, e não deposito mais em você a confiança necessária para mantê-lo. Se você não vai pedir demissão, vou exonerá-lo".

O presidente, em seguida, realizou uma série de novas trocas de postos militares, temendo que houvesse uma verdadeira rebelião, mas manteve os comandantes da Marinha e da Aeronáutica.

Em 15 de março de 1979, Ernesto Geisel entregou o poder a João Baptista Figueiredo, quem seria o último representante da ditadura militar, que teria fim em 1985.

Presidente João Figueiredo - Crédito: Divulgação

 

Mais tarde, Frota escreveu o livro Ideais Traídos, no qual aponta Geisel como um grande traidor, acusando o político de ser alinhado à centro-esquerda brasileira por ter reconhecido a República Popular da China e também por ter supostamente enfraquecido propositalmente a segurança interna.

Além disso, o general declarou se sentir traído por todos os outros pelo fato deles terem obedecido ao presidente e não a ele. O militar morreu no ano de 1996, aos 86 anos de idade.


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