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Há 24 anos, o Fokker 100 da TAM caía em um bairro do Jabaquara

O voo 402 apontou problemas com a abertura do reversor e resultou na morte de 90 passageiros, 6 tripulantes e 3 pessoas no solo

Wallacy Ferrari Publicado em 31/10/2020, às 00h00

Multidão se reúne em volta de turbina desintegrada
Multidão se reúne em volta de turbina desintegrada - Divulgação/YouTube/National Geographic Brasil/17.10.2018

Na manhã do dia 31 de outubro de 1996, o voo 402 da TAM havia acabado de chegar do Rio Grande do Sul para o aeroporto de Congonhas. Em uma breve pausa, se direcionaria para o Rio de Janeiro em uma escala de curta distância.

A aeronave era uma das mais modernas da frota da empresa: o modelo Fokker 100 com o registro PT-MRK havia sido fabricado três anos antes, além de realizar mais de 8 mil horas de voos sem apresentar problemas.

Os pilotos também eram conhecidos. José Antônio Moreno, 35, totalizava nove mil horas de voo, sendo três mil delas no Fokker 100, desde sua disponibilização pela empresa aérea. O copiloto, Ricardo Luís Gomes Martins, 28, tinha quatro mil horas de voo, tendo apenas 160 no Fokker 100. Juntos, seriam responsáveis por transportar 6 funcionários e mais 90 passageiros. Tudo parecia certo, no entanto, era uma falsa impressão. 

O trajeto até o aeroporto paulista despertou algumas desconfianças. O piloto relatou um problema na falta de sincronização da potência dos motores durante o primeiro trajeto, contudo, ignorou o sinal, acreditando que poderia controlar o erro manualmente, sem utilizar o autothrottle — ferramenta que regula a potência dos motores do avião manualmente, dosando na medida certa a aceleração para obter a velocidade pré-selecionada.

Fotografia tirada do Fokker 100 da TAM antes de viagem inaugural, em 1993 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O triste acidente

A chegada no aeroporto de Congonhas aconteceu por volta das 07h30 (horário de Brasília), com a reentrada de todos os passageiros após as 08h12. A decolagem, autorizada às 08h24, foi iniciada dois minutos depois. Todavia, o avião decolou e sofreu um impulso, direcionando a nave para lado direito.

Durante os 26 segundos seguintes, o tranco estava gradativamente mais forte, tornando o manche incontrolável e virando o eixo do Fokker 100, que caiu abruptamente contra uma rua residencial no bairro do Jabaquara, matando todas as pessoas a bordo.

A aeronave caiu e se desintegrou em diversos pedaços, espalhados por um conjunto de casas com violência. No solo, algumas pessoas se feriram com o choque, resultando em três mortes.

Um dos trens de pouco chegou a entrar na residência de um homem, sendo um símbolo da gravidade do acidente. Ao longo da tarde, mais de 50 corpos já haviam sido recolhidos, reconhecidos e enfileirados em sacos pretos.

O trem de pouso dentro da casa, além de paredes com sangue / Crédito: Wikimedia Commons

 

A investigação

A investigação foi facilitada pela preservação da caixa preta. O registro das tentativas dos pilotos de reposicionar o veículo de maneira nivelada não apenas foi salvo no compartimento, como os microfones se preservaram com clareza.

Parcialmente divulgados pelo Globo Repórter, o programa noticiou erroneamente que o piloto virou o avião e disse “Estou livrando a escola” — fato posteriormente comprovado como falso, quando o áudio completo foi divulgado pela Rádio Jovem Pan.

Ao contrário do que os pilotos constatavam, o problema não era com o autothrottle, mas com as conchas do reversor — modificação feita para poupar freios, diminuindo a velocidade do avião com a combustão das próprias turbinas.

Presente no motor número dois, a peça passou a ser acionada erroneamente no lado direito, diminuindo a velocidade violentamente com a abertura das conchas.

O erro, não detectado pelos condutores, resultou no funcionamento apenas do motor esquerdo, fazendo com que a nave desiquilibrasse o eixo. Durante a tentativa, o reversor reiniciou a tentativa de desaceleração mais três vezes, tornando a sustentação única impossível e resultando no trágico acidente aéreo.


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