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A ressurreição de Ri Yong-Gil, o general que teria sido executado por Kim Jong-Un em 2016

Na época, a mídia ocidental divulgou que o Chefe do Estado-Maior da Coreia do Norte havia sido morto pelo governo, todavia, o militar repareceu de maneira inesperada

André Nogueira Publicado em 30/01/2020, às 13h28

Ri Yong-Gil e Kim Jong-Un
Ri Yong-Gil e Kim Jong-Un - Divulgação/Youtube

A verdade sobre a Coreia do Norte é um fato bastante obnubilado: o país pouco divulga sobre si mesmo para o mundo. Países que se opõem ao projeto de autonomia nacional dessa nação asiática, como aliados aos EUA, aproveitam desse fator para, a partir de inverdades, distorções ou exageros, criarem uma imagem de Pyongyang baseada em anticomunismo e preconceitos.

Apesar de o país ser uma ditadura, o sistema político não é pautado em tamanha violência, como se o país fosse o mesmo desde o início do século 20, baseado numa lógica stalinista. E uma das distorções que demonstram essa falseabilidade é o caso Ri Yong-Gil, general aliado de Kim e Chefe do Estado-Maior do Exército.

General em discurso de 2014 / Crédito: KCNA

 

Isso porque, apoiado em boatos oriundos da Coreia do Sul, a mídia ocidental divulgou a notícia de que o militar teria sido executado brutalmente a ordens de Kim Jong-Un, por acusações de corrupção e traição.

Porém, em maio de 2016, imagens registradas e televisionadas de um congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, do governo, apresentaram Ri ao lado de Kim, demonstrando a falha do sistema de inteligência de Seul. Após o episódio, uma nova teoria ganhou vida: ele teria sido afastado do governo e, por isso, teria aparecido com três estrelas em seu uniforme.

A notícia falsa foi divulgada pelo mundo inteiro / Crédito: Divulgação/YouTube

 

A execução de Ri foi uma notícia falsa mundialmente disseminada, muitas vezes com detalhes inventivos de métodos cruéis e sem sentido de assassinato, como soltar cães raivosos em cima do general ou jogá-lo em um tanque de piranhas.

Todavia, esse não é o único caso relatado de uma suposta execução norte-coreana, que foi desmentida depois: outra vítima do falso expurgo de Kim teria sido Kim Yong-Chol, funcionário da equipe diplomática que falhou em negociações com Mike Pompeo, dos EUA.

Quando o mundo inteiro acreditava que o diplomata tinha sido alvo da brutal repressão intragovernamental de Kim e encaminhado para um campo de trabalho forçado, a televisão estatal coreana KCNA transmitiu uma apresentação artística na capital do país, onde era possível vê-lo ao lado do Líder Supremo, contemplando o espetáculo.  

O general Ri estava vivo em 2019, pois acompanhou o Marechal Kim em reunião com Putin na Rússia / Crédito: Wikimedia Commons

 

O caso de Ri foi ainda mais alarmante, pois se trata de um agente central do governo norte-coreano. O aniversário do partido de Kim revelou ao mundo a situação da Coreia: além da presença de diversos civis, demonstrando apelo popular do governo, o desfile militar em Pyongyang representou a forma como o histórico familiar do atual Líder ainda é saudado pela população da capital.

O desfile acabou na Praça Kim Il-Sung, que faz referência ao fundador do país em 1953. Milhares de pessoas carregavam ramos de flores em homenagem ao antigo e ao novo Líder Supremo, além de homenagearem a cúpula central do projeto nacional, ao qual Ri Yong-Gil está inserido.


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