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A saga do convento que revelou uma fossa com 800 restos mortais, na Irlanda

Em 2017, através de um árduo trabalho de uma historiadora, autoridades locais anunciaram os restos mortais de bebês, resultando numa triste narrativa

Giovanna Gomes Publicado em 20/12/2020, às 10h00

Berçário do orfanato católico de Tuam, na Irlanda
Berçário do orfanato católico de Tuam, na Irlanda - Divulgação/ Adoption Rights Alliance

No ano de 2017, investigadores contratados pelo governo da Irlanda anunciaram uma descoberta inacreditável: foi revelada uma fossa que abrigava grande número de esqueletos de bebês e crianças.

Contudo, o que realmente chocou foi que a revelação acabou sendo feita numa antiga organização católica da cidade de Tuam que realizava acolhimento de mães solteiras no passado. 

Tratava-se do Lar de Mães e Bebês do Bom Socorro, que esteve em atividade entre os anos de 1925 e 1961. Mas o que aconteceu de fato?

A descoberta

Bom, antes de tudo, precisamos entender a participação da historiadora Catherine Corless, que chamou a atenção sobre o caso. A partir de uma árdua pesquisa, ela encontrou certificados de óbito de quase 800 crianças, filhas de mulheres que passaram pelo abrigo.

No entanto, apenas duas possuíam registro de sepultamento, o que logo chamou atenção em 2014. Como consequência, o estudo alertou para uma questão: o que aconteceu com esses restos mortais, até então, misteriosos?

Corless apontava que os restos poderiam ser encontrados no espaço ocupado por uma fossa séptica. Assim, foram iniciadas escavações que revelariam o cenário surpreendente: uma estrutura subterrânea composta por 20 câmaras. Conforme anunciado em 2017, em 17 delas, foram reveladas significativas quantidades de restos mortais.

Crianças brincando no orfanato/ Crédito: Adoption Rights Alliance

 

Análises nos restos mortais revelaram que se tratavam desde fetos de 35 semanas até crianças de três anos de idade. Em um melancólico cenário, todas acabaram morrendo na época que compreende a gestão das freiras.

Além disso, o achado confirmou as suspeitas de que as crianças mortas eram enterradas de qualquer maneira, sem registro. Mas o que aconteceu na instituição?

A explicação

Durante a primeira metade do século passado, a mortalidade infantil era, infelizmente, muito elevada. Poderia ser até mesmo cinco vezes maior entre crianças que tinham mães solteiras, segundo dados levantados e apresentados na descoberta. 

Crianças no antigo orfanato/ Crédito: Adoption Rights Alliance

 

 

O lar era um dos abrigos administrados pela Igreja Católica na Irlanda. Vivendo num país extremamente religioso, mães solteiras eram extremamente julgadas pela sociedade, que não admitiam esse status para mulheres. Foi assim que órfãos e mães acabaram encontrando abrigo no local. Contudo, não significava uma esperança;

Quando chegavam nessas instituições, as mães eram separadas dos filhos, que acabavam sendo criados pelas freiras dentro da mesma unidade, à espera de um casal que pudessem realizar a adoção.

Conforme relatado pela agência ANSA, através do UOL na época, a comissão que realizou as investigações ainda declarou que as jovens que viveram nos conventos passaram por momentos turbulentos.

Precisaram encarar a fome, insalubridade e tratamentos rigorosos, resultando na morte com o tempo. Muitas até mesmo trabalhavam gratuitamente em troca do auxílio das freiras na gravidez e no parto.

Imagem do lar que acolhia crianças e mulheres solteiras/ Crédito: Divulgação

 

Contudo, não era o único local. Estima-se que cerca de 35.000 mães sem maridos passaram por algum dos centros de acolhimento administrados por ordens de religiosas católicas desde a criação do Estado irlandês, em 1922, até os anos 60, conforme relatado pelo governo.

Sobre o caso, o arcebispo de Dublin chegou a dizer que “se algo se passou em Tuam, provavelmente terá acontecido também em outros lares de acolhimento de mães e crianças do pais”.


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