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A conturbada ascensão de Wu Zetian ao poder da China

Enfrentando uma disputa pelo poder, nem mesmo os filhos foram capazes de segurar o desejo da mulher em ser a Imperatriz da China

Caio Tortamano Publicado em 26/06/2020, às 08h00

Wu Zetian
Wu Zetian - Wikimedia Commons

A história chinesa é rica em controvérsias e disputas de poder pelo trono. Uma das mais notáveis é a da imperatriz Wu Zetian, que foi implacável em sua busca pelo posto mais alto do império chinês.

Vinda da dinastia Tang, Zetian era uma das pretendentes preferidas do imperador Taizong, enquanto ainda tinha 14 anos. Vivendo em um ambiente patriarcal e sexista, seu pai (em contraposição) instigava a menina a ler, escrever e desenvolver sua lógica por meio de grandes aprendizados.

Enquanto trabalhava no palácio, apenas como uma lavadeira de roupas, ela se atreveu a quebrar todos os protocolos ao falar com o imperador enquanto ele passava pelos corredores. E deu certo: os dois começaram a se conversar com frequência.

A proximidade gerou uma intimidade entre eles, e Wu foi promovida à secretaria, possibilitando a ambiciosa empregada a se aproximar da política, do desenvolvimento social e, principalmente, de Taizong.

Por mais que ela estivesse prometida ao imperador, desenvolveu um romance com o príncipe Li Zhi, que era casado. Ela cumpria a função de concubina — uma das várias mulheres não consumadas, porém permitidas, do chefe de estado —, e após a morte de Taizong seria enviada para um convento, assim como as outras várias que ele dispunha.

Mas Li Zhi (agora Imperador Gaozong) era apaixonado por ela, e ordenou que fosse trazida de volta. Após engravidar duas vezes de Zhi, ela era vista como ameaça por Xiao Shufei, a concubina preferida de Gaozong, que tinha medo que os filhos de Wu fossem escolhidos por ele como sucessores.

Gaozong de Tang / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 654, teve mais um filho, que morreu com pouco mais de uma semana de idade. A mulher de Gaozong, Lady Wang, foi acusada por ela como autora do assassinato, uma vez que ela teria sido a última pessoa a ter visto o bebê com vida.

O fato era que a imperatriz Wang não gostava de Zetian, extremamente educada e encantadora. Tentando se livrar de suas rivais, a imperatriz foi considerada culpada por não ter um álibi, o que resultou no fim do casamento. Além dela, Shufei foi envolvida no assassinato e foi expulsa do palácio, junto com a ex-mulher.

Naturalmente, Wu Zetian acabou casando com o imperador e tornou-se imperatriz em 655. Muitos dos apoiadores do antigo chefe Taizong eram contra a união, afirmando que Wu não era de uma família nobre, e que, por já ter se relacionado com o pai de Gaozong, se tratava de uma relação incestuosa.

Todavia, a sorte favoreceu a antiga concubina. Em 660, o soberano teve um AVC grave, e Zetian passou a ser a líder efetiva do país, assumindo todas as funções de Estado.

Suas antigas algozes, Lady Wand e Xiao Shufei, logo tiveram suas mortes decretadas. Mas não foram somente as duas que sofreram com o intenso desejo da mulher em ter o trono somente para ela. Dois de seus filhos morreram enquanto o pai das crianças ainda estava vivo. Um deles foi envenenado depois de desafiar o poder da mãe, e o outro enviado para o exílio e obrigado a cometer suicídio.

Li Hong foi o filho que conseguiu chegar ao posto de imperador, depois que Gaozong faleceu, em 683. Porém, o curso do governo dele e de sua mulher, Lady Wei, não ia de acordo com as vontades de sua mãe, que os acusou de traição e retirou o casal do poder.

O último filho a passar pelo trono durante a vida da mãe foi Ruizong, que governava de acordo com as vontades de Wu, todavia, nem mesmo isso foi suficiente para evitar que ela o forçasse a abdicar o trono em 690. A partir desse momento, ela se declarou Imperatriz e comandou o país durante 15 anos.

Construindo uma rede de policiais secretos e espiões, a governante controlou seu império evitando que qualquer oposição contra ela ganhasse vida. Com isso, ela conseguia incriminar possíveis adversários e encontrar ameaças para o seu governo, acabando com elas o mais rápido possível.

Ela acabou perdendo o foco na China, e desvirtuando a sua avidez em outros assuntos. De acordo com o historiador Mike Dash, ela passava mais tempo com os seus concubinos do que cuidando dos problemas de Estado.

Além disso, a paranoia foi crescendo dentro de Wu em paralelo ao crescimento de seu poder. Ela começou a se encontrar em constante estado de ilusão, por conta dos diversos afrodisíacos que era viciada. Por volta de 704 ela foi forçada a abrir mão do poder e dar o trono ao seu único filho ainda vivo, Zhongzong.

O legado de Wu é constantemente suprimido pelo mandato seu marido. Porém, é consenso histórico que, durante a dinastia Tang — da qual ela fazia parte — um dos mais pacíficos momentos da história da China ganhou vida.


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