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A tragédia de Jean Spangler: a eterna incógnita de Hollywood

Com apenas 26 anos, Spangler ascendia na indústria cinematográfica quando um insólito sumiço foi registrado — e envolveu até um grande ator da época

Wallacy Ferrari Publicado em 07/06/2020, às 09h00

Retrato fotográfico da atriz (à esq.) e sua mãe, com sua fotografia em um porta retrato (à dir.)
Retrato fotográfico da atriz (à esq.) e sua mãe, com sua fotografia em um porta retrato (à dir.) - Divulgação

Nascida em setembro de 1923, a morena Jean Elizabeth Spangler já manifestava sua afinidade com os palcos antes mesmo de concluir o ensino fundamental. Morando em Seattle, a jovem concluiu os estudos realizando diversos cursos de dança e ingressou na companhia de Earl Carroll, em Los Angeles, na Califórnia.

Aos 19 anos, casou-se com um metalúrgico chamado Dexter Benner, com quem teve a filha Christine, em 1944. Porém, separou após quatro anos de relacionamento, resultando em uma longa batalha judicial pela custódia da criança. O processo garantiu a guarda da filha para a atriz, mas causou um imenso desconforto graças ao comportamento do ex-companheiro.

Jean durante o processo pela custódia da filha Christine, em 1946 / Crédito: Los Angeles Public Library

 

Ao mesmo tempo em que sua vida amorosa era comprometida com a agressividade de Benner e o atraso nos pagamentos das pensões alimentícias, as oportunidades na cidade melhoravam; em 1948, foi convidada para estrelar uma produção cinematográfica como uma dançarina não creditada.

Apesar de ser apenas uma figuração, a oportunidade garantia um conforto financeiro nunca antes alcançado para a criação de sua filha.

 

Vista pela última vez

Em 7 de outubro de 1949, Spangler, incomodada com os atrasos de Benner, parecia dispersa de acordo com amigas. No final da tarde, deixou Christine com a cunhada, afirmando que iria se encontrar com o ex-marido rapidamente: ela teria uma gravação noturna.

Duas horas depois, a atriz ligou para a casa onde a filha estava, afirmando que não voltaria naquela noite, pois “teria de trabalhar oito horas completas”.

Sem aparecer na manhã seguinte, a cunhada fez contato com Florence, mãe de Spangler, que estava viajando e também não obteve um parecer sobre o paradeiro da filha. Juntas, foram até a polícia e relataram o desaparecimento.

No mesmo dia, policiais consultaram os estúdios e os escritórios de agenciamento de atores buscando informações sobre a atriz, mas os funcionários relataram não ter visto Jean no dia anterior.

A carta encontrada junto a bolsa com a alça arrebentada / Crédito: Divulgação

 

Refazendo o trajeto de sua casa até o estúdio, a vendedora de uma mercearia, localizada a poucos quarteirões da residência, afirmou ter visto uma mulher parada, por volta das 18h, aguardando a chegada de alguém. As roupas, a descrição física e os horários eram compatíveis, sendo a última aparição conhecida da atriz.

 

Mistério e teorias

Dois dias após o sumiço, a bolsa da morena foi encontrada num parque público em Los Angeles, a cerca de 8,9 quilômetros da residência, com uma das alças arrebentadas. Internamente, uma carta manuscrita direcionada à “Kirk” afirmava que ela se encontraria com um Dr. Scott: “Funcionará melhor assim enquanto a mãe estiver ausente”, encerrando a nota com uma virgula.

De acordo com o depoimento de amigas, a jovem estava grávida e “Dr. Scott” seria um ex-estudante de medicina que realizava abortos na região. A investigação não localizou nenhuma clínica de aborto com algum Scott na cidade, mas levantou a suspeita de que Kirk, na verdade, tratava-se do ator Kirk Douglas, com quem a jovem contracenou poucos meses antes de sumir em ‘Young Man with a Horn’.

Kirk — que já havia sofrido retaliações com uma suspeita levantada pela imprensa no assassinato de Dália Negra — fez questão de se apresentar para a polícia e esclarecer que nunca havia conversado com a jovem fora do set de filmagem.

A polícia de Los Angeles prosseguiu com as buscas, sem sucesso, adicionando Jean para a lista de desaparecidos, sendo vista pela última aos 26 anos de idade.


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