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Assassinato da filha e o suicídio: a desgraça do senador Peixoto Gomide

O político escandalizou o país após matar a própria filha em um episódio insólito

Nicoli Raveli Publicado em 21/08/2020, às 11h17

O senador em pintura
O senador em pintura - Wikimedia Commons

Na capital de São Paulo, é comum a população encontrar diversos monumentos com o nome Peixoto Gomide. Ele foi presidente do Senado do Estado, equivalente a atual posiçaõ de governador, e ficou conhecido por ser um político conceituado. Porém, o senador também foi autor de um dos crimes mais famosos do país.

O cenário ocorreu em um casarão do centro de São Paulo, especificamente na rua da Princesa, atual Benjamin Constant, nas proximidades da Sé e do Largo São Francisco, um dos locais mais rebuscados da capital.

No dia 20 de janeiro de 1906, formou-se uma multidão na frente de sua casa por uma razão inesperada. Na tarde daquele mesmo dia, Frascisco de Assis Peixoto Gomide, de 56 anos, assassinou sua filha, Sophia, de 22. 

A notícia se espalhou rapidamente e os políticos do país e a própria família de Gomide chegaram ao local do crime. Considerado uma pessoa equilibrada por muitos, sua atitude causou uma perturbação na sociedade.

De acordo com os relatos dos empregados, os dois estavam conversando na sala de jantar e foram interrompidos duas vezes por uma cozinheira que levava comida até a mesa.

Ainda segundo os trabalhadores, o senador parecia estar inquieto, enquanto a filha estava sentada e bordava um lençol. Pouco tempo depois, ele enconstou um revólver Smith & Wesson na testa da filha. A garota se espantou e o pai a matou.

O impacto do tiro fez com que Sophia fosse jogada para trás. A menina moreu instantaneamente e, devido ao barulho, a esposa de Peixoto, Ambrosina, os dois filhos, Gnesa e Alceu e uma empregada aparecessem no local.

Sem expressar palavras e movimentos, o senador se manteve na mesma posição, com o braço estendido como se estivesse congelado. Em seguida, o político chegou a apontar a arma para Gnesa, mas a trabalhadora o fez mudar de ideia e ele abaixou o revólver.

Gomide caminhou até a sala de visitas e encostou a arma no ouvido esquerdo. Em poucos segundos, puxou o gatilho. Para sua surpresa, a arma falhou, até que o oficial disparou novamente e caiu ao lado do piano. O governador estava morto.

Segundo o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, autor do livro A capital da vertigem, uma história de São Paulo de 1900 a 1954, na véspera do assassinato e de sua morte, Peixoto, depois de uma noite mal dormida, amanheceu melancólico e não troucou muitas palavras com seus familiares.

“Nos últimos dias, segundo o Estado, o senador vinha mostrando sinais de nervosismo, e teria confidenciado a amigos que não suportava a ideia de separar-se da filha. Chegara inclusive a procurar, no sanatório do Juqueri, o psiquiatra Franco da Rocha, a quem confessara suas apreensões. Outra versão, não publicada por nenhum jornal, mas que pairaria sobre o caso pelos anos vindouros, é a de que Peixoto Gomide seria pai de Batista Cepelos, fruto de um relacionamento fora do casamento. Incapaz de confessá-lo, teria escolhido a via mais drástica para impedir o casamento”, escreveu em seu livro.

O jornalista e pesquisador Geraldo Gomes Gattolini acrescentou outros detalhes de um dos maiores mistérios da história brasileira. Antes da catástrofe de 1906, Peixoto fez o possível para fazer com que a filha terminasse o namoro com o promotor e poeta Batista Cepelos. Não contente com a opinião do pai, a garota decidiu continuar o relacionamento e decidiu que casaria a qualquer custo, o que, provavelmente, o fez cometer o crime.

Quando Capelos descobriu toda a história, chegou a conclusão de que não suportaria mais a vida. Subiu uma pedreira na rua Pedro Américo e se jogou do local no dia 8 de maio de 1915. 


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