Matérias » Personagem

A trágica vida de Benito Albino, o filho renegado de Mussolini que foi abandonado em um hospício

Fruto de um amor nos tempos de socialismo do futuro ditador, Albino e sua mãe viveram um verdadeiro inferno

André Nogueira Publicado em 02/02/2020, às 08h00

Benito Albino ao lado de Ida Dalser, sua mãe
Benito Albino ao lado de Ida Dalser, sua mãe - Wikimedia Commons

Quando ainda era um jovem ambicioso integrante do Partido Socialista, Benito Mussolini se envolveu com uma mulher, Ida Dalser. Apaixonados, engataram um namoro ardente. O casal se conheceu em Trento, na época em que Benito rachava com os socialistas em seu jornal, o Avanti.

Na época, Mussolini não tinha muitos recursos e Ida era dona de um salão de beleza, que foi vendido para que a verba fosse usada na produção de um novo jornal, o Il Popolo d’Itália.

Em 1914, a relação se tornava cada vez mais séria e resultou num casamento cujos documentos, anos depois, seriam destruídos para apagar o passado do ascendente ditador. No ano seguinte, aos 32 anos, Benito engravidou Ida. A criança, ao nascer, foi nomeada segundo o pai: Benito Albino Mussolini. No entanto, o matrimônio caiu em desgraça em 1922, quando Mussolini conquistou o poder.

Ilda em foto pessoal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1925, Mussolini casou-se com Rachele Guidi, com quem já tinha uma filha de cinco anos, Edda Mussolini. A relação de Benito e Ida tinha que ser, portanto, às escondidas.

Em pouco tempo, Mussolini abandonou a amante e o filho para se dedicar à vida familiar e política. Ida ficou furiosa com o caso e se esforçou para expor sua história.

Em uma ocasião, ela invadiu uma das primeiras reuniões do Fascio Milanese di Combatimento e gritou: “Camaradas, esta criança é filho desse homem. Ele me engravidou e me abandonou”. Não demorou para que ela despertasse a fúria do futuro ditador.

O caso tornou-se inoportuno para Mussolini, que passou a crescer na política. Isso porque sua política era baseada na ideia dos valores familiares e da tradição, o que não encaixava com um histórico de abandono parental e adultério.

Ao tomar o governo em 1922, Mussolini ordenou que a polícia do Estado vigiasse Ida e a afastasse das aparições públicas.

Perseguida pelas autoridades e dedicada a provar que era esposa do Duche, Ida foi internada compulsoriamente num manicômio pelo resto de sua vida. Morreria em 1937 após sofrer um derrame cerebral, no hospital psiquiátrico. 

Seu filho também fora sequestrado pelos Camisas Negras e internado, primeiramente num conservatório para padres. Pouco tempo depois, teve que lidar com a morte do tio e a internação de sua mãe. Assim, foi adotado por um seguidor do pai.

Benito A. Dalser-Mussolini / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem visitar a Ilda, tentou conseguir a paternidade do tirano. Se alistou na Marinha Italiana e foi enviado para a China. Entretanto, o seu destino também foi trágico: de volta para casa, foi enviado para uma insólita instituição psquiátrica e morreu no local em 1942, após uma possível turbeculose.

Por décadas, a história ficou desconhecida e seus registros, destruídos pelo Estado Italiano. Somente nos anos 2000 que foram encontrados arquivos contundentes de sua existência e, desde então, existem esforços para incluir mãe e filho na biografia do ditador Benito Mussolini.