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A triste história de Philomena Lee, a mãe que teve o filho vendido pela Igreja

O episódio comovente de separação, que ocorreu em 1955, teve um desfecho capaz de derrubar lágrimas

Vanessa Centamori Publicado em 22/08/2020, às 09h00

Philomena Lee (à esqu.) e o seu filho (à dir.)
Philomena Lee (à esqu.) e o seu filho (à dir.) - Divulgação/Daily Mail

A enfermeira aposentada Philomena Lee acumula hoje 87 anos de idade e um trauma muito grande para contar, que ocorreu em 1955, na Irlanda. Foi naquele ano que teve o último vislumbre de seu primeiro filho, que foi tirado dos braços dela pela Igreja Católica. 

A mãe solteira queria desesperadamente ficar com a criança de apenas três anos de idade. Porém, ele estava sendo adotado, contra a sua vontade, por uma família americana. Mas como isso aconteceu?

Gravidez na juventude 

Tudo começou quando Lee tinha apenas 18 anos e engravidou de um homem chamado John, que trabalhava para o correio. A gravidez foi mal vista pelo pai da jovem, que a mandou para um convento católico para mães solteiras, em Roscrea, na Irlanda. 

Foi lá que a criança, chamada Anthony, cresceu. Quando o garoto tinha 3 anos de idade, as freiras receberam ofertas generosas de doações. Em troca, ofereceram a adoção do menino a um casal de americanos, que foram informados que ele era órfão. 

Com isso, a mãe abriu mão de todos os seus direitos. Foi forçada a assinar um documento por insistência das freiras. Ou seja, sem consentimento materno, a criança foi vendida aos novos pais. 

Philomena Lee ao lado da filha, Jane Libberton / Crédito: Divulgação/Youtube/Katie Couric

 

Durante 50 anos, por vergonha e repreensão, Philomena não contou a ninguém sobre Anthony. Ela pensava que assim que era a vida dos pecadores na Igreja Católica. Porém, o silêncio finalmente teve um fim. 

O segredo vem à tona 

Certo dia, Philomena Lee estava conversando com sua segunda filha, Jane Libberton, e acabou revelando que havia perdido seu filho Anthony para a Igreja. Libberton rapidamente passou a procurar o irmão, mas a lei irlandesa não facilitava o processo. 

As freiras que trabalhavam no convento onde Lee havia ficado também não revelavam informações sobre as crianças adotadas. Todavia, Libberton finalmente conseguiu identificar o irmão: a família americana havia dado-lhe o nome de Michael Hess. O indivíduo foi um renomado advogado do Comitê Nacional Republicano.  Mas, essa não era a única informação. 

Para a tristeza da mãe do rapaz, Anthony foi localizado tarde demais: Hess morrera de AIDS em 1995. As cinzas dele tinham sido enterradas, inclusive, no convento onde ele tinha sido separado de Philomena. Foi um pedido especial do filho, que nunca se esqueceu da mãe.  

Desfecho angustiante

De modo muito emocionante, segundo apurou a Folha de S. Paulo, enquanto ainda procurava pelo garoto, Philomena descobriu que ele, por sua vez, havia visitado a Irlanda três vezes em busca da querida figura materna. Ou seja, foi uma procura recíproca.

"Tínhamos uma ligação muito forte. Pensei nele todos os dias da minha vida, e ele também nunca me esqueceu", afirmou Philomena Lee, segundo a Folha. O sofrimento da mãe ainda marca a memória dela.

A atriz Judi Dench como a mãe Philomena Lee, no filme Philomena / Crédito: Divulgação/Paris Filmes

 

História de cinema

Essa triste saga de separação entre mãe e filho é retratada no livro de 2009, Philomena: Uma Mãe, Seu Filho E Uma Busca Que Duro, do jornalista Martin Sixsmith. Mais tarde, em 2013, foi lançado, com base na obra literária, o filme Philomena, que foi muito aclamado e recebeu indicações ao Oscar. 

Estima-se que entre 1945 e meados de 1960, pelo menos 2.200 crianças tenham sido arrancadas de suas mães e deportados para os Estados Unidos. No caso de Anthony, as autoridades da igreja católica negaram sempre que uma venda tivesse ocorrido.

Apesar disso, Philomena nunca deixou de ser uma mulher de fé. Em 2014, a mãe se reuniu com o Papa Francisco, na praça de São Pedro, no Vaticano. O encontro foi uma forma do líder supremo da Igreja apoiar a mãe, que sofreu por tanto tempo. 

Na última vez em que esteve com seu filho, Lee só viu o rosto da criança muito brevemente, no carro da família americana, que partia. "Eu consigo vê-lo como se fosse ontem. Vou levar essa imagem na minha cabeça para sempre", lamentou Lee, de acordo com o site Gaucha Zh


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