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A verdadeira história de William McMaster Murdoch, o oficial do Titanic

Diferente do filme de 1997, o funcionário exerceu uma função heroica durante o naufrágio do navio — rendendo uma dor de cabeça ao diretor James Cameron

Wallacy Ferrari Publicado em 03/10/2020, às 09h00

Retrato fotográfico de William (esq.) ao lado de sua representação no filme de James Cameron (dir.)
Retrato fotográfico de William (esq.) ao lado de sua representação no filme de James Cameron (dir.) - Divulgação

Nascido na pequena Dalbeattie, na Escócia, William McMaster Murdoch veio ao mundo em 28 de fevereiro de 1873 em uma família de tradição naval. Por tal motivo, o sobrenome Murdoch origina da língua gaélica, com o significado "homem do mar", mas acabou sendo o único filho de Samuel Murdoch que seguiu a carreira marítima, encarando o ramo aos 15 anos de idade.

Sua primeira viagem foi transcontinental, descendo em São Francisco, nos EUA e, nos anos seguintes, em diversos países da África, Oceania, Europa e América. Foi aprovado no exame de primeiro-oficial em março de 1895 e, no ano seguinte, passou no exame de mestre na primeira tentativa, se tornando uma referência em expedições de carga.

Buscando acrescentar ainda mais experiência, serviu como tenente da Reserva Real da Marinha em 1899 até o fim do mesmo ano, quando a maior empresa de navios do mundo, a White Star Line, o contratou.

O trabalho na empresa não apenas garantiu uma posição de liderança, mas também deu prioridade para a mais ambiciosa missão da companhia em doze anos: o RMS Titanic.

Retratos fotográficos de William Murdoch antes de embarcar no Titanic / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dentro do Titanic

O funcionário já havia trabalhado no navio-irmão Olympic — outro gigante dos mares — e auxiliou no inquérito que investigou a colisão da embarcação, em setembro de 1911. Com a experiência, ele se unia aos velhos colegas de trabalho Charles Lightoller, David Blair e o capitão Edward Smith na viagem inaugural, partindo em 10 de abril de 1912 com sucesso. 

Segundo o Undiscovered Scotland, a viagem permaneceu conforme planejada nos quatro dias seguintes, quando, na noite de domingo, 14, Murdoch substituiu Lightoller na ponte de comando, recebendo a informação dos vigias sobre a presença de um iceberg.

Foi o oficial que ordenou o curso da popa, realizando a curva para desviar — sem sucesso. Após a colisão, acompanhou o engenheiro Thomas Andrews para averiguar os danos, sendo os primeiro a concluir que a tragédia era eminente.

Com isso, se deslocou até o convés, sendo responsável por trabalhar na saída dos botes ímpares junto de outro funcionário. De acordo com relatos, foi um dos poucos oficiais que entenderam que a prioridade era preferencial, ocupando os botes com homens quando não se completavam com mulheres e crianças.

Ao preparar o lançamento do barco desdobrável, Murdoch começou a serrar os fios sob um outro bote prestes a sair, buscando acelerar o processo antes que a água atingisse o convés. Foi a última vez que o funcionário foi visto com vida.

 

Polêmico fim

Apesar da trajetória historicamente registrada pelo trabalho e respeito, uma polêmica surtiu efeito após o lançamento do filme Titanic, em 1997; na obra de James Cameron, William aceita suborno do passageiro Caledon Hockey para compor um dos botes salva-vidas com prioridade além de atirar em um passageiro que tentava invadir um dos barcos sem respeitar a prioridade — colocando o personagem como corrupto e impiedoso.

O estopim foi o suicídio do oficial, que no filme é relatado com um disparo de revólver contra a cabeça. Segundo a ABC, as suposições do roteiro foram duramente contestadas por familiares de Murdoch e por membros da Titanic Foundation, que decidiram intimar o autor.

"Ele morreu enquanto pulava em um dos botes salva-vidas onde cordas estavam presas. Ele rasgou as cordas com uma faca, mas com o peso do barco cheio de gente recebeu um forte golpe na cabeça que o matou de imediato", disse José Ferreiro, diretor da fundação, em entrevista ao canal americano ABC.

Mesmo sem a certeza das versões, o então vice-presidente da 20th Century Fox se encontrou com o sobrinho do primeiro-oficial no ano seguinte ao lançamento do filme, dando £ 5 mil para compensar a angústia causada, além de formalizar um pedido de desculpar para a cidade natal do ex-tripulante, visto como ídolo até os dias atuais.


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