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Desafiou o próprio sogro: Há 125 anos, a imperatriz Myeongseong era assassinada

Myeongseong foi fortemente envolvida em assuntos do Estado. Interessada na modernização da Coreia, ela encontrou a própria desgraça

Ingredi Brunato Publicado em 07/10/2020, às 09h38

Ilustração representando a imperatriz Myeongseong
Ilustração representando a imperatriz Myeongseong - Wikimedia Commons

A imperatriz Myeongseong foi uma figura única na história coreana. Além de última imperatriz da Coreia (numa época que ainda não havia a divisão entre Coreia do Sul e do Norte), ela foi a primeira a ser ativa politicamente, diferente de suas antecessoras, que em vez disso ocuparam o papel esperado delas: ícone para a alta sociedade. 

Inclusive, a rainha consorte era conhecida por ser mais interessada nos assuntos do Estado até mais que seu marido, o imperador. Todavia, foi justamente essa influência e posicionamentos que a levaram a ser assassinada. 

A verdade é que a Rainha Min provavelmente não teria sido escolhida para se casar com o imperador Gojong caso suas ambições políticas tivessem ficado evidentes desde o princípio. As pretendentes haviam passado por uma seleção rigorosa, sendo avaliadas pelo pai do jovem, Heungseon Daewongun, que detinha o poder naquele momento. 

Fotografia da Imperatriz Myeongseong. Crédito: Wikimedia Commons

 

Início da vida na corte 

Quando Myeongseong se casou com Gojong, os dois tinham 15 anos de idade. A peruca coreana que era usada tradicionalmente em casamentos reais era tão pesada para a pequena futura rainha consorte, que uma alta senhora da corte recebeu a função de apoiar as costas da jovem, de forma que ela não sentisse tanta exaustão. 

Rapidamente ficou claro que a jovem imperatriz não estava interessada nos deveres geralmente desempenhados pela esposa do rei. Em vez de participar de festas, Min preferia ler livros sobre filosofia, história, política e religião.

Durante essa época, também, Gojong era mais conhecido por preferir festas, e gostar de álcool, além de não ter grande educação formal, de forma que o casal era a princípio como óleo e água. Só mais tarde passariam a apreciar melhor a presença um do outro. 

Quando chegou à vida adulta, a rainha decidiu que já era hora de seu marido, que tinha então 22 anos, assumir o poder. Dessa forma, ela organizou uma facção contra o domínio de Daewongun em segredo, e conseguiu provocar o impeachment formal do imperador.

Com isso, o pai de Gojong precisou se mudar da corte real, indo para uma propriedade em outra cidade coreana. Foi a partir de então que Myeongseong estabeleceu sua influência política na corte, sem mais oposição. 

Inovações 

A rainha Min foi responsável por uma série de mudanças na Coreia. Ela enviou missões para o Japão para entender como ele tinha se modernizado tão rapidamente, por exemplo, e defendeu a abertura para o ocidente. 

A imperatriz também criou uma nova unidade militar dentro das Forças Armadas, fundou a primeira escola para meninas, estimulou a modernização da medicina coreana - que era ainda muito baseada em práticas tradicionais - e pregou a tolerância religiosa em um período que os cristãos ainda eram perseguidos pelos confucionistas na Coreia

A modernização do exército coreano, especialmente, acabou se tornando um problema mais tarde, gerando uma rebelião militar entre os setores mais antigos das Forças Armadas, que se sentiram deixados de lado com o destaque dado à nova unidade. Myeongseong e seu marido, contudo, conseguiram escapar disfarçados para a casa de um parente. 

Um detalhe obscuro é que essa rebelião teria sido estimulada pelo próprio Daewongun, que estava insatisfeito com a direção para qual a rainha Min estava conduzindo a Coreia. Não foi também a última vez que o pai tentou retirar a esposa do filho do cenário político, orquestrando ainda outras rebeliões, também fracassadas. 

Morte 

Fotografia mostrando funeral da imperatriz. Crédito: Wikimedia Commons

 

A Rainha Min foi assassinada a mando de Miura Gorō, um ministro japonês. Na época, ela era considerada um obstáculo para a expansão marítima do Japão, de forma que o ministro se juntou à facção de oposição à imperatriz, liderada por Daewongun

No dia 8 de outubro de 1895, homens armados foram enviados para o palácio real, e assassinaram três mulheres que se pareciam com a imperatriz Myeongseong. Quando foi determinado que uma delas era a rainha de fato, seu corpo foi levado para fora, onde foi queimado na frente do povo coreano que se aglomerou para ver. 

O evento ficou conhecido por provocar um grande sentimento anti-japonês na Coreia, devido à popularidade da imperatriz. As potências ocidentais, das quais a rainha Min estava se aproximando, também desaprovaram fortemente o ocorrido. 

Fotografia dos supostos assassinos da imperatriz Myeongseong.  Crédito: Wikimedia Commons

 

Em reação a essa desaprovação internacional, o governo japonês realizou o julgamento de Miura Gorō e mais outros dez homens que estariam envolvidos no assassinato da imperatriz coreana, contudo todos foram absolvidos no final. 


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