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Abandonada quando criança por ter albinismo, Xueli Abbing se tornou modelo de destaque

Há 16 anos, Xueli Abbing foi deixada na porta de um orfanato na China; hoje, ela conquistou designers famosos e fez um ensaio para a Vogue

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/06/2021, às 12h00

A modelo Xueli Abbing
A modelo Xueli Abbing - Divulgação/Instagram/xueli_a

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o albinismo é uma “desordem genética na qual ocorre um defeito na produção da melanina”, responsável por dar cor a pele, cabelo e olhos.

Isso faz com que a pele tenha uma tonalidade que vai do branco a tons amarronzados. Os cabelos também podem ser amarelados, avermelhados, acastanhados e até mesmo totalmente brancos. Os olhos, por sua vez, ficam azuis, castanhos ou avermelhados.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que uma em cada 20 mil pessoas nasce com essa condição de saúde em todo o mundo. No entanto, ainda existe muito preconceito que cerca o albinismo, principalmente em crianças.

Na China, há mais ou menos 16 anos, um bebê foi deixado na porta de um orfanato. O motivo? O recém-nascido era albino. Com pele claríssima e cabelos praticamente brancos, Xueli Abbing foi abandonada pela família.

 
 
 
 
 
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Mas a história da vida da chinesa é mais feliz que isso. Aos três anos, ela foi adotada e levada para a Holanda, onde passou a morar com a sua mais nova família, os Abbing. Com uma mãe e uma irmã, Xueli começou sua vida em um novo país.

E, hoje, ela se tornou famosa pelas características que fizeram com que fosse abandonada há cerca de 16 anos. A aparência diferente fez com que a jovem conquistasse fotógrafos, designers e estilistas de todo o mundo, aparecendo inclusive nas páginas da Vogue.

Um preconceito

 
 
 
 
 
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“Na época em que nasci na China, o governo impôs a política de filho único para as famílias. Era muito azar se você tivesse um filho com albinismo”, disse Xueli à jornalista da BBC Jennifer Meierhans. “Algumas crianças, como eu, foram abandonadas, outras ficavam trancadas ou, se iam à escola, seus cabelos eram pintados de preto”.

Abandonada no orfanato quando ainda era um bebê, viveu na instituição ao longo dos seus primeiros três anos de vida. Lá, recebeu o nome Xue Li que, segundo a modelo, significa “neve bela”. 

“Fui adotada quando tinha três anos e fui morar com minha mãe e minha irmã na Holanda. Minha mãe disse que não conseguia pensar em um nome mais perfeito e achou importante manter uma referência às minhas raízes chinesas”, explicou.

 
 
 
 
 
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A carreira de modelo começou bem cedo, quando ela tinha apenas 11 anos. Ela contou:  “Minha mãe estava em contato com uma designer que era de Hong Kong. Ela tem um filho com lábio leporino e decidiu que queria desenhar roupas bem estilosas para ele, para que as pessoas nem sempre fiquem olhando para sua boca. Ela chamou a campanha de ‘imperfeições perfeitas’ e perguntou se eu queria participar de seu desfile de moda em Hong Kong. Foi uma experiência incrível”.

Depois disso, Xueli foi chamada para ensaios fotográficos, uma agência de modelo e está com uma carreira em ascensão. Ela já liderou campanhas para estilistas conhecidos no mundo todo e está estampada em páginas da importante revista Vogue.

 
 
 
 
 
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Segundo a modelo, “na moda, parecer diferente é uma bênção, não uma maldição”. “E isso me dá uma plataforma para aumentar a conscientização sobre o albinismo. Quero usar a moda para falar sobre albinismo e dizer que é uma condição genética, não uma maldição”, completou. 

Ela afirma: “Quero que outras crianças com albinismo — ou qualquer forma de deficiência ou diferença — saibam que podem fazer e ser o que quiserem. Para mim, sou diferente em alguns aspectos, mas igual em outros. Amo esportes e escalada e posso fazer isso tão bem quanto qualquer outra pessoa. As pessoas podem dizer que você não pode fazer as coisas, mas você pode, apenas tente”.


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