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Abuso e prostituição: A perturbadora infância da cantora Billie Holiday, um dos maiores nomes do jazz

Antes de se tornar um ícone da indústria musical americana, a artista enfrentou inúmeras dificuldades

Penélope Coelho Publicado em 16/06/2020, às 16h15

Billie Holiday, em 1947
Billie Holiday, em 1947 - Wikimedia Commons

Considerada uma das melhores vozes da história do jazz, a menina que nasceu com o nome de Eleanora Fagan, demonstrava desde pequena que tinha muito talento para música.

Em sua carreira próspera, a mulher fez sucesso e conseguiu se desvencilhar de sua vida pregressa à fama. Porém, mesmo longe dos problemas que ela enfrentou no início de sua trajetória, Holiday acabou se deixando levar pelo abuso de drogas e álcool. A mulher que teve uma saga brilhante na música escondia grandes traumas do passado.

Antes da fama

Nascida em 7 de abril de 1915, nos Estados Unidos, Eleanora foi fruto de uma gravidez não planejada que aconteceu quando sua mãe, Sarah, ainda era uma adolescente. A mulher foi despejada da casa dos pais, após a descoberta.

A jovem encontrou apoio inicialmente no parceiro Clarence Holiday, porém, o pai de Billie fugiu assim que a menina nasceu — para perseguir o sonho de se tornar músico de jazz.

Em sua infância, a cantora foi criada na maioria do tempo por outras pessoas, já que sua mãe trabalhava fora e via pouco a filha. Tudo parecia ter melhorado para a família, quando Sadie — como era carinhosamente chamada —, casou-se com Philip Gough em 1920. Porém, a união durou somente dois anos, e logo as duas estavam sozinhas novamente.

Eleanora em 1917 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Garota problema?

Por se sentir muito sozinha na maior parte do tempo, a menina tomava algumas atitudes consideradas rebeldes, para chamar a atenção. Holiday parou de frequentar a escola, e por isso, sua mãe teve que enfrentar um tribunal.

A menina então foi enviada para uma casa reformatória, segundo o biógrafo Donald Clarke, Billie foi abusada no local, quando tinha somente nove anos de idade. Após sair dessa fundação, a intérprete voltou a morar com sua mãe, e aos 11 anos já tinha abandonado de vez a vida acadêmica. Nesse meio tempo, a cantora encontrou na música um refúgio para suas horas mais tristes.

Infância corrompida

Em 1926, Sadie descobriu que um vizinho da família havia tentado estuprar sua filha, como consequência, as autoridades da época acharam melhor enviar a menina novamente para o reformatório, ela passou alguns meses no local.

Nesse período, sua mãe havia se mudado para o Harlem, um bairro de Manhattan, na cidade de Nova York. Lá, a menina começou a trabalhar em um bordel, fazendo a limpeza do local. Em meio às dificuldades financeiras, a mãe de Billie havia se tornado prostituta, e não demorou muito para que a filha também fosse usada sexualmente em troca de dinheiro. Em maio 1929, após a casa de prostituição ter sido descoberta, as duas foram presas.

Billie no palco, em 1947 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Conhecida até então como Eleanora, a jovem foi solta em outubro do mesmo ano. Billie decidiu timidamente começar a tentar dar uma chance para o seu sonho de ser cantora. Em 1930, a artista realizou pequenas apresentações em bares do Harlem, e em todas foi aplaudida de pé.

Com sua voz marcante e levemente rouca, não demorou muito para que ela fizesse sucesso e finalmente pudesse abandonar a prostituição — quando conseguiu se manter financeiramente com a música e criou seu nome artístico Billie Holiday, mas, também foi chamada pelo apelido Lady Day.

O fim

Famosa por ter sido uma das maiores cantoras de todos os tempos, a mulher enfrentou por muitos anos a depressão, além de viver uma intensa relação com o álcool e drogas. Toda sua tristeza era refletida com emoção em suas músicas.

Em 17 de julho de 1959, Lady Day faleceu, aos 44 anos de idade, em decorrência do seu diagnóstico de cirrose. Sem nunca ter estudado música, Billie era talento puro e nato, a mulher deixou para sempre o seu legado na história do jazz.


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