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Acidente de Chernobyl completa 33 anos

Em 26 de abril de 1986, o mundo esteve diante do pior acidente nuclear e ambiental da História. E ainda hoje as consequências são graves.

Joseane Pereira Publicado em 26/04/2019, às 09h39

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- Getty Images

No dia 26 de abril de 1986, um dos quatro reatores da Usina Nuclear Chernobyl, que serviam para gerar energia para a Ucrânia, explodiu repentinamente. O incêndio liberou uma nuvem radioativa que atingiu países tão distantes quanto a Itália e Finlândia, e a cidade de Pripyat, localizada no norte do país e ao lado de um grande rio, foi evacuada. A zona de exclusão permanece até hoje, nos lembrando sobre os perigos que o uso de energia nuclear imprime à humanidade.

O Acidente

As causas para esse tremendo acidente são controversas: enquanto uns atribuem falha humana na construção das hastes de controle dos reatores, outros afirmam que uma interrupção acidental no sistema hidráulico de refrigeração levou à explosão. O fato é que um dos quatro aparelhos entrou num processo de superaquecimento incapaz de ser revertido. Após a explosão, mais de 600 mil trabalhadores soviéticos foram chamados para realizar uma super operação de limpeza, e helicópteros repletos de areia e chumbo foram levados ao local, para conter o fogo e principalmente a radiação espalhada pelos ventos -- material radioativo que era quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, em fins da Segunda Guerra Mundial.

Resquícios da explosão / Créditos: Wikimedia Commons

 

Consequências

O total de mortes é muito controverso, e difícil de ser quantificado. Alguns dados sobre os trabalhadores que tiveram contato direto com o acidente são oficiais: 31 bombeiros e funcionários da usina, que trabalhavam na contenção do fogo, morreram de exposição aguda à radiação e outros 246 trabalhadores faleceram entre 1991 e 1998 de doenças circulatórias e leucemia. Quanto ao resto da população afetada, aí começa a controvérsia: relatórios das Nações Unidas estimam que 4 mil pessoas morreram devido à exposição, enquanto ONGs como o Greenpeace falam em 200 mil pessoas.

Roda gigante em Pripyat abandonada após acidente / Créditos: Reprodução
Roda gigante em Pripyat abandonada após acidente / Créditos: Reprodução

A usina continuou em operação com seus outros 3 reatores até o ano 2000, quando o local foi abandonado e seu entorno virou uma cidade fantasma que está sob efeito radioativo até hoje. O reator de número 4 encontra-se em um "sarcófago" de concreto e aço para evitar a difusão de radiação, e ainda hoje há gente morando na zona de exclusão. São funcionários responsáveis por monitorar a situação e garantir estabilidade na usina, e sua estadia por lá é sempre provisória devido aos perigos no contato com o material.

As Crianças de Chernobyl

A área mais gravemente atingida passa por três países: Ucrânia, Rússia e Bielo-Rússia. Mesmo com os reatores fechados e isolados, quem sobreviveu ainda enfrenta vários problemas de saúde, pois a terra e água da região foram contaminadas por elementos radioativos e frutas, legumes, carne e pão nunca são totalmente sadios. E esse drama não atinge somente os sobreviventes: crianças nascidas depois de 1986 têm de lidar com doenças graves e suas consequências. No norte da Ucrânia, a incidência de câncer na tireoide é quase 100 vezes maior que o normal. E dois em cada três adolescentes têm problemas no coração.

Para quem foi atingido, uma medida simples faz toda a diferença: estudos ucranianos e franceses demonstraram que a permanência de três meses em regiões não-radioativas é capaz de diminuir em 30% o césio presente no corpo. Sabendo disso, desde 1993 a associação francesa "Les Enfants de Tchernobyl" leva jovens para passear no exterior.

Associações semelhantes fazem o mesmo em diversos países, como Alemanha, Itália, Espanha, Bélgica, Irlanda, Canadá e Estados Unidos. "No entanto, além dos problemas de saúde, precisamos lidar também com o preconceito que essas crianças sofrem", afirma Angèle Mosser, representante da associação. "Como a informação ainda é escassa, há quem tema até chegar perto desses jovens."

As dificuldades de relacionamento com as vítimas resultam da falta de informação e do impacto causado pelas antigas imagens de recém-nascidos deformados, nascidos em regiões próximas às explosões. O desastre nuclear é um fantasma presente. "Chernobyl foi - e ainda é - o inferno", diz Monique Sene, integrante do grupo francês.