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Acusada de adultério e exilada de seu império: a trágica vida de Julia, a Velha

Filha do primeiro imperador de Roma, a mulher não teve grande parte dos benefícios da nobreza e sofreu com solidão e a pressão do pai desde criança

Pamela Malva Publicado em 09/04/2020, às 09h00

Pintura representando Julia, a Velha
Pintura representando Julia, a Velha - Wikimedia Commons

No passado, ser mulher e pertencer às cortes de diversos países era uma tarefa muito massacrante. Enquanto poucas monarcas tinham voz, outras nobres eram obrigadas a todo tipo de coisa, só para agradar o rei ou o imperador.

Foi esse o caso de Julia, a Velha. Filha única de Augusto César, o primeiro imperador romano, a menina cresceu com uma pressão enorme em suas costas e um destino imutável: ela nunca poderia ser herdeira do trono.

Como se seu futuro já não estivesse selado, a jovem viveu uma vida turbulenta, repleta de conflitos de poder e confrontos fraternais. Traição, exílio e solidão foram só algumas das palavras com as quais a bisavó do imperador Nero teve de lidar em sua trajetória.

Augusto César, o pai de Julia / Crédito: Wikimedia Commons

Uma infância conturbada

Filha de Augusto com sua segunda esposa, Julia foi separada da mãe já no nascimento. Quando atingiu a idade correta para aprender as devidas lições sobre aristocracia, então, ela foi mandada para os braços de Lívia, sua madrasta.

Com uma educação rigorosa, a jovem menina cresceu entre livros, tecidos, roupas extravagantes e músicas clássicas. Ela aprendeu a tecer, costurar, dançar e se apaixonou por literatura.

Sua vida social, entretanto, sofria com o pai severo, que a controlava e impedia que Julia conversasse com pessoas das quais ele não gostava. Naquela época, Augusto costumava dizer que tinha duas rebeldes para comandar: a sociedade romana e Julia.

Não demorou muito para que ela assumisse o papel principal de uma mulher da época: o de moeda de troca. Como parte de um acordo, a mão de Julia, que tinha 2 anos, foi prometida para o filho de Marco Antônio, que tinha 10, em 37 a.C..

Os casamentos frustrados

O matrimônio entre Julia e o descendente da Cleópatra nunca aconteceu, já que uma guerra civil eclodiu em 31 a.C.. Após o conflito, seu pai, que derrotou Marco Antônio, tornou-se o único governante do Império Romano.

Busto de Julia, a Velha / Crédito: Wikimedia Commons

Mesmo assim, Augusto não deixou sua filha em paz. Muito pelo contrário, a pressão para que Julia tivesse um filho homem era enorme. Assim, aos 14 anos, a jovem princesa casou-se com Marcus, seu primo três anos mais novo, em 25 a.C..

O casamento não durou muito e, sem nenhum filho, Marcus morreu em 23 a.C.. Dois anos mais tarde, aos 18 anos, Julia esposou-se com Agripa, um general da confiança de Augusto, 25 anos mais velho.

Bem como todos os outros, o casamento com Agripa foi orquestrado pelo imperador romano. E, dessa vez, apesar dos diversos casos de adultério e infidelidade, o casal teve cinco filhos, sendo que dois eram homens.

Em 12 a.C., após anos de um relacionamento superficial, Agripa morreu. Com sua filha solteira novamente, Augusto pensou em mais uma manobra política e decidiu unir Julia ao meio-irmão da jovem, Tibério, para que tudo ficasse em família.

O amor dos dois, no entanto, nunca foi legítimo, já que o homem amava outra mulher e odiava Julia. A filha de Augusto, por sua vez, desprezava seu meio-irmão. Dessa forma, já predestinado ao fracasso, o casamento acabou com um herdeiro morto.

O fundo do poço

Imagem de Julia, a Velha / Crédito: Wikimedia Commons

Quando atingiu a idade adulta, Julia imaginava que seus dois filhos homens eram sua garantia de vida. Em 2 a.C., entretanto, ela foi presa por adultério e traição e teve seu relacionamento com Tibério invalidado legalmente.

Na época, diversos amantes da princesa foram exilados ou forçados a cometer suicídio. Da mesma forma, Julia foi exilada e enviada para a ilha Pandateria, acompanhada de sua mãe. Lá, ela era proibida de receber visitas e beber vinho.

Anos mais tarde, em 4 d.C., a dama foi transferida para Rhegium, onde teve algumas regalias. Julia já podia andar pelas ruas, recebia uma renda anual e visitas eram autorizadas. Apesar dos presentes, porém, Augusto nunca a perdoou.

Impedida de voltar para Roma, a mulher viu todos os seus direitos serem arrancados quando Augusto morreu, em 14 d.C.. No lugar do pai, Tibério revogou as regalias e foi ainda mais severo que o antigo imperador.

Depois da vida amarga e solitária, Julia, a Velha morreu no mesmo ano que Augusto. A causa da morte segue misteriosa, ainda que existam teorias sobre o envolvimento de Tibério. No fim, bela e culta, a filha do primeiro imperador romano faleceu aos 52 anos.


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