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Acusada de ter matado quatro filhos e presa há 18 anos, Kathleen Folbigg pode ser inocente

Atualmente, a ciência tem esclarecido o caso onde Folbigg sempre alegou inocência

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 07/04/2021, às 09h31

Kathleen Folbigg pode ser inocentada
Kathleen Folbigg pode ser inocentada - Divulgação

Kathleen Folbigg está presa há quase 18 anos, acusada de ter matado seus quatro filhos ainda bebês. O primeiro deles, Caleb, morreu com apenas 19 dias de vida. Depois, seus outros irmãos, Patrick, Sarah e Laura, que nasceriam a seguir, também acabariam falecendo misteriosamente, todos ao longo de um período de dez anos.

Na época do julgamento do caso, que se deu em 2003, Folbigg foi acusada de tê-los assassinado por meio de sufocamento, contudo, as evidências científicas apontam que não foi isso que aconteceu. Na verdade, de acordo com os especialistas, as crianças teriam morrido de causas naturais, portanto, Kathleen seria inocente.

Pedidos de libertação

No início de março, um grupo de 90 cientistas entregaram um abaixo-assinado ao governador do Estado de Nova Gales do Sul, pedindo que Folbigg fosse inocentada, de acordo com a BBC.

Entre eles estão pessoas muito conceituadas, como dois ganhadores do Nobel, duas pessoas nomeadas 'Australianos do Ano', além do ex-Cientista-Chefe e presidente da Academia Australiana de Ciências, John Shine

A mulher foi acusada de ter matado os quatro bebês - Crédito: Pixabay

 

Todos eles afirmam que a condenação da mulher foi um grande erro e que não havia evidências de que ela era culpada.

De acordo com o ex-juiz que comandou a investigação, Reginald Blanch, "a única conclusão razoável continua sendo que alguém prejudicou intencionalmente as crianças, e o método óbvio era sufocá-las". Ele ainda afirma que a Justiça condenou a mãe porque "as evidências não apontavam para ninguém além de Folbigg."

Como a ciência explica o caso

Os pesquisadores descobriram a existência de uma mutação genética em KathleenFolbigg e também em suas filhas, Sarah e Laura.

Essa condição, a qual classificaram como "provavelmente patogênica", teria levado as duas meninas a óbito. A descoberta foi realizada no ano de 2019 por uma equipe comandada pela professora de imunologia e medicina genômica da Universidade Nacional Australiana, Carola Vinuesa.

Professora Carola Vinuesa - Crédito: Divulgação

 

"Encontramos uma nova mutação nunca antes relatada em Sarah e Laura, que foi herdada de Kathleen", disse Vinuesa à BBC. "A variante estava em um gene chamado CALM2 (que codifica a calmodulina). As variantes da calmodulina podem causar morte cardíaca súbita", prosseguiu.

A pesquisa ainda indica que algo muito semelhante teria ocorrido aos meninos, com a diferença de que um outro tipo de mutação os teria acometido.

Os casos de Caleb e Patrick, no entanto, necessitam de maiores estudos antes que qualquer afirmação seja feita.

Um estudo de uma equipe dinamarquesa de cientistas, liderada pelo professor Michael Toft Overgaard, da Universidade Aalborg, constatou que a mutação do gene CALM2 era extremamente grave, já que poderia causar os efeitos citados por Vinuesa. Assim, os cientistas concluíram que "a variante provavelmente precipitou a morte natural das duas meninas."

Imagem meramente ilustrativa de prisão - Crédito: Pixabay

 

Como elas apresentaram infecções antes de falecerem, os pesquisadores acreditam que "suas infecções intercorrentes podem ter desencadeado um evento arrítmico fatal."

Os especialistas ainda afirmam que duas variantes muito raras do gene BSN foram identificadas nos meninos, mutações essas que podem causar epilepsia em camundongos e levá-los à morte.

Mas antes mesmo dos estudos recentes, outros cientistas já afirmavam que os bebês haviam morrido por causas naturais. O patologista Stephen Cordner, por exemplo, concluíu ainda em 2015 que "não há suporte patológico forense positivo para a alegação de que qualquer uma ou todas essas crianças foram assassinadas." Assim, a comunidade científica espera que a mulher possa ser inocentada e libertada em breve.


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