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Afinal, Buzz Aldrin realmente viu um OVNI enquanto estava no espaço?

Durante a missão espacial da Apollo 11, o astronauta relatou ter visto pela janela uma luz do lado de fora que parecia acompanhar a nave americana. Décadas depois, ele explicou tudo o que aconteceu

Fabio Previdelli Publicado em 16/12/2020, às 19h24

Fotografia de Buzz Aldrin
Fotografia de Buzz Aldrin - Wikimedia Commons

“A águia pousou”, foi assim que Neil Armstrong anunciou a chegada da Apollo 11 na Lua, em 20 de julho de 1969, para a equipe que ficou na base da missão em Houston, no Texas. Lá, começava a primeira visita do homem a nosso satélite natural.  

Os bastidores da missão já se tornaram um assunto bastante comum, porém, um episódio da viagem gera, ainda hoje, muita controversa e interesse: o possível avistamento de um ser não identificado por Buzz Aldrin.  

Mas como esse assunto surgiu? 

Na verdade, essa história não deveria ter a ver com teorias conspiratórias ou algo do tipo. Porém, o termo científico "ovni", abreviação de "Objeto Voador Não-Identificado" ganhou outra conotação ao longo dos anos, sendo quase sempre associado com naves espaciais controladas por seres extraterrestres pelos interessados em ufologia. 

O que aconteceu foi que Aldrin, durante a Apollo 11, viu pela janela uma luz do lado de fora que parecia acompanhar a nave americana. Embora não seja possível confirmar qual exatamente era o objeto, as primeiras hipóteses elaboradas pelo astronauta não tiveram nada de conspiratórias. 

"Havia várias explicações para o que poderia ser, como o foguete do qual havíamos nos separado, ou os quatro painéis que se moveram quando retiramos a sonda espacial do veículo. Eu estou absolutamente convencido de que estávamos olhando para o sol refletido em um desses painéis. Qual? Eu não sei. Então, tecnicamente, ele pode ser definido como um ‘objeto não identificado’”, contou em sua primeira entrevista para o Reddit 'Ask-Me-Anything' (AMA), em 2014, data que marcou os 45 anos da Missão. 

A primeira vez que Buzz relatou o evento, no entanto, ocorreu em 2005, quando ele participou de um programa do Science Channel. 

"Nós entendemos muito bem o que era. E quando voltamos, fizemos um balanço e explicamos exatamente o que havíamos observado. E eu pensei que isso tinha sido divulgado para o mundo exterior, o público externo, e aparentemente não foi, e então muitos anos depois, tive oportunidade em uma entrevista para divulgar essas observações, em uma rede de televisão de outro país”, disse. 

Controvérsias 

O relato de Aldrin sobre o avistamento de um OVNI durante a Apolo 11 ganhou grande interesse de ufologistas, que inclusive teriam ficado "furiosos" com o astronauta por ele não ter dito antes o que havia acontecido.

A interpretação dada pelos fãs de teorias conspiratórias envolvendo seres não identificados, evidentemente, seria de que essa era mais uma prova de vida inteligente extraterrestre fazendo contato conosco. 

Entretanto, em confronto direto com essas crenças, Buzz afirmou categoricamente: "Não era um alienígena. Observações extraordinárias requerem evidências extraordinárias. Isso é o que Carl Sagan disse”. 

Novas controvérsias

A despeito dessas declarações firmes, o assunto retornou aos holofotes após o tabloide The Daily Star publicar um estudo do Instituto de Biologia Bioacústica e Saúde Sonar.  O local desenvolveu um programa que seria capaz de determinar o quão confiante alguém está a respeito do que diz, a partir da análise de variações na fala. 

Basicamente, um novo detector de mentiras. Em seguida, o programa foi exposto às falas de Aldrin para o "Apolo 11: A História não contada", um documentário produzido em 2006. 

A conclusão, escrita pela fundadora do instituto,  Sharry Edwards, é de que o astronauta “acredita firmemente no que viu, mas tem consciência lógica de que não tem como explicar o que viu; por essa razão, pensa que as pessoas devem duvidar dele”. 

Foi com base nessa pesquisa de alguns anos atrás que o tabloide recentemente reacendeu o debate sobre as falas de Buzz

Mais uma vez, todavia, a narrativa oficial foi esclarecida, separando o que é defendido pelos funcionários da Nasa do que é especulado por ufologistas. 

Para tanto, Christina Korp, a porta-voz do astronauta aposentado, comunicou ao Washington Post que "Ele nunca disse que viu um OVNI. Essa história foi fabricada para gerar manchetes e é inverídica, no que diz respeito a Buzz Aldrin".

Dessa forma, o próprio uso do termo "OVNI" acabou sendo retirado da história, já que ele parece receber uma correspondência imediata com "alienígenas", o que pode causar confusão. 

Apesar de negar que o objeto avistado era de origem alienígena, todavia, na entrevista ao Reddit em 2014, Buzz disse acreditar que existe sim vida em outros planetas.

"Pode haver alienígenas em nossa galáxia, a Via Láctea, e há bilhões de outras galáxias. A probabilidade é quase certa de que haja vida em algum lugar do espaço. Mas, eles podem estar a centenas de anos-luz de distância”, concluiu. 

Conquista de Marte 

Além do avistamento, Aldrin também aproveitou a oportunidade para falar sobre dois assuntos: uma possível volta à Lua e ‘conquista’ de Marte. "Retornar à Lua com os astronautas da NASA não é o melhor uso de nossos recursos. Porque nossos recursos devem ser direcionados para fora, além da Lua, para estabelecer habitações e laboratórios na superfície de Marte”. 

Porém, o ex-astronauta acredita que essa missão teria que envolver uma “seleção dos melhores” indivíduos de todo o mundo, e não por representantes de uma empresa privada que visa o turismo espacial, como é o caso da SpaceX, de Elon Musk.  

“Eu considerei se um pouso em Marte poderia ser feito pelo setor privado. Isso entra em conflito com a minha ideia, conceito e convicção muito forte de que os primeiros seres humanos a pousar em Marte não deveriam voltar para a Terra. Eles deveriam ser o início da construção de uma colônia/assentamento, o que chamo de ‘permanência’. Um assentamento que você pode visitar uma ou duas vezes, voltar e então decidir que quer se estabelecer”. 

“Eu sei que muitas pessoas não acham que isso deve ser feito. Algumas pessoas até consideram isso claramente uma missão suicida. Eu não! De modo nenhum. Porque vamos planejar, vamos construir a partir da lua de Marte, ao longo de um período de 6-7 anos, a aterrissagem de diferentes objetos no local de pouso, que serão reunidos para formar um habitat e um laboratório completo em Marte”, concluiu. 


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