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Ajudou nazistas e deu nome à Síndrome: A história de Hans Asperger

Nome do pediatra austríaco voltou a ser comentado depois que Elon Musk revelou ser diagnosticado com Asperger; conheça sua trajetória

Fabio Previdelli Publicado em 10/05/2021, às 18h00 - Atualizado às 21h22

Fotografia de Hans Asperger
Fotografia de Hans Asperger - Divulgação/Herwig Czech/Molecular Autism

Conhecido por suas polêmicas e por sempre se uma pessoa presente na mídia, o empresário Elon Musk, presidente da SpaceX e da Tesla, voltou a chamar a atenção do público, desta vez por um assunto de sua vida particular. 

Durante sua participação no programa “Saturday Night Live”, o bilionário fez uma surpreendente revelação: ele disse que tem Síndrome de Asperger, um tipo de autismo mais moderado.

Ao abrir a atração com um monólogo, Musk disse que era a primeira pessoa a ter Asperger que participa do programa, “ou pelo menos a primeira a admitir”, conforme suas próprias palavras. 

Fotografia de Elon Musk, o CEO da SpaceX/ Crédito: Wikimedia Commons

 

A revelação foi feita com um toque de bom humor, assim como é o programa. "Sei que disse ou postei coisas estranhas, mas é assim que meu cérebro funciona. Para qualquer pessoa que ofendi, só quero dizer: reinventei os carros elétricos e estou enviando pessoas a Marte em um foguete". 

"Vocês acharam que eu seria um cara normal e relaxado?", completou em tom mais descontraído. Elon, entretanto, não é a única pessoa famosa a ser vítima da Asperger, muito pelo contrário, como relembra o G1, nomes como Bill Gates, Greta Thunberg, Isaac Newton, Tim BurtonSteve Jobs e Alan Turing também são — ou foram — acometidos pela síndrome.  

O nome da síndrome é dado em homenagem ao médico austríaco Hans Asperger, pioneiro na pesquisa sobre o autismo e, segundo estudo, que “cooperou ativamente” com um programa nazista. 

Asperger, controverso e percursor

Em abril de 2018, um artigo escrito pelo historiador médico Herwig Czech no periódico Molecular Autism colocou em xeque um importante pediatra austríaco que foi pioneiro nos estudos do autismo, segundo explica matéria do TILT, do UOL. 

Isso porque, Czech diz que Hans Asperger “cooperou ativamente” com um programa nazista que desencadeou a morte de dezenas de crianças com deficiência. No artigo, Herwig diz que o médico levou vários desses pacientes para a clínica Am Spiegelgrund de Viena, notório centro médico nazista no qual cerca de 88 crianças morreram depois de serem submetidas a injeções letais ou o uso de gás. 

Médico nazista Hans Asperger durante consulta com uma criança / Crédito: Wikimedia Commons

 

A conclusão ocorreu depois que o historiador analisou diversos arquivos do pediatra, o que inclui até mesmo documentos pessoais e registro de seus pacientes. Com isso, Herwig diz que Hans não se afiliou ao partido nazista, porém, ainda assim, se juntou a grupos e “legitimou publicamente diretrizes de higiene racial”. 

"Asperger conseguiu se acomodar ao regime nazista e foi recompensado por suas afirmações de lealdade com oportunidades na carreira", completa o pesquisador em trecho do estudo. 

Ainda assim, seu levantamento acrescenta que nenhum ponto permite crer que o trabalho de Hans sobre o autismo tenha sido afetado por isso. Conforme explica o UOL, Asperger descreveu um grupo de crianças como “psicopatas autistas” pela primeira vez em 1938. 

Mas tarde, porém, a Síndrome de Asperger — uma forma mais leve do autismo que faz com que suas vítimas tenham um desempenho relativamente mais alto — foi batizada em sua homenagem.  

Sabe-se também que, após a Áustria ser anexada pela Alemanha, em 1938, a faculdade de medicina de Viena passou a ficar repleta de ideólogos nazistas, que lotavam as fileiras das salas de aula e centros de estudo, como explica o TILT. 

Documento do Partido Nazista que considera Asperger como alguém que "estava em conformidade com as leis raciais e de esterilização nacional-socialistas"/ Crédito: Divulgação/Herwig Czech/Molecular Autism

 

Nesse período, Herwig diz que Hans chegou a tentar provar sua lealdade a ideologia nazi realizando palestras públicas, onde declarou sua obediência a pontos ligados a medicina hitlerista, como a “higiene racial”, afirma o pesquisador no estudo. Além disso, ele também marcava a saudação “Heil Hitler” em relatórios que despachava. 

Por conta disso tudo, Czech chegou a participar de uma comissão, que avaliou a condição de mais de 200 pacientes que viviam em um lar de crianças com deficiência mental. Deste número, 35 delas teriam sido consideradas “ineducáveis” e, consequentemente, enviadas para Spiegelgrund, onde foram mortas.  

"O programa (de eutanásia infantil) serviu ao objetivo nazista de projetar eugenicamente uma sociedade geneticamente 'pura' por meio da 'higiene racial' e da eliminação de vidas consideradas um 'fardo' e 'indignas da vida'", declarou Czech e os outros autores do estudo em um comunicado.


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