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Albert Einstein: O mais célebre cientista do século 20

Neste dia, em 1879, nascia o físico teórico responsável pela Teoria da Relatividade

Redação AH Publicado em 14/03/2019, às 11h00

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A física se divide em antes e depois de 1905. Entre março e setembro daquele ano, quatro artigos foram publicados no periódico científico Annalen der Physik, de Berlim. Um demonstrava a dualidade entre partícula e onda, provando que a física quântica descrevia fenômenos reais, não efeitos de laboratório – o que nem Max Planck, considerado o pai dessa ciência, acreditava. Outro mostrava que átomos também eram reais, e não abstrações úteis para explicar fenômenos misteriosos. O terceiro estabeleceu que a velocidade da luz é constante, independentemente da velocidade de quem a emite – o que acontece é que o tempo fica mais lento para quem se aproxima dessa velocidade. Essa é a teoria da relatividade especial, que batia de frente com a física newtoniana – até então, e por mais de 200 anos, chamada simplesmente de física.

O último artigo, publicado em 21 de novembro de 1905 com o título Ist die Trägheit eines Körpers von seinem Energieinhalt abhängig? (alemão para "Será que a inércia de um corpo depende da energia que ele contém?") estabelecia a equivalência entre matéria e energia. A equação apresentada, E=mc2, afetaria o mundo de forma bem direta, já que possibilita a construção de bombas atômicas.

Einstein tinha apenas 26 anos e nunca havia dado aulas. Seu trabalho era avaliar patentes num escritório em Berna, na Suíça. Os quatro artigos do annus mirabilis foram produzidos fora do horário de expediente, longe de laboratórios, de colegas com quem discutir e até mesmo de uma biblioteca adequada. Para muitos historiadores da ciência, foi o mais brilhante trabalho amador da História. Rapidamente Einstein foi reconhecido por seus pares e ganhou o primeiro cargo de professor na Universidade de Berna, em 1908, mudando-se para sua Alemanha natal em 1914. Mas houve enorme resistência dos defensores da física clássica. Tanto que, em 1921, quando recebeu o Prêmio Nobel, foi por sua explicação do efeito fotoelétrico – a parte que prova a física quântica – e não pela relatividade, que ainda irritava muitos cientistas com essa história de ter que deixar para trás séculos de física newtoniana.

O fisico tornou-se rapidamente uma celebridade internacional, a encarnação viva do supergênio. A sua foto com o cabelo desgrenhado e a língua de fora tornou-se um ícone pop que rivaliza com a imagem de guerrilheiro de Che Guevara. Suas opiniões sobre qualquer tema apareciam nos jornais, como sua defesa da democracia, socialismo e pacifismo. Foi nessa condição que veio ao Brasil, em 1925, observar um cometa que justificaria sua teoria de gravitação.

Ele se tornou “um pacifista fundamental, hostil ao militarismo de sua era e um ícone do sentimento antiguerra que dura ainda hoje”, como afirma o historiador britânico Richard Overy. Mas esse pacifismo tomou partido em 1933, com a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha. Adotando os EUA como nova nação, Einstein se tornou partidário da guerra contra os nazistas. Em 1939, enviou uma carta ao presidente Franklin Roosevelt, alertando sobre a possibilidade do desenvolvimento de uma bomba atômica alemã. O gesto deu origem ao Projeto Manhattan e daí às bombas de Hiroshima e Nagasaki. Em 1954, ele diria ao amigo Linus Pauling que a carta a Roosevelt foi o maior erro de sua vida.

Em 1905 e depois, Einstein respondeu a desafios da física que não foram levantados por ele próprio. Talvez outros físicos tivessem, anos ou décadas depois, chegado às mesmas conclusões. Mas o fato de Einstein ser judeu evitou uma possível tragédia. Os nazistas batizaram a física quântica e a relatividade de “física judaica” – além de Einstein, o dinamarquês Niels Bohr, outro pioneiro do universo quântico, também era judeu. No lugar da física moderna, propuseram o ensino da “física alemã”, a mesma de Isaac Newton. Por isso, e pela fuga de cérebros causada pela perseguição, o programa nuclear nazista foi um fracasso – se alguém de olhos azuis fosse o autor de E=mc2, a história poderia ser diferente, e pior. As bombas atômicas também impediram a Terceira Guerra Mundial. Estados Unidos e União Soviética mantiveram uma paz tensa por medo da aniquilação mútua.