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Álcool, drogas e divórcios em Hollywood: a vida conturbada do ator John Drew Barrymore

O astro herdou a trajetória de estrelato da famosa família Barrymore, mas a fama pode ser uma maldição

Vanessa Centamori Publicado em 11/04/2020, às 12h00

John Drew Barrymore
John Drew Barrymore - Wikimedia Commons

John Drew Barrymore nasceu para o estrelato: Hollywood corria pelo sangue de suas veias. Era até genético, pois o astro vinha de uma linhagem famosa de atores da família Barrymore. Nascido em 4 de junho de 1932, ele era filho do astro americano John Barrymore e Dolores Costello - mulher que por sinal também havia herdado a habilidade nos palcos do pai, o ator de cinema mudo Maurice Costello.

A tia de John, irmã de seu pai, foi a célebre atriz Ethel Barrymore, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme None But the Lonely Heart ("Apenas um coração solitário"), de 1944. Já o tio, também do lado paterno, era Lionel Barrymore, também vencedor da desejada estatueta, só que na categoria melhor ator, no longa A Free Soul, um pouco antes, em 1931. 

Falta de apoio 

Desde cedo, John Drew Barrymore já teve que encarar obstáculos. Seus pais famosos se divorciaram após de menos de três anos casados, quando ele era apenas um bebê de 18 meses. John acabou sob a custódia da mãe e raramente via o pai.

John Barrymore, pai de John Drew Barrymore / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dolores entendia bem o lado sombrio de Hollywood e não queria que o filho seguisse os passos do pai, que era alcóolatra. Então, mesmo John amando as artes cênicas, ele jamais recebeu apoio da mãe, que o desencorajava fortemente para que ele seguisse outra carreira. 

Rebeldia jovem 

Para manter seu filho longe dos palcos, Dolores Costello o enviou para a Academia Militar do Noroeste de St. John. Porém, como resultado, o rapaz se tornou um jovem rebelde, que a desobedecia completamente.

Seguindo o legado da famíia contra a vontade da mãe, ele estreou no cinema, aos 18 anos de idade, em dois filmes de 1950:  The Sundowners e High Lonesome. Nesse mesmo período, não apenas conheceu estúdios cinematográficos, como também presídios estadunidenses. 

Dolores Costello, mãe de John Drew Barrymore / Crédito; Wikimedia Commons 

 

Ao longo da década de 1950, John foi preso várias vezes por dirigir embriagado, ou acima dos limites de velocidade. Em 1952, no mesmo ano em que estrelou o filme Thunderbirds, do diretor John H. Auer, o moço se casou com a atriz Cara Williams, com quem teve um filho em 15 de maio de 1954, batizado como John Blyth Barrymore III.

Casamentos frustrados 

Quatro anos depois, em dezembro de 1958, John foi setenciado a ficar três finais de semana na cadeia após brigar com a esposa, enquanto estava bêbado, em um estacionamento. No ano seguinte, o casal se divorciou. 

Um ano após o primeiro divórcio, o ator casou novamente, com outra atriz, Gabriella Palazzoli, com quem teve Blyth Dolores Barrymore, nascida no mesmo ano da união matrimonial dos pais. O casamento durou 10 anos. 

Em 1964, John experimentou de substâncias psicoativas, sendo preso por porte de maconha. Em uma entrevista concedia à agência Associated Press, naquela mesma década de 1960, ele admitiu ser falho. "Eu não sou um americano bom, certinho e tudo. Sou apenas um ser humano. As coisas simplesmente acontecem", afirmou.  

Barrymore com a atriz Anne Helm no filme Gunsmoke, em 1964 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Os vícios e o comportamento desviante de John se somaram a mais um casamento, dessa vez com a atriz Ildiko Jaid Mako. Com ela, John Barrymore teve, em 1975, a filha Drew Barrymore, que também se tornou atriz. 

O último casamento de John Barrymore foi com Nina Wayne (mais uma atriz dos EUA), com quem teve Jessica Blyth Barrymore. No entanto, como estava acostumado, a relação amorosa não deu certo. 

Relação conturbada com a filha 

Parecia uma maldição de Hollywood: John Drew Barrymore tinha um temperamento volátil e acabou se tornando um alcóolatra como o pai. Isso acabou se espelhando na relação que ele tinha com a própria filha, Drew Barrymore. 

Filha de John Drew Barrymore, a atriz Drew Barrymore / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O relacionamento dos dois não foi nada bom. A moça sofreu muito com o divórcio dos pais e teve uma juventude traumática e turbulenta, abusando também de álcool e drogas, e chegando a ser internada duas vezes em clínicas de reabilitação. Aos 14 anos, tentou suicídio, mas sobreviveu.

Drew contava em diversas entrevistas que odiava o próprio pai e foi assim por vários anos. Porém, quando John Drew Barrymore foi diagnosticado com câncer em 2003, ela se mudou para uma residência próxima a dele, em Los Angeles. Pagou suas contas médicas e cuidou da alimentação do pai. 

Até que no dia 29 de novembro de 2004, o astro do cinema faleceu, aos 72 anos de idade. Por suas contribuições com Hollywood, a estrela dele ainda permanece na Calçada da Fama. A filha teve uma carreira de sucesso e até venceu o Globo de Ouro (2010) como melhor atriz em minissérie ou filme para a TV pela sua interpretação de Pequena Edie, em Grey Gardens.


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