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Alcoolismo e melancolia: A misteriosa morte de Gia Scala

Uma das mais belas atrizes de Hollywood teve uma metórica carreira e um fim controverso

Penélope Coelho Publicado em 13/07/2020, às 17h18

Gia Scala em cena, no ano de 1960
Gia Scala em cena, no ano de 1960 - Wikimedia Commons

Morena, alta, de olho verdes, Gia Scala foi uma das figuras mais bonitas que Hollywood já viu. Apesar de rápida, a mulher atuou em papéis marcantes para a história das produções audiovisuais dos Estados Unidos.

Entretanto, alguns problemas em sua vida pessoal fizeram com que a estrela perdesse o rumo. Sua morte aconteceu de maneira inesperada quando a atriz ainda era muito jovem, resultando em contradições até os dias atuais. 

Anos iniciais

Nascida Josephine Grace Johanna Scoglio — posteriormente conhecida pelo nome artístico de Gia Scala —, no dia 3 de março de 1934, em Liverpool na Inglaterra, desde jovem, a garota já chamava atenção por sua aparência estonteante.

Filha do italiano Pietro Scoglio e da irlandesa Eileen O'Sullivan, Gia passou a maior parte de sua infância na região italiana de Sicília. A menina cresceu ao lado de sua única irmã Tina. Sua família foi uma das maiores produtoras de citrinos — como laranja, limão e  tangerina—, da região.

Aos 16 anos, Scala decidiu se mudar para os Estados Unidos em busca de maiores oportunidades na realização de seu sonho de se tornar atriz. A menina foi morar na casa de uma tia na região do Queens, em Nova York. Mas, logo depois de se formar no ensino médio decidiu tentar a sorte em Manhattan.

Enquanto buscava iniciar sua carreira, Josephine trabalhou em uma agência de viagens para conseguir se sustentar e bancar seus estudos na área. Nessa época, a aspirante a atriz estudava atuação com a renomada Stella Adler. Foi assim que a garota fez seus primeiros contatos na área em que almejava.

Scala ao lado de Russ Tamblyn, em cena gravada no ano de 1957 / Wikimedia Commons

 

Sucessos e tragédias

Quando Gia começou a despontar em algumas pequenas participações em programas de auditório, produtores da Universal Pictures se interessaram pela garota e a convidaram para um teste. Foi suficiente.

No ano de 1954, a intérprete foi para Los Angeles na companhia de sua mãe na expectativa de conseguir seu primeiro papel. Embora a jovem não tenha conseguido passar naquele teste em específico, seu talento ficou evidente.

Por isso, os diretores chamaram a artista para uma participação no filme All That Heaven Allows (1955). Apesar de não cumprir um papel importante na produção, Josephine foi contratada pela Universal e ganhou o nome artístico de Gia Scala. Logo no começo de sua carreira, a atriz teve que enfrentar um grande trauma do qual nunca se recuperou: a morte da mãe no começo de 1957.

Mesmo triste e perturbada pelos acontecimentos recentes, a mulher conseguiu estrelar diversos filmes como: Four Girls in Town (1957); Tip on a Dead Jockey (1957); The Garment Jungle (1957); The Tunnel of Love (1958) e The Guns of Navarone (1961). Além de aparecer em séries de TV como Viagem ao Fundo do Mar (1964) e Tarzan (1966).

Já naturalizada como uma cidadã norte-americana, a estrela se casou com o também ator Don Burnett, em 21 de agosto de 1959. Depois de 10 anos de união, Gia foi abandonada pelo homem — que pediu o divórcio para se casar com uma mulher mais nova e também atriz chamada Barbara Anderson.

A junção da morte de sua mãe com a separação fez com que Scala passasse a apresentar problemas com a dependência do álcool, além de mostrar claros sinais de depressão. Com isso, sua carreia foi se tornando cada vez mais secundária.

Morte enigmática

Fotografia de Gia Scala tirada em 1959 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na noite de 30 de abril de 1972, Gia foi encontrada sem vida, aos 38 anos de idade, em sua casa localizada em Hollywood Hills. Na época de sua morte, o médico legista Thomas Noguchi afirmou que a causa do falecimento foi uma intoxicação aguda causada pela mistura de álcool com barbitúricos usados como ansiolíticos.

Na ocasião, a morte foi relatada como um acidente, contudo, isso gerou diversas dúvidas na mídia e nos fãs da intérprete — já que as circunstâncias se pareciam com a de um suicídio. Para a irmã da atriz, ela não pretendia tirar a própria vida e a morte poderia se tratar de um assassinato.

Na biografia Gia Scala: The First Gia, lançada em 2014, alguns pontos controversos sobre as circunstâncias da morte da mulher são levantados, como por exemplo, a existência de alguns hematomas em seu corpo e a presença de sangue em seu travesseiro.

Mesmo assim, não houve mais investigações e o caso foi dado como encerrado. Os fãs da era de ouro de Hollywood lamentam que a carreira de Gia tenha sido tão rápida e pouco explorada. Porém, seu legado meteórico permanece vivo até hoje, Scala ainda é lembrada por seu talento e beleza inigualáveis.


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