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Além de Cleópatra: Neitotepe, a enigmática primeira rainha do Egito

Por muito tempo confundida com um faraó do sexo masculino, a egípcia provavelmente governou a região sozinha após a morte do marido

Isabela Barreiros Publicado em 04/05/2020, às 16h37

Imagem de uma mulher no Egito Antigo
Imagem de uma mulher no Egito Antigo - Wikimedia Commons

Muito antes da icônica Cleópatra, que governou no Egito Antigo em por volta de 51 a.C. e 30 a.C., outras mulheres egípcias abriram caminho para que as próximas pudessem segui-las em posições de poder. Por isso, é importante contar a história da figura que se acredita ter sido a primeira rainha do Egito, Neitotepe, nascida em 3100 a.C.

Também conhecida como Neithhotep, ela foi uma mulher que ocupou um altíssimo cargo no Egito Antigo, sendo esposa de Narmer, possível primeiro faraó conhecido da região. Com a morte do marido, ela teria, também, se tornado faraó, sendo assim a primeira egípcia a exercer tal posição.

Descoberta

Em 1897, o arqueólogo francês Jacques de Morgan descobriu a tumba de Neitotepe na cidade de Naqada, localizada na margem oeste do Rio Nilo. No entanto, permaneceu no local por apenas duas semanas, sendo responsável por apenas uma pequena parte da escavação do local.

Na verdade, se tratava de uma mastaba, um enorme túmulo em forma de tronco de pirâmide. A grandiosidade da construção causou espanto, e, durante muito tempo, acreditou-se que o local foi construído em homenagem a um faraó. Ou seja, arqueólogos supunham que Neitotepe era um homem.

Ao longo da história, a monumental sepultura foi explorada por diferentes pesquisadores. Em, 1898, apenas um ano depois do achado, o arqueólogo alemão Ludwig Borchardt realizou diversas escavações no local, que voltaria a ser investigado por seu descobridor, Morgan, em 1904. O francês finalmente encontrou centenas de artefatos, que revelaram o nome do governante que a construiu.

Feita de tijolos endurecidos e com paredes em nichos, a superestrutura não sobreviveu à degradação causada pela erosão condicional do tempo. Hoje, não é mais possível observar o que um dia foi um enorme túmulo destinado ao corpo de Neitotepe.

Confusão do gênero

Símbolo de Neitotepe gravado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como já foi dito, por muito tempo arqueólogos pensavam que a tumba havia sido construída para um farão desconhecido do sexo masculino, principalmente por ser tão grande. Mas outro motivo também os levou a assumir tal posição: o sereque real de seu nome — um símbolo hieroglífico específico — estava gravado em inúmeras impressões de selos.

Mas o curioso é que os carimbos feitos em argila eram reservados apenas para governantes do sexo masculino, ou seja, ela provavelmente foi a primeira a, de fato, reinar no Egito Antigo, porque antes dela não haviam selos grafando nomes de mulheres.

O sereque de Neitotepe foi personalizado e altamente modificado para ela. Em vez de um falcão de Hórus, símbolo geralmente utilizado nessas moedas, foi representado o símbolo da deusa Neith.

Isso é importante também para decifrar o nome da rainha egípcia. Acredita-se que ela tenha sido nomeada em homenagem à deusa da guerra e da caça, Neith. Isso se tornou uma tradição na família real egípcia: depois dela, muitas mulheres passaram a levar nomes referenciando divindades, como a rainha Meritneit e a princesa Ahaneith, por exemplo.

Cargos de poder

Hieróglifos encontrados em Wadi Ameyra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Acredita-se que, na genealogia da família real, Neitotepe tenha sido esposa do faraó Narmer, e que o casamento dos dois foi responsável pela unificação do Egito. Atótis foi o filho mais conhecido dessa relação, que governou a região em por volta de 3080 a.C.

No entanto, supõe-se que ela tenha se tornado rainha após a morte de seu marido, passando um curto período no poder. Hieróglifos encontrados em Wadi Ameyra, no deserto do Sinai, revelam que a mulher foi responsável por ordenar uma expedição que tinha como intuito a extração de minério. Essa ação podia ser executada apenas por alguém que estava no mais alto cargo do Egito, o que sugere que ela tenha sido faraó.

É possível, porém, que Neitotepe tenha sido regente de seu filho Atótis, que ainda era muito jovem para suceder seu pai no trono. Mas, como se trata de figuras muitos antigas, as hipóteses são diversas e não têm conclusão definida. Alguns ainda afirmam que ela possa ter sido cônjuge de Atótis, em vez de mãe, e ainda co-regente do sucessor governante Djer.


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