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Aliado do Führer: os horrores de Charles Coughlin, o padre antissemita

O controverso sacerdote declarou apoio ao governo ditatorial alemão como forma de combater o comunismo e o capitalismo

Victória Gearini Publicado em 08/05/2020, às 08h30 - Atualizado às 08h30

Padre antissemita, Charles Coughlin
Padre antissemita, Charles Coughlin - Wikimedia Commons

Charles Edward Coughlin foi um padre católico romano, de origem canadense, sendo o fundador da igreja do Santuário Nacional da Pequena Flor. Considerado um dos primeiros líderes políticos e religiosos a usar o rádio como difusor de suas ideologias, este sacerdote é apontado, ainda, como um dos aliados de Hitler, como explica o historiador Bradley W. Hart.

Lançada em 2018, a obra Hitler's American Friends (Amigos Americanos de Hitler, em tradução livre) revela a campanha de difamação de Hitler contra os Estados Unidos, com a ajuda de aliados norte-americanos, que atuavam como espiões do Terceiro Reich. No livro de Bradley W. Hart. os informantes de Führer são divididos em capítulos, sendo um deles destinado ao padre antissemita Charles Coughlin.

Durante suas pesquisas, o historiador concluiu que Hitler estava ciente do apoio ao nacional-socialismo nos Estados Unidos, motivo que favoreceu sua campanha no país. Assim como Charles Coughlin, durante a década de 1930, espiões nazistas atuaram de dentro do Capitólio, e por meio de comícios conseguiram manipular boa parte da massa religiosa — estima-se que 30 milhões de ouvintes escutavam o sacerdote semanalmente, através das transmissões radiofônicas. 

Quem foi Charles Coughlin

Nascido no dia 25 de outubro de 1891, em Hamilton, Ontário, Charles Coughlin era filho de pais católicos irlandeses, Amelia e Thomas J. Coughlin, portanto, desde cedo teve uma educação rígida, regrada pelos preceitos religiosos. Já em 1926 foi enviado para o recém-fundado Santuário da Pequena Flor, sendo considerado um dos fundadores dessa paróquia. Ainda neste mesmo ano, Coughlin começou a transmitir suas pregações na estação de rádio WJR.

Aliado de Hitler, o padre Charles Coughlin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pouco tempo depois, em 1929, foi aconselhado pelo proprietário da rádio George A. Richards, a focar seus pronunciamentos em questões políticas, atacando cada vez mais o sistema bancário e os judeus. Atraindo diversos seguidores, em janeiro de 1930, Coughlin deu início a intensos ataques contra o comunismo soviético, por serem opositores da Igreja Católica. No entanto, o padre também criticou o capitalismo da América, pois segundo ele transformava o comunismo atraente.

Durante o episódio histórico que ficou conhecido como a Grande Depressão, Coughlin  foi um dos primeiros a apoiar as reformas do New Deal, propostas por Franklin D. Roosevelt na eleição presidencial de 1932. No entanto, em 1934, ele fundou a União Nacional de Justiça Social (NUSJ), desaparecendo o seu apoio a Roosevelt e propondo reformas monetárias como a solução para os problemas gerados pela Grande Depressão. 

Por semana, Coughlin chegava a receber mais de 80 mil cartas de leitores fiéis ao seu programa radiofônico. Com uma audiência alta, o padre foi capaz de manipular dezenas de pessoas, sendo um de seus slogans de campanha: "Menos cuidado com o internacionalismo e mais preocupação com a prosperidade nacional".

Antissemitismo e apoio a Hitler 

Em 1936, Coughlin declarou admiração por governos fascistas, como o de Hitler e Mussolini, como forma de combater o comunismo. Em seus programas, o padre constantemente atacava banqueiros judeus disseminando fake news sobre o bolchevismo judaico e a Revolução Russa. Embora negasse ser antissemita, semanalmente publicava textos contra este povo, no jornal Social Justice.

Jornal Social Justice com textos antissemitas de Coughlin à venda em Nova York / Crédito: Wikimedia Commons

 

Duas semanas após aos ataques nazistas contra judeus alemães e austríacos, Coughlin declarou apoio, alegando que os russos teriam ligações com judeus e que por isso perseguiam cristãos. "Perseguição judaica somente seguido depois que os cristãos foram perseguidos". Após essa afirmação, algumas estações de rádio passaram a recusar transmitir seus pronunciamentos. 

Segundo o historiador Donald Warren, que teve acesso aos arquivos secretos do FBI, Coughlin recebeu, ainda, financiamento indireto da Alemanha nazista nesta época. No entanto, em 1939, se distanciou da organização German American Bund, quando esta promoveu um grande comício em Nova York, com o intuito de propagar ideais nazistas no país. 

Após uma série de ataques ao governo norte-americano, o programa de Coughlin foi cancelado. Em 1979, aos 88 anos veio a falecer devido a complicações geradas pela idade. Seu corpo atualmente está enterrado no cemitério do Santo Sepulcro em Southfield, Michigan . 


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