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Alice de Battenberg: A impressionante história da sogra de Elizabeth II

Nascida surda e diagnosticada com esquizofrenia, a Princesa Alice foi vítima das experiências de Sigmund Freud durante sua estadia em um sanatório

Daniela Bazi Publicado em 22/12/2019, às 14h00

Princesa Alice e seu filho príncipe Philip, Duque de Edimburgo
Princesa Alice e seu filho príncipe Philip, Duque de Edimburgo - Getty Images

Mãe de Philip, o Duque de Edimburgo e marido da rainha Elizabeth II, a princesa Alice de Battenberg nasceu com surdez congênita, no castelo de Windsor, em 1885, com a presença de sua bisavó, a rainha Vitória, que foi uma de suas três madrinhas. 

Aos 18 anos, casou-se com o príncipe Andrew da Grécia e Dinamarca, em um dos eventos mais grandiosos que haviam acontecido na época. Desde então, passou a ter bastante contato com os czares russos, no qual costumavam lhe presentear frequentemente com diversos itens de luxo, como uma tiara de 14 milhões de dólares que acabou sendo utilizada para a criação do anel de noivado que Philip deu a Elizabeth.

Princesa Alice e seu marido, o Príncipe Andrew em Atenas, no ano de 1921 / Créditos: Getty Images

 

Juntos, o casal teve cinco filhos: Margarita, Theodora, Cecilie, Sophie e Philip. Com o estouro da Primeira Guerra Mundial, eles foram obrigados a se exilar na Grécia onde, após a abdicação de Constantino do trono grego devido a complicada crise política, eles foram obrigados a fugir novamente do país e viveram por anos como refugiados, recebendo ajuda do irmão de Alice, o Lorde Louis Mountbatten. Em pouco tempo a família já teria se separado.  

Philip foi enviado para ser educado em internatos na Escócia e na Inglaterra, onde futuramente se alistaria para a Marinha Real Britânica; Andrew se instalou sozinho em Monte Carlo; as quatro meninas acabaram se casando com membros do partido nazista; e Alice, em 1930, foi diagnosticada com esquizofrenia e internada em um sanatório na Suíça. 

Alice e Andrew com suas filhas, princesa Theodora e princesa Margarita, em dezembro de 1922 / Créditos: Getty Images

 

Durante sua permanência, Sigmund Freud diagnosticou que os problemas de Alice eram devido a seus níveis hormonais e a sua “frustração sexual”. A princesa foi então submetida a diversos tratamentos agressivos, incluindo a aplicação de raios X em seus ovários para acabar com seu desejo sexual e acelerar a menopausa. O tratamento acabou não funcionando e deixou a deixou com sequelas para a vida toda. 

Ao sair do sanatório, Alice criou a ordem ortodoxa de freiras Marta e Maria, que ajudava pessoas necessitadas. A princesa só se reuniria com sua família novamente em 1937, ao ir no funeral de sua filha Cecilie, que faleceu em um acidente de avião junto de seu marido e seus dois filhos. Ela estava grávida de 9 meses durante a tragédia. 

Alice voltaria a se exilar na Grécia em 1967 entretanto, pouco tempo depois, ela foi levada para morar com Philip e Elizabeth na Inglaterra. A princesa morreu no dia 5 de dezembro de 1969, no Palácio de Buckingham. Seu último desejo era que fosse enterrada junto de sua tia no Monte das Oliveiras, em Jerusalém. O pedido foi finalmente realizado no ano de 1988. 

Em 2018, o príncipe William visitou o túmulo de sua bisavó, a princesa Alice, em Jerusalém / Créditos: Getty Images

 

Foi apenas após a sua morte que a família viria a descobrir alguns de seus atos heróicos durante a Segunda Guerra. Em 1994, Philip e sua irmã Sophie foram a Jerusalém, onde a princesa Alice foi condecorada como Justa entre entre as Nações por ajudar os mais necessitados durante a guerra e por salvar a família Cohen dos nazistas. 

Durante a cerimônia, o Duque de Edimburgo fez um discurso sobre a mãe, onde disse “Suspeito que a minha mãe nunca pensou que seus atos foram, de alguma forma, especiais. Para ela, ajudar as pessoas era uma reação perfeitamente natural”.


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