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Amargura, venenos e traições: os crimes da Marquesa de Brinvilliers

Em meados da década de 1670, a dama aterrorizou a própria corte com uma mistura de frieza, falta de compaixão e fortes produtos químicos

Pamela Malva Publicado em 21/04/2020, às 09h00

Ilustração da Marquesa de Brinvilliers quando foi presa
Ilustração da Marquesa de Brinvilliers quando foi presa - Wikimedia Commons

Entre as grossas paredes de um palácio, todo tipo de barbáries podem acontecer. Desde torturas e estupros, até verdadeiros assassinatos, as suntuosas residências já foram palcos de diversos crimes hediondos.

No palácio da Marquesa de Brinvilliers, entretanto, não era possível ouvir gritos de dor, ou suspiros de agonia, mas panelas com água fervente e o tilintar de frascos químicos. Em um dos cômodos do castelo de Offémont, a nobre produzia seus próprios venenos.

Com uma vida tão confortável, era bastante confuso que a Marquesa precisasse tomar uma atitude tão drástica para se proteger. Os venenos, todavia, não eram feitos para auto-defesa. Ela os usava apenas para conseguir o que queria.

Uma mulher amarga

Marie-Madeleine Marguerite d'Aubray nasceu em julho de 1630, a mais velha dos cinco filhos da família Dreux d’Aubray. Aos 21 anos, tornou-se marquesa ao se casar com Antoine Gobelin de Brinvilliers, em uma união bem vista pela sociedade aristocrata.

Com cabelos castanhos e belos olhos azuis, a jovem era bem instruída, mas mostrava-se cínica e bastante fria com quem estivesse ao seu redor. Até seu casamento feliz, na verdade, era cercado de mentiras e adultérios.

Amargurada e cansada de sua vida mediana, Marie-Madeleine passou a canalizar todas as suas frustrações no envenenamento. Com apenas algumas misturas químicas, ela matou diversas pessoas da corte.

A lista de vítimas da Marquesa ficou longa em pouco tempo e contava com nomes como os de sua irmã, de seu pai e de seu próprio marido. Em grande parte das vezes, a dama dava o veneno às suas vítimas por ciúmes, inveja ou dinheiro.

Imagem meramente ilustrativa de frasco de veneno / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

As cartas de sangue

Um dos principais cúmplices de Marie-Madeleine nos envenenamentos era seu principal amante, o capitão Godin de Sainte-Croix. Foi graças a ele que as primeiras acusações foram possíveis. 

Antes de morrer em 1672, o homem teria escrito uma série de cartas, confessando todos os crimes e indicando a Marquesa como assassina em série. A dama logo foi acusada e passou a fugir dos oficiais, escondendo-se por toda Europa.

Eventualmente, Marie-Madeleine foi capturada e uma carta de confissão foi encontrada. No texto, a Marquesa confessava ter envenenado o pai para ficar com sua herança, ter mandado envenenar os dois irmãos e ter desejado matar a irmã. 

No documento, Marie-Madeleine ainda escreveu que teria envenenado seu esposo “cinco ou seis vezes”, mas se arrependeu e administrou um antídoto logo em seguida. A dama também teria atentado contra a vida da própria filha, por inveja de seu corpo.

A carta também trazia confissões sobre incesto, adultério, sodomia e aborto. O crime mais condenado pela sociedade da época, entretanto, foi a tentativa de suicídio — a vida era um bem divino e arrancá-la com as próprias mãos era uma heresia.

Julgamentos venenosos

Durante todo seu processo, Marie-Madeleine manteve-se impassível, sempre de cabeça erguida. Quando foi confrontada por amantes, ela seguiu fria e, quando sentia vontade, pronunciava crueldades afiadas, que levaram até o mais nobre às lágrimas.

Graças ao seu título nobre, a Marquesa só foi julgada em julho de 1676. Os envenenamentos foram considerados bruxaria e o caso foi levado até a mais alta jurisdição do reino. Ela, todavia, negava todas as acusações.

A tortura de Marie-Madeleine / Crédito: Wikimedia Commons

 

Por horas, o caso da Marquesa venenosa foi julgado e, a todo o tempo, a dama negava todas as acusações. Ainda assim, ela foi condenada pelo assassinato do pai e dos irmãos, além do atentado contra a vida da irmã.

No final, ela foi condenada pelo assassinato do pai e dos dois irmãos. Sua sentença, dividida em partes, previa que a dama seria torturada e, em seguida, decapitada. Por fim, teria seu corpo queimado em praça pública.

O fim de uma vida obscura

No último dia de sua vida, a Marquesa pediu que pudesse ser ouvida antes das torturas. Com o desejo concedido, ela confessou todos os seus crimes, mas não deu nenhum nome, nem mesmo quando foi, de fato, torturada.

Marie-Madeleine foi executada no dia 17 de julho 1676, aos 46 anos. Ainda que, por diversas vezes, ela tenha citado o nome de seus cúmplices durante o julgamento, foi condenada sozinha, por não citar qualquer cúmplice durante a tortura.


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