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Amelia Dyer, a assassina de bebês da Inglaterra Vitoriana

Em um grande caso de infanticídio, mais de 300 recém-nascidos foram mortos nas mãos de Amelia

Joseane Pereira Publicado em 13/07/2019, às 08h00

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- Reprodução

A cidadã Amelia Dyer, nascida em Bristol, era uma das várias mulheres da Inglaterra Vitoriana que criavam bebês em troca de dinheiro. Mas o que ninguém sabia era que, para receber mais recém-nascidos, ela executava os outros rapidamente.

Serviço lucrativo

Dyer começou a exercer a profissão de cuidadora em 1860, após se tornar enfermeira. Naquela época, a criação de bebês era um negócio lucrativo. Anúncios para os serviços estavam disponíveis nos jornais locais. A falta de métodos contraceptivos e a desonra em ter um filho ilegítimo, ligadas a taxas de pobreza que impediam a criação digna de uma criança, levavam várias mulheres a contratar os serviços.

A enfermeira prometia uma casa acolhedora e feliz para as crianças. Mas, logo após recebê-los, eles eram deixados sem comer até a desnutrição. A grande taxa de bebês mortos sob seus cuidados alertou as autoridades locais, e Dyer foi acusada de negligência e submetida a seis meses de trabalho forçado.

Quando a pena terminou, ela continuou seu serviço sujo – mas agora, clandestinamente. Usando identidades falsas e trocando de residência, ela criou métodos mais rápidos para matar suas vítimas, se livrando sozinha dos pequenos cadáveres.

Foto de Dyer tirada pela da polícia após sua prisão, em 1896 /
Crédito: Reprodução

 

Dyer tinha seu próprio ritual de morte e descarte. Em um grande número de casos, ela estrangulava os bebês com uma fita branca e depois jogava os corpos no rio Tâmisa. Após encontrar uma das vítimas próxima ao rio, a polícia entrou em alerta e passou a investigar as cuidadoras locais.

Chegando em sua residência, os oficiais encontraram provas esmagadoras: cartas negociando adoções, enormes quantidades de roupas de bebê, recibos de anúncios de jornais e um assustador cheiro de carne podre que emanava do quarto e dos armários da cozinha.

Toda a história se tornou um espetáculo. Milhares de pessoas acompanharam as buscas dos corpos no Tâmisa, após Amélia admitir que eles poderiam ser encontrados pelas fitas amarradas ao pescoço. Mais de 50 cadáveres foram localizados nas primeiras buscas, e investigações recentes atrestam que pelo menos 300 crianças morreram nas mãos da serial killer. 

Condenada à morte em 1896, aos 59 anos, Amelia Dyer é hoje lembrada como a protagonista de um dos maiores casos de infanticídio da História.