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Ameyo Adadevoh: a corajosa médica que identificou o primeiro caso de Ebola na Nigéria

Além de enfrentar a fúria do paciente, Adadevoh desenvolveu a primeira unidade de isolamento do país

Caio Tortamano Publicado em 02/05/2020, às 10h00

Doutora Ameyo Stella Adadevoh
Doutora Ameyo Stella Adadevoh - Divulgação

Não foi uma luta fácil para os profissionais da saúde durante a epidemia do Ebola em países africanos, especialmente na Nigéria. O início do surto no país passou diretamente pelas mãos da médica Ameyo Stella Adadevoh, que se entregou de corpo e alma pela causa, literalmente.

Adadevoh é neta de um dos mais importantes políticos da história da Nigéria, fundador do nacionalismo nigeriano, e foi a responsável por identificar o primeiro caso de Ebola do país. O infectado foi um diplomata da Libéria, chamado Patrick Sawyer.

Sawyer passou mal durante um voo que seguia em direção a Lagos, cidade nigeriana, e foi levado para um hospital quando pousou no país. Porém, sem nenhum tipo de triagem, ele acabou contaminando diversas pessoas durante seu trajeto.

Inicialmente, Patrick foi diagnosticado com malária. No entanto, ao realizarem o tratamento, o corpo do homem não respondia aos medicamentos. A equipe de Ameyo decidiu testar o homem para Ebola, e descobriram que ele estava infectado.

O diplomata Patrick Swayze / Crédito: Divulgação

 

O diagnóstico representou uma grande dificuldade para o hospital e os médicos envolvidos. Isso porque não existia nenhuma ala de isolamento na Nigéria. Diante do fato, a médica tomou a iniciativa de desinfetar o hospital e conscientizar as pessoas sobre a disseminação da doença.

Fúria

Em seis dias, sem nenhuma ajuda do governo, os médicos do First Consultant Hospital criaram uma unidade de isolamento para os pacientes. Embora tenham feito o melhor para o tratamento do diplomata, Sawyer insistia em querer sair do hospital. Movido pela fúria, se tornou agressivo a ponto de jogar sangue na equipe médica para infectá-los. 

Além das pressões do próprio representante diplomático, a Libéria começou a insistir que Patrick retornasse ao país. A dificuldade do caso tornou a mulher uma das únicas médicas a não recusar o tratamento do paciente, que morreu em agosto de 2014.

Pouco tempo depois, Ameyo começou a apresentar sintomas do Ebola, e se isolou na área em que ela mesmo foi responsável por criar. Onze dias depois, Adadevoh não resistiu aos sintomas da doença e morreu juntamente com outros três profissionais médicos que ajudaram a tratar do diplomata.

A atuação da médica ficou marcada na história da medicina do país, tanto que uma fundação que defende o desenvolvimento desse segmento foi criada com o seu nome. No fim, o país teve 20 casos confirmados e 8 mortes. Sem dúvidas, o papel da médica foi crucial para conscientizar a população.  


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