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Amigo de Nelson Rockefeller e conhecido de Marilyn Monroe: a vida de playboy de Jorginho Guinle

Vivendo no extremo luxo até perto do final de sua vida, Guinle é um dos personagens mais icônicos da década de 50 no país e no mundo

Caio Tortamano Publicado em 06/04/2020, às 19h00

Jorge Guinle brincando com sua coleção de trens
Jorge Guinle brincando com sua coleção de trens - Wikimedia Commons

Monumento do luxo carioca e símbolo de uma geração até romântica do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace é um dos hotéis mais luxuosos da cidade e um dos mais queridos mundo a fora. Por trás dessa sofisticação estava a família de Jorge Guinle, mais especificamente seu tio Octávio, que foi quem fundou o hotel.

Não somente do Palace que sua família era dona, o porto de Santos (até hoje um dos mais importantes do país) também estava sobre o controle do clã de Guinle. É de se imaginar que, com tanta riqueza, não sobraria tempo para que Jorginho — como era conhecido — conseguisse um emprego formal.

O pai de Jorge, Carlos Guinle, um grande colecionador, proporcionou ao menino contato com uma arte, até então, pouco difundida no brasil: o jazz. O hotel da família era um dos principais locais do Rio em que grandes compositores clássicos entoavam suas melodias pelos mármores e veludos do estabelecimento.

Hotel Copacabana Palace na época de sua fundação / Crédito: Wikimedia Commons

 

Epicurista declarado, Jorge estudou filosofia no Collège de France, em Paris, afirmando muitas vezes ao longo da vida ser marxista, sendo ao mesmo tempo um inocente útil, por ser um capitalista que apoivaa o marxismo.

A vida noturna de Paris foi base para que a alta sociedade criasse a noitada carioca, com casinos e boates ao estilo burlesque. Guinle realizou a impressionante proeza de participar ativamente de ambas.

O nome de sua família fazia boa parte da tarefa de introduzir o playboy para o chamado jet set — o grupo de pessoas ricas o suficiente que podiam viajar de jatos particulares com exacerbada frequência, como diria o mesmo em sua biografia “O importante não era a quantidade de dinheiro que você tinha, mas devia aparentar ter muito. Era importante ter classe, se apresentar como dono do Copacabana Palace, amigo do Rockefeller”.

O magnata americano em questão era Nelson Rockefeller, que vendo em Jorge o potencial de fazer bom papel diplomático entre os Estados Unidos e o Brasil, quis que o país sul americano estivesse ao lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

A influência e a polidez do homem faziam com que fosse influente dentro dos estúdios cinematográficos de Hollywood, onde acompanhou produções históricas como Casablanca. Mas sua participação não se limitava aos estúdios: no badalo americo passou noites curtindo com o diretor Orson Welles, o ator — e futuro presidente — Ronald Reagan e muitos outros, que se divertiam a base de mulheres e álcool.

Além das amizades internacionais, Jorge fez alguns amigos brasileiros bastante notáveis. Vinicius de Moraes era vice-cônsul brasileiro em Los Angeles na década de 40, e na cidade acabou conhecendo o influente brasileiro, ambos tinham grande interesse por jazz e a amizade se fortaleceu graças a essa paixão.

A família Guinle era dona da Granja Comary, famosa atualmente por ser a casa da seleção brasileira de futebol em períodos de preparação para campeonatos futebolísticos. Em 1953, uma outra partida foi sediada no lugar, e não deixou nada em desejar quanto aos convidados. Em uma visita ao local, Getúlio Vargas acabou sendo o árbitro de um jogo de futebol entre membros da família Guinle, inclusive Jorge.

Seu estilo preferido de mulheres eram as altas — apesar de ser baixo, em torno de 1,60m —, e principalmente  de Hollywood. Aliás, como o próprio afirmou, elas eram a única razão dele frequentar as festas da alta sociedade. Em 1946, o socialite conheceu Marilyn Monroe, que ainda estava no começo de sua carreira e com quem Guinle diz ter feito sexo “duas vezes”.

A postura mulherenga era muito valorizada na década de 40 e 50, especialmente para homens solteiros e da alta classe. Guinle trazia atrizes famosas ao Copacabana Palace e elas resultavam na notoriedade e fama do local e ao mesmo tempo do playboy, que se tornaram ícones brasileiros nesse período.

Engana-se quem pensa que o estilo solteiro nunca foi acompanhado por matrimônios, em outubro de 1944, Jorge se casou com a socialite Dolores Sherwood Bosshard, de uma rica família americana. Juntos tiveram o primogênito de Jorge, Jorge Eduardo Guinle Filho, que viveu com os dois até a separação do casal, em 1954.  Seu outro filho, Gabriel, só viria a nascer em seu quarto casamento, com Maria Helena Carvalho.

Sua segunda mulher foi Ionita Salles Pinto, que, aos 20 anos, se casou com Jorge, que tinha 52. Ficaram juntos por sete anos e a união terminou em uma das anuais presenças de ambos ao Oscar. Certa cerimônia, Ionita não apareceu, ela havia deixado Guinle para ter um caso com o jovem fotógrafo Antonio Guerreiro.

Depois de 1972, porém, sua vida financeira começou a desandar. Habituado a gastar, mal sabia investir, e depois que a concessão do porto de Santos teve fim, começou a vender algumas de suas coisas manter o estilo de vida que tinha, como o Rolls Royce, sua coleção de trenzinhos e seus discos de jazz.

Participou de algumas campanhas publicitárias ao longo de sua vida, mas nada que fizesse que seu estilo de vida voltasse ao exagero antigo. Em 2004, depois de passar uma semana internado depois de um aneurisma no coração, pediu que fosse levado para o seu quarto vitalício no Copacabana Palace — concedido a ele depois da venda do hotel ao grupo inglês Orient Express.

Guinle em seus anos finais / Crédito: Divulgação

 

Lá, ele morreu durante a madrugada depois de uma refeição composta de estrogonofe de frango, milk-shake e sorvete de framboesa. Faleceu como quis, no palácio do luxo do Rio de Janeiro.


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