Matérias » Bizarro

A amnésia de Gigi: o triste caso da série Mistérios sem Solução que foi desvendado

Em 1995, a jovem foi encontrada caminhando por um parque, sem saber o próprio nome. Meses depois, ela já tinha uma identidade, mas ainda não se lembrava de seu passado

Pamela Malva Publicado em 30/09/2020, às 22h38

Gigi durante entrevista para a série Mistérios sem solução, em 1995
Gigi durante entrevista para a série Mistérios sem solução, em 1995 - Divulgação/Youtube

Existem algumas condições psicológicas que simplesmente apagam as memórias das pessoas diagnosticadas. Ainda que seja muito comum, a amnésia, então, pode ser bastante perigosa e, em um estalar de dedos, pode colocar a vida de alguém em risco.

Esse foi o caso de Gigi, que foi encontrada vagando por um parque de Nova Orleans, no dia 18 de fevereiro de 1995. Sem saber o próprio nome, ela ela se apresentou através de um papel que encontrou consigo, onde lia-se "Lista de maquiagem de Gigi".

Além da nota, Gigi também carregava uma carteira vazia, dezenas de maquaigens (como batons e paletas de sombras), quatro pares de tesouras e um conjunto de talheres banhados a ouro. Ainda que estivesse com as mãos cheias, ela não sabia nada sobre si.

Os pertences que Gigi carregava consigo no parque / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Pistas ao vento

Logo que foi encontrada no parque, a mulher sem uma identidade clara foi levada até as autoridades da região. Uma vez em segurança, Gigi passou por diversas sessões de hipnose, por testes neurológicos e inúmeras tomografias e ressonâncias.

Gigi ficou sob os cuidados do Charity Hospital por alguns meses. Durante todo o período, após diversas terapias intensivas, a mulher apenas se lembrou de que "gosta de heavy metal" e que odiava Coca-Cola; nada mais.

Foi então que a produção da série documental Mistérios sem Solução, na versão antiga do programa, ficou sabendo sobre o caso de Gigi. A fim de descobrir a verdadeira identidade da mulher, o caso da jovem com amnésia foi transmitido para os quatro cantos dos Estados Unidos.

Gigi durante entrevista para a série Mistérios sem solução, em 1995 / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Mistério solucionado

Poucos dias depois da aparição de Gigi na televisão, a Associated Press foi ao encontro da mulher. Em um artigo publicado pela agência, a jovem parecia desolada. "Estou me sentindo sozinha. Sem apoio, sem família, sem amigos", disse.

Por sorte, o caso fez tanto sucesso que o nome de Gigi espalhou-se pelo país com facilidade e diversas pessoas reconheceram a mulher. Foi assim que uma ex-colega da jovem disse que seu nome, na verdade, era Belinda Lynn.

Diagnosticada com esquizofrenia desde que tinha 18 anos, a mulher havia desaparecido em fevereiro daquele ano. Quando foi encontrada no parque, Belinda tinha 31 anos e trabalhava como secretária médica em Wilmington, Delaware.

Gigi caminhando em clínica psiquiátrica / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Uma mulher abandonada

Foram um total de dois meses no Charity Hospital e mais quatro meses de internação na clínica psiquiátrica do Southeast Louisiana Hospital até que Gigi descobrisse a verdade sobre si mesma. Mas aquele estava longe de ser o fim de sua história.

Filha de um ministro presbiteriano, ela não conseguiu voltar para casa, nem mesmo quando foi identificada pelas autoridades. Isso porque os pais da mulher, Stanley e Carolyn Lynn, sequer pareciam se interessar pela volta da filha desaparecida.

Em entrevista ao Times-Picayune, o pai de Belinda foi categórico: “Não vou gastar dinheiro para ir [a Nova Orleans] se ela não se lembrar de nós. Ela é maior de idade e não sei se quero trazê-la para casa quando há tantos problemas emocionais”.

Gigi durante entrevista para a série Mistérios sem solução, em 1995 / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Identidade assumida

Mais tarde, descobriu-se que, mesmo tendo percebido o desaparecimento de Belinda em fevereiro de 1995, os Lynn decidiram não notificar as autoridades. Morando em Edinboro, Pensilvânia, eles deixaram claro que não queriam a filha de volta.

Em agosto do mesmo ano, mesmo que soubesse seu nome, idade e ocupação, Belinda ainda não se lembrava de nada sobre sua antiga vida. Assim, ela nunca conseguiu retomar a rotina que deixou para trás quando foi até o parque em Nova Orleans.

Para os especialistas, a amnésia da jovem continuava um mistério, já que a esquizofrenia não explicava o quadro. Nesse sentido, eles acreditavam que ela teria passado por algo tão terrível e traumático que sua memória simplesmente decidiu se desligar.

O destino da jovem, portanto, passou a ser absolutamente incerto. Quando lhe perguntaram se ela queria ser chamada de Belinda, no entanto, a mulher não teve dúvidas. “De jeito nenhum”, respondeu. “Meu nome é Gigi”.


+Saiba mais sobre a medicina em grandes obras disponíveis na Amazon:

30 Histórias Insólitas Que Fizeram a Medicina, de Jean-Noël Fabiani (2019) - https://amzn.to/33fpduN

A fabulosa história do hospital: Da Idade Média aos dias de hoje, de Jean-Noël Fabiani (2019) - https://amzn.to/2QIKVFe

Arterias sanas gracias a una dieta equilibrada sin colesterol, de Jean-Noël Fabiani (2009) - https://amzn.to/2QINNla

L'Incroyable Histoire de la médecine (Edição Francês), Jean-Noël Fabiani (2018) - https://amzn.to/2D6CF9I

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W