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Amor comunista: O polêmico romance entre Frida Kahlo e Trótski

A pintora mexicana e o marxista da Revolução Russa aproximaram-se por meio de discussões políticas e pela ideologia comunista

Isabela Barreiros Publicado em 27/10/2019, às 10h00

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Getty Images

Trótski foi uma das figuras mais importantes para a Revolução Russa de 1917. Intelectual marxista e revolucionário bolchevique, Leon Trótski tornou-se um perseguido político depois de discordar de Stalin quanto aos rumos do regime socialista da União Soviética.

Fugindo da perseguição stalinista, — e também da fascista —, o soviético e sua companheira Natalia Sedova foram asilados no México. O presidente Lázaro Cárdenas havia convidado o político para permanecer no país o tempo que precisasse, visto que ele tinha se tornado jurado de morte de seu rival Stalin.

Os dois foram, então, abrigados pelos artistas Diego Rivera e Frida Kahlo na famosa Casa Azul, onde Frida havia morado toda sua infância. O local foi preenchido por inúmeros guardas, que ficaram responsáveis por proteger Trótski de qualquer ameaça.

Frida já era filiada ao Partido Comunista Mexicano há quase uma década. Ela também se declarava comunista tanto por via do ativismo quanto pelas representações em suas obras de arte. O quadro “O marxismo dará saúde aos doentes”, pintado em 1954, retrata a confiança do povo no comunismo. No retrato, ela é vista andando sem muletas, apoiada por sua própria ideologia.

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O marxismo dará saúde aos doentes, Frida Kahlo (1954) / Crédito: Google Arts & Culture

Foi a pintora mexicana quem recebeu Trótski e sua esposa no porto de Tampico, na costa leste do México, no dia 9 de janeiro de 1937. Doente, o marido de Frida, o também pintor Diego Rivera não conseguiu acompanhá-la no primeiro encontro com o revolucionário soviético.

Desde o começo, os dois já se sentiam atraídos um pelo outro. O intelectual marxista ficou fascinado pela inteligência da artista e sua ideologia comunista; e a mexicana, mesmo primeiramente querendo “vingar-se” das traições de Rivera, apaixonou-se pelo comunista, o qual ainda homenageou em “Retrato de Trótski”, de 1937.

As discussões políticas acaloradas a respeito do futuro do mundo fizeram com que os dois se aproximassem cada vez mais. Em um período conturbado e decisivo para a História, os amantes viveram um avassalador romance, que temia e ansiava pelos novos horizontes da política mundial.

“Frida dirá que esses momentos foram os mais felizes de sua vida e aqueles em que ela pintou mais quadros, e os mais importantes. Leon [que não abandonou Natalia] sustentará que esse amor foi o último grande amor de sua vida e o mais intenso”, comenta Gérard de Cortanze, autor de Frida e Trótski — a História de uma Paixão Secreta, livro que investiga e romanceia a relação dos dois comunistas.

Segundo o autor, “a imprensa da época, testemunhos, os diários íntimos, as memórias, tudo é útil para contar essa história”. Um recurso importante usado pelo tradutor francês foram as cartas trocadas entre eles.

Crédito: Divulgação

 

Frida chamava Trótski de "meu Piochitas", que pode ser traduzido como “meu pequeno cavanhaque”. Os amantes comunicavam-se via bilhetes escondidos em livros que emprestavam um ao outro, visto que os dois eram casados e ainda tinham que fugir de olhares suspeitos dos guardas da casa.

Nessa época, Frida estava com seus quase 30 anos enquanto Trótski estava quase chegando nos 60. O romance foi rápido: durou apenas seis meses, mas fez impacto em ambas as vidas. O soviético ainda acabaria assassinado na Cidade do México, morto a golpes de picareta por um homem pago por Stalin, em 1940.


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Frida e Trótski: A história de uma paixão secreta, Gérard de Cortanze (2018) - https://amzn.to/2MNkwDS

In the Casa Azul: A Novel of Revolution and Betrayal (English Edition), Meaghan Delahunt (2013) - https://amzn.to/2Phtpa6

Trotski: Uma biografia, Robert Service (2017) - https://amzn.to/2NhgXot

Frida: A biografia - Capa dura, Hayden Herrera (2010) - https://amzn.to/2pWoEYQ

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