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Amor próprio ou narcisismo: O que é sologamia?

Prática curiosa de casamento vem ganhando a atenção das pessoas nas últimas décadas; entenda do que se trata

Alana Sousa Publicado em 10/02/2021, às 13h00

Imagem meramente ilustrativa de um casamento
Imagem meramente ilustrativa de um casamento - Divulgação/Pixabay

Decorações luxuosas, bolo de vários andares, convidados ansiosos, aliança de ouro e um dia especial. O casamento pode ser — entre muitas coisas — a celebração mais importante da vida de uma pessoa. Nos últimos anos, entretanto, há um detalhe inédito: ao invés de se casar com o ‘amor de sua vida’, muitos solteiros estão optando por casar consigo mesmos.

Entre desilusões amorosas ou, até mesmo, a descrença no matrimônio, a prática de sologamia vem ganhando cada vez mais espaço em distintos lugares do mundo. Muito mais que apenas casar com si próprio, quem escolhe por seguir com o autocasamento está fazendo uma afirmação poderosa.

Bolo de casamento, imagem ilustrativa / Crédito: Divulgação

 

Afinal, o que é a sologamia?

Por definição, a sologamia é um autocasamento: alguém que casa sem precisar de um parceiro. Muitas vezes são mulheres solteiras, apesar de haver casos de homens que decidem reafirmar sua relação solo.

A prática foi introduzida no Brasil por Jussara Couto, uma empresária que, quando tinha 38 anos, decidiu dar uma festa em seu estado, Minas Gerais, para casar consigo mesma. O episódio aconteceu em maio de 2019 e, desde então, vem atraindo mais pessoas para a sologamia.

“Uma cerimônia de autocasamento pode ser qualquer coisa, desde um simples ritual no quarto de alguém até uma celebração mais luxuosa”, explicou Daniele Cerqueira, da organização Eu Comigo, em entrevista ao Estadão, no mesmo ano.

Apesar de ser vista como uma reafirmação exclusivamente de amor próprio, as celebrações de sologamia podem ir muito além, dependendo de cada pessoa. "80% das pessoas que eu casei consigo mesmas se emocionam lendo os seus votos. Elas normalmente dizem coisas como: 'Eu me perdôo' e 'Eu nunca mais vou me chamar de feia'”, afirmou Gabrielle Penabaz, em conversa com a BBC, em 2017.

Noiva em um casamento / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

A artista foi uma das pioneiras da sologamia no mundo. No ano 2000, em Nova York, Penabaz tentava se recuperar de um relacionamento fracassado, para isso organizou uma festa semelhante a um casamento comum, mas estava selando compromisso com ela própria.

Descrevendo como “o melhor casamento”, tempos depois a americana fundou uma instituição e já realizou mais de 1.500 cerimônias. Ainda que não seja possível oficializar perante a justiça o autocasamento, as festas continuam a ocorrer, cada vez mais atingindo novas pessoas e lugares.

Amor próprio ou narcisismo?

“Conheço pessoas que deixaram relacionamentos abusivos e se dedicaram mais ao trabalho ou conheceram seus amores após terem se casado consigo mesmas”, contou Dominique Youkhehpaz, proprietária da empresa Self Marriage Ceremonies, à BBC.

Embora grande parte dos sologâmicos afirme que tudo se trata de se aceitar e, finalmente, reconhecer-se merecedor de amor. Há quem veja a sologamia como uma forma de reafirmar tendências narcisistas.

Homem segurando um buquê de casamento / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Como explicou a psicóloga Karen Nimmo, da Nova Zelândia, para o G1: “É importante se certificar de que seus outros relacionamentos são saudáveis. Se você depende muito de você mesmo e constantemente coloca suas necessidades à frente das de qualquer pessoa, você pode estar escorregando para um território narcisista - e essa é uma posição solitária e pouco saudável para se estar”.

Os comentários na publicação de Jussara Couto também se dividiram entre apoiadores e críticos. “Isso é para tirar dinheiro de gente narcisista, que deseja mandar recado para um ex-companheiro nas redes sociais e ostentar, ser o centro das atenções. Isso está longe de ser autoestima”, disse um dos internautas revoltados com a ostentação da mineira.

A sologamia ainda pode ser vista com aversão, ainda mais com a duradoura propagação dos casamentos perfeitos, reproduzidos em tantos filmes de Hollywood. Afinal, será que o autocasamento precisa ser levado tão a sério? Como indagou a fundadora da consultoria Marry Yourself Vancouver, Alexandra Gill: “Os casamentos tradicionais não são todos narcisistas também?”.


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