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Andor Stern, único sobrevivente brasileiro do Holocausto, reflete sobre discurso com referências nazistas de Roberto Alvim

Conversamos com Stern, ex-prisioneiro de Auschwitz, a respeito do episódio em que Alvim parafraseou fala de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista

Redação Publicado em 18/01/2020, às 12h51

Andor Stern, o único sobrevivente brasileiro do Holocausto
Andor Stern, o único sobrevivente brasileiro do Holocausto - Gustavo Amorim

Depois do vídeo divulgado nas redes sociais da Secretaria de Cultura nacional, o secretário Roberto Alvim foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, por parafrasear um discurso do Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista, Joseph Goebbels. A fala foi considerada “insustentável” pelo presidente brasileiro.

Após o acontecimento, conversamos com Andor Stern, o único sobrevivente brasileiro do holocausto, para saber como ele se sentiu com o discurso do Secretário da Cultura. Em uma rápida entrevista, Stern, que perdeu quase toda a família durante o Holocausto, explicou seu ponto de vista.

A AH perguntou como ele se sentiu a partir do episódio, depois de tudo pelo que passou nos anos da Segunda Guerra Mundial. “Eu não consigo me sentir ameaçado, ou com medo. Eles não sabem o que estão falando”, respondeu Andor.

“Na realidade, um governo que chega a dizer que o nazismo é de esquerda... é de levantar da mesa e ir embora. Não dá nem para conversar”, o senhor de 91 anos brinca. Em seguida, perguntamos se ele não acha grave que um secretário nacional parafraseie um nazista ao incentivar um programa de artes.

“Eu acho que esse secretário é tão desinformado, que ele não sabia do que estava falando. Ele escreveu aquilo, mas, como não entende o sentido, teve coragem de falar”, respondeu. Para Andor, que foi capturado na Hungria e, por muito tempo, não soube qual foi o destino de sua mãe — quem ele viu pela última vez em 1942 —, o secretário foi ingênuo.

“Agora, se ele não for inocente e se esse ponto de vista realmente for uma tendência, eu quero me mudar do país”, afirma Andor. 

Por fim, questionamos Andor sobre a influência de um ponto de vista radical no país. Com certeza na voz, o senhor respondeu que “o Brasil é um país tão bagunçado, que nenhuma ideia radical sobrevive aqui”. “Eu não tenho medo, não. Eles (os políticos) são tão desinformados, que eu não acredito que consigam fazer (acontecer) alguma coisa parecida com a ditadura, por exemplo”.


Confira as notórias semelhanças entre o discurso de Alvim e Goebbels.

 “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo — ou então não será nada”, afirmou Alvim em um vídeo fúnebre.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”, trecho do discurso do ministro de Hitler presente em Joseph Goebbels: Uma Biografia, do escritor Peter Longerich.


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