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Andrei Romanovich Chikatilo: o psicopata do Partido Comunista na antiga União Soviética

Acusado de mais de 50 assassinatos, a maioria das vítimas do Açougueiro de Rostov tinham os olhos perfurados e pedaços arrancados por mordidas

Fabio Previdelli Publicado em 16/11/2019, às 09h00

Na imagem, Andrei Romanovich Chikatilo o sanguinário da União Soviética
Na imagem, Andrei Romanovich Chikatilo o sanguinário da União Soviética - Domínio Público

Durante os anos de 1930, a Ucrânia era um dos maiores celeiros da União Soviética. A entrada da URSS na Segunda Guerra somada as política agrárias adotadas por Stalin, fizeram com que grande parte da população passasse por um período de grande pobreza. A fome e a miséria dizimaram milhares de pessoas no país – inclusive, muitas delas recorreram ao canibalismo para sobreviver.

Foi nesse cenário caótico que em 1936, nasceu Andrei Romanovich Chikatilo, na vila de Yabluchnoye. A escassez e a violência marcaram sua infância. Sua mãe lhe contava constantes histórias sobre seu irmão mais velho que havia sido sequestrado e comido por vizinhos. As dificuldades da família de Chikatilo eram tão grandes, que ele só comeu pão pela primeira vez aos 12 anos de idade.

Além das extremas dificuldades, muitos acreditam que Andrei tenha sofrido de hidrocefalia (água no cérebro) quando nasceu. O que lhe acarretou diversos problemas genitais e do trato urinário, o que explicaria sua impotência sexual. Sua disfunção erétil resultou em bullying por parte de seus amigos. O trauma fez com que o jovem tivesse frustrantes tentativas sexuais com garotas. Diante do fracasso, ele acabou se dedicando aos estudos e a leitura.

Andrei Chikatilo e seus pais / Crédito: Dominio Público


Chikatilo se tornou um homem muito culto para o seu tempo, o que o aproximou do Partido Comunista. Aos 34 anos virou professor do ensino médio. Porém, suas seguidas acusações de assédio infantil o fizeram mudar constantemente de escola, até finalmente se instalar na instituição de Shakhty. A cidade se tornaria ponto de partida para seus crimes em série.

A primeira de suas vítimas foi uma garota de 9 anos, que ele capturou em um ponto de ônibus local. O corpo da jovem foi mutilado e seus restos mortais abandonados numa floresta.

Trabalhando para o governo, suas viagens passaram a ser constantes, o que alavancou a possibilidade de vitimar mais pessoas. Seus alvos preferidos eram crianças e prostitutas, e o roteiro de assassinato era o mesmo, encontrava suas vítimas em pontos de ônibus e as mutilava em uma floresta abandonada. O caso de canibalismo em sua família parece o ter motivado, a maioria dos corpos tinham os olhos perfurados e pedaços arrancados por mordidas.

Apesar das diversas semelhanças entre os crimes, o Partido Comunista negava veementemente a possibilidade de que um assassino em série existisse em seu Estado. Em dois anos, a polícia achou 23 corpos e à medida que a contagem de corpos aumentava, os sovietes deram o braço a torcer - sem antes levantarem rumores de planos conspiratórios estrangeiros ou até mesmo de ataques de lobisomens.

Em 1983, Mikhail Fetisov, detetive de Moscou, assumiu o controle das investigações. Em uma operação para capturar o criminoso, a polícia espalhou agentes disfarçados em estações de trem. Em uma delas, encontraram o homem saindo da floresta com marcas de sangue em seu rosto e com cortes de faca na mão. Ele foi fichado e liberado por falta de provas, mas dias depois a polícia encontrou um corpo na mata e finalmente encarcerou o assassino.

Andrei Romanovich Chikatilo foi preso em 20 de novembro de 1990. No início, recusou-se a confessar qualquer assassinato, mas suas conversas com o psiquiatra Bukhanovski, o fizeram relatar os detalhes mais perversos de sua jornada predatória.

Ao fim, confessou ter tirado a vida de 56 pessoas, embora apenas 53 tenham sido encontradas. O número excedia os 36 casos que a policia atribuiu inicialmente ao Açougueiro de Rostov – como passou a ser popularmente conhecido.

Fotos de algumas das vitimas de Chikatilo / Crédito: Domínio Público


Em seu julgamento, se definiu como aborto da natureza e uma besta louca ao qual só lhe restava a pena de morte, o que seria pouco para as atrocidades que cometeu. Em 15 de fevereiro de 1994, Andrei Chikatilo foi levado para uma cela privativa na prisão de Rostov. Um único tiro fatal lhe foi dado atrás da orelha direita.


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