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Neste dia, em 30 a.C, morria Cesarião, o último Faraó do Egito

Renegado por Júlio César, Cesarião caiu em desgraça após o suicídio da mãe, Cleópatra, e fechou o ciclo do Egito Ptolomaico

Giovanna de Matteo Publicado em 23/08/2020, às 00h00

Estátua de Cesarião / exposição de Cleópatra, "Desvende o Mistério", no Instituto Franklin, Filadélfia
Estátua de Cesarião / exposição de Cleópatra, "Desvende o Mistério", no Instituto Franklin, Filadélfia - Wikimedia Commons

Ptolomeu XV Filopador Filometor César, mais conhecido pelo apelido de Cesarião (ou Caesarion, que significa "pequeno César") foi o último faraó do Egito, encerrando a dinastia Ptolomaica, após a morte de sua mãe em 12 de agosto de 30 a.C. Ele foi filho de Cleópatra VII, que afirmava que o menino era fruto da sua relação com Imperador Júlio César.

O general romano, no entanto, nunca reconheceu a paternidade. Apesar disso, ele teria permitido que o menino herdasse o seu nome, e ainda, que passasse os dois primeiros anos de sua vida em suas dependências reais, na vila Horti Cesaris, onde o filho e sua companheira foram hóspedes especiais.

Relevos de Cleópatra e Cesarião no Templo de Dendera / Wikimedia Commons

 

Cleópatra esperava que seu filho acabasse sendo o sucessor de César, alegando que ele seria seu único filho biológico, tendo então o direito de herdar o cargo de chefe da República Romana, bem como já era destinado a ser o do Egito, fato que causou muitas intrigas ao longo de sua vida. 

Após o assassinato de César em 15 de março de 44 a.C, Cleópatra e Cesarião voltaram para o Egito. O menino, com apenas três anos de idade foi nomeado co-governante por sua mãe em 2 de setembro de 44 a.C. Cleópatra se orgulhava tanto de seu filho, que comparava seu relacionamento com Cesarião com o da deusa egípcia Ísis (considerada a "Grande Mãe", sendo comum entre os povos do Egito daquela época a prática de invocar o seu auxílio materno através de oferendas e feitiços) e seu filho divino Hórus.

À esquerda, Cleópatra vestida de faraó e apresentando oferendas à deusa Ísis, em estela de pedra calcária datada de 51 a.C., localizada no Louvre, Paris; À direita, estátua do deus falcão Hórus atrás de uma representação menor de Caesarion no Templo de Edfu, Egito / Wikimedia Commons

 

Após alguns anos, Cleópatra e Marco Antônio, seu companheiro após a morte de Júlio César, encenaram "Doações", que teriam o objetivo de doar as terras dominadas por Roma e Pártia para os filhos de Cleópatra: Cesarião, os gêmeos Alexandre Hélios e Cleópatra Selena II e Ptolomeu Filadelfo (os três últimos eram seus meio-irmãos maternos, gerados por Marco Antônio). 

Em 34 a.C,, Antônio concedeu mais terras e títulos orientais a Cesário e seus três filhos com Cleópatra nas "doações de Alexandria". Cesarião foi proclamado neste ano um deus e "Rei dos Reis", além de declarado como verdadeiro filho e herdeiro de César.

Uma estela de calcário do Sumo Sacerdote de Ptah, com as cártulas de Cleópatra e Cesarião; Egito, Período Ptolomaico, Museu Petrie de Arqueologia Egípcia, Londres / Wikimedia Commons

 

Este título espetacular foi visto aos olhos de Otaviano, sobrinho e filho adotivo de Júlio César, como uma estratégia Antoniana para governar o Oriente. Era também uma ameaça ao povo romano e ao seu próprio poder, já que, caso isso fosse aceito, ele poderia perder o seu posto como próximo na linha de herança e sucessão de Júlio César, podendo ser substituído pelo suposto filho biológico do ex-imperador.

Invasão

Essas declarações causaram uma ruptura nas relações de Antônio com Otaviano, que anunciou o início de uma guerra entre Roma e Egito, que resultou numa invasão de Otaviano ao Egito, e à famosa Batalha de Áccio, na qual Roma saiu como vencedora.

Em 31 a.C. Cesarião foi enviado por sua mãe ao porto de Berenice, no mar Vermelho, em direção à Índia, para que fugisse das perseguições de Otaviano. Na época ele já havia atingido a idade de 17 anos, e Cleópatra o preparara para assumir o cargo de "governante único", dessa vez sem sua presença, que estava em exílio com Marco Antônio.

Ele foi em direção à índia por meio da Etiópia, carregando com si muitos tesouros. As fontes históricas parecem descrever que Teodoro, um tutor de Cesarião que o acompanhou na viagem, o convenceu a ir encontrar Otaviano, sob o argumento de que ele teria o convidado para tomar o reino de volta.

Porém, tudo não se passava de uma armadilha. Ao voltar para Alexandria, o suposto filho biológico de Júlio César foi preso e executado, após ordens de seu meio-irmão Otaviano, seguindo o conselho de Ário Dídimo, que disse "Césares demais não é bom" (um trocadilho descrito no livro Homero).

Otaviano, então, assumiu o controle absoluto do Egito. O ano 30 a.C foi considerado o ano oficial de Anexação do Egito à República Romana, e o fim da linhagem de Cleópatra.


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