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Anotações secretas de 485 anos: o livro perdido de Ana Bolena

A rainha consorte da Inglaterra, decapitada em 1536, fazia parte de um grupo secreto de mulheres que repassavam a antiga obra entre gerações

Alana Sousa Publicado em 25/05/2021, às 16h00

Retrato de autor desconhecido de Ana Bolena, rainha consorte da Inglaterra
Retrato de autor desconhecido de Ana Bolena, rainha consorte da Inglaterra - Domínio Público

Acusada de adultério, traição, incesto e bruxaria, Ana Bolena teve um fim cruel nas mãos do marido, o monarcaHenrique VIII. Mãe de Elizabeth I e rainha consorte, a inglesa virou lenda após sua morte brutal.

Decapitada e descartada como lixo, até hoje, tem quem acredite que o cadáver de Bolena continue com o paradeiro incerto. Sabe-se que apenas após cortar a cabeça da soberana, que perceberam que não havia caixão para guardar o corpo, assim, colocaram-na em um saco de flechas.

A segunda esposa de Henrique VIII, da dinastia Tudor, não conseguiu gerar um herdeiro masculino para o trono, instigando a fúria do marido, que a traía constantemente com outras mulheres do reino.

Pintura de Ana Bolena na Torre de Edouard Cibot (1799-1877) / Crédito: Édouard Cibot, via Wikimedia Commons / Domínio Público

 

Extremamente religiosa, Ana tinha livros de oração que foram ordenados para serem destruídos após a sua execução. No entanto, alguns exemplarres com inscrições escondidas foram analisados em maio de 2021 e revelaram detalhes importantes sobre a antiga rainha.

Segredos revelados

Apenas três exemplares dos livros de oração de Bolena sobreviveram ao longo dos séculos, sendo que dois estão em Hever — possível local de seu nascimento — e outro está na Biblioteca Britânica.

Intitulado ‘Livro das Horas’, Kate McCaffrey, ex-administradora do Castelo de Hever, foi autorizada a estudar de perto os documentos históricos. Para a sua surpresa, haviam inscrições que passaram despercebidas por anos.

Analisando as antigas páginas do livro de orações, McCaffrey se deparou com três sobrenomes: Gage, West e Shirley. Os nomes ainda fazem referência a outro, de uma família de Kent, Guildford de Cranbrook. O fato que pode parecer irrelevante, na verdade, revelou algo histórico.

Parte do livro de orações de ana Bolena / Crédito: Castelo e jardins de Hever

 

A pesquisadora contou ao ITV que o livro fora passado entre gerações de mulheres, que assinavam seus nomes e mais tarde entregavam a outra guardiã. As moças eram conectadas por regiões ou linhagens de família, acrescentou McCaffrey.

Em uma das páginas, a frase escrita por Ana Bolena: "lembre-se de mim quando você orar, que a esperança o guiou dia a dia".

“É claro que este livro foi passado entre uma rede de conexões confiáveis, de filha para mãe, de irmã para sobrinha”, disse ela. “Se o livro tivesse caído em outras mãos, quase certamente perguntas teriam sido levantadas sobre a presença da assinatura de Ana”.

Para evitar que algum indesejado tivesse posse do objeto sagrado, “o livro foi passado com cuidado entre um grupo de mulheres”, conta a estudiosa. Além de guardarem anotações de outras mulheres, jovens eram encorajadas também a escrever — algo que agregava valor para elas.

Kate McCaffrey com o livro de orações / Crédito: Castelo e jardins de Hever

 

A especialista teve um trabalho complicado para encontrar os vestígios deixados por Bolena no livro de orações. Para alcançar o resultado necessário, McCaffrey utilizou luz ultravioleta e programas de edição de fotos, que ofereceram um olhar mais minucioso sob as páginas.

“Em um mundo com oportunidades muito limitadas para as mulheres se envolverem com a religião e a literatura, o simples ato de marcar este horário e manter o segredo de sua usuária mais famosa foi uma pequena forma de gerar um senso de comunidade e expressão”, falou Kate.

Acredita-se que o ‘Livro das Horas’ tenha sido levado por Bolena até o local de sua decapitação, permanecendo com ela até seu último suspiro. Depois, o item teria sido salvo e guardado por parentes da rainha consorte, que repassaram para outras mulheres.


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