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Antigo enigma: As caixas intrigantes que foram encontradas no litoral de Pernambuco

Em 2018, caixas intrigaram banhistas em Recife; a origem dos itens foi desvendada no ano passado

Caio Tortamano Publicado em 22/09/2020, às 18h27

Uma das caixas encontradas em Recife
Uma das caixas encontradas em Recife - Divulgação

Em outubro de 2018, caixas, até então misteriosas, intrigaram banhistas nas praias no litoral da região nordeste do Brasil. Na praia de Jaboatão dos Guararapes, em Recife, garis recolheram durante uma limpeza matutina três pacotes sem qualquer tipo de identificação, e que chamaram atenção justamente por essa falta de clareza no que se tratava.

Cada um desses pacotes pesava mais de 100 quilos, e só conseguiram ser retirados da areia com a ajuda de uma retroescavadeira. Quando a história passou a repercutir, um casal, que havia avistado um pacote muito parecido dias antes em uma praia de Paulista, também em Recife, voltou ao local onde tinham encontrado uma das caixas e perceberam que ela continuava à beira do mar.

Ao abrir, embora autoridades locais tivessem recomendado que isso não fosse feito, encontraram uma espécie de borracha. Que foi revelada com “um cheiro forte”, como disse Paula Costa, a mulher que encontrou o item, em depoimento ao G1.

Na época dos episódios, a Marinha brasileira foi acionada e questionada se algo explicaria esses episódios, enquanto a mesma afirmou que não tinha havia sido registrado nenhum acidente náutico que justificasse os pacotes.

Novas descobertas

Quase dois anos depois, em junho e julho de 2020, os mesmos pacotes foram percebidos em praias de Recife. A prefeitura de Itamaracá, uma das cidades que presenciou esses avistamentos, afirmou que se tratava de novos pacotes do mesmo material emborrachado que foi revelado nessas misteriosas caixas em 2018. Dessa vez, porém, foram 14 os pacotes localizados que chegaram até as areias pernambucanas.

Uma das caixas encontradas em Recife / Crédito: Divulgação

 

Muito tempo se passou e, apesar de ser interessante fantasiar sobre os motivos que levaram essas caixas a intrigarem banhistas, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) não perderam tempo e se adiantaram, descobrindo a origem desses invólucros.

Origem nada misteriosa

Não estamos diante de um exemplar do jogo Jumanji. Na verdade, são objetos com origem direta num navio alemão, que naufragou no litoral do Brasil em 1944, plena Segunda Guerra Mundial. O Instituto de Ciências do Mar da universidade pesquisava a descoberta repentina de manchas de óleo no litoral do Ceará em 2019, quando se depararam com os itens.

Como dito anteriormente, as caixas nada mais são do que carregamentos de fardos de borracha, com funções ainda desconhecidas. Em uma das mais de 200 caixas encontradas por toda a costa do nordeste, uma delas apresentou uma placa metálica com inscrições em alemão, a principal dica que levou pesquisadores até essa hipótese.

O Professor da UFC, Ernesto Bezerra, foi um dos responsáveis por rastrear no tempo de onde poderia ter saído esse carregamento massivo de borracha. Em entrevista ao G1, Bezerra afirmou que uma delas “tinha uma inscrição pertencente à Indonésia Francesa, que ficou independente em 1953, ou seja, é muito antiga. Então começamos a pesquisas e encontramos confirmações desse naufrágio". E encontraram.

Esse carregamento fazia parte do navio SS Rio Grande — com o nome em português, os nazistas esperavam atravessar o Atlântico sem que fossem interceptados pelos inimigos americanos, franceses e ingleses, mas não deu certo. Em 1944, o Rio Grande foi afundado depois que tropas da Força Aérea dos Estados Unidos localizaram a embarcação.

USS Jouett, uma das embarcações que afundou o SS Rio Grande / Crédito: Comando de História e Herança Naval dos EUA

 

Esse naufrágio, porém, já era conhecido. Em 1996, a cerca de mil quilômetros do litoral brasileiro, pesquisadores encontraram os restos do navio abatido, investigando a sua história. Por mais que tenha sucumbido há muito tempo, foi recentemente que o navio corroeu a ponto das cargas, mais especificamente das malas com borracha, se soltarem do barco, e trilharem seu caminho pelo oceano, até chegarem aqui no Brasil.

A Polícia Federal, quando identificou o conteúdo dessas caixas, afirmou que ele não oferecia risco nenhum à população, mas que deveriam ser utilizados para reciclagem. O Ibama, inclusive, recomenda que a borracha seja enviada para centros de tratamento de resíduos, uma vez que são nocivas a população de tartarugas e tubarões da região.


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