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Antónia de Bragança, a curiosa saga da neta não tão conhecida de Dom Pedro I

A herdeira ficou conhecida por casar cedo e abandonar o país que a admirou — mas nunca deixou de lado o amor pelas origens portuguesas

Wallacy Ferrari Publicado em 15/07/2020, às 10h22

Retrato fotográfico de Antónia de Bragança
Retrato fotográfico de Antónia de Bragança - Wikimedia Commons

Nascida Antónia Maria Fernanda Micaela Gabriela Rafaela de Assis Gonzaga Silvéria Júlia Augusta de Bragança e Bourbon Saxe-Coburgo-Gota, o nome gigante da jovem Antónia já era um sinal de que a portuguesa fazia parte da família real do país.

Era filha de D. Maria II com o segundo marido, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, sendo a sexta criança do casal. A influência da mãe, nacionalmente apelidada como “a educadora”, reverberou na educação da jovem Antónia, que até os nove anos de idade teve o amparo materno. A parceria acabou sendo interrompida em 1853, quando Maria faleceu durante o parto de um filho, aos 34 anos.

A ausência da mãe não fez a jovem se rebelar, mas serviu como impulso para continuar replicando a educação e bons modos ensinados. Em um registro durante a infância, Antónia é relatada como uma menina comportada, dona de uma roseira “muito bonita” e que chegou a extrair um dente sem gritar. Quando estava entrando na adolescência, já era cotada como uma das pessoas mais bem-intencionadas para o futuro trono real.

Retratos fotográficos de Antónia durante a infância, em Portugal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mudança de vida

No casamento do irmão Dom Pedro V, conheceu Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, um nobre suábio alemão, com quem passou a se reencontrar ao longo de dois anos. Mesmo favorecida pela família portuguesa, a jovem prefere largar todos os privilégios reais e casar-se em Sigmaringen, mas não sem antes se despedir do país-natal.

Em um casamento que teve cinco meses de preparação, o valor da cerimônia custava o equivalente a 30 anos da mesada que a infanta recebia e cerca de um ano e meio da dotação que as cunhadas — rainhas de Portugal — receberiam. Mesmo assim, o contrato nupcial foi aceito pela corte e uma grande festa, que iniciou no Palácio das Necessidades e reverberou em diversos eventos públicos por Lisboa, foi realizada em 12 de setembro de 1861.

Seis dias depois, deixou o país em direção à nova pátria, por onde ficaria durante boa parte de sua vida. De lá, recebeu a notícia da morte de seus irmãos e do pai, mas também não se abalou como consorte, dando à luz a três filhos, sendo Guilherme, em 1864, Fernando no ano seguinte e Carlos António, em 1868. Os filhos dos herdeiros tornaram Antónia avó de 13 netos, garantindo a sucessão da família quando o esposo falecesse.

Retrato fotográfico de Antónia já adulta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Falecimento do marido

Leopoldo faleceria em 1905, o que fez Antónia cogitar o retorno para Portugal. Nunca fez questão de esconder a saudade da pátria onde nasceu, chegando a relatar através de uma carta: "Espero que os portugueses ainda pensem um pouco em mim de quem eu tenho tantas e tantas saudades”. Para manter as origens ligadas, a consorte mantinha uma fiel ligação com os irmãos, de maneira que pudesse ajudar sempre que possível em algum problema diplomático.

O único incômodo em terras alemãs foi justamente a frieza da população, que, de acordo com Antónia, “nunca tem a mesma caridade do que o coração dos meus bons e queridos portugueses”. Mesmo assim, não abandonou a pátria que a acolheu junto ao marido, acreditando que a mesma depositou confiança o suficiente para recebê-la.

Faleceu oito anos após o Leopoldo, em 27 de dezembro de 1913, com 68 anos de idade. Sua educação e beleza foram enaltecidas entre as honrarias depositadas durante o sepultamento da Igreja de Hedinger, sendo uma delas partindo de Maria de Edimburgo: “Antónia foi uma das grandes belezas do seu tempo, uma daquelas clássicas, fora de moda, que associamos à crinolina”.


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