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Matérias / Jody Plauché

Aos 11 anos, Jody Plauché viu seu pai matar seu estuprador ao vivo pela TV

Apesar da morte de seu algoz, Jody Plauché passou a viver outro drama

Fabio Previdelli Publicado em 26/06/2022, às 00h00 - Atualizado em 11/09/2022, às 17h00

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O momento da morte - Divulgação/Vídeo
O momento da morte - Divulgação/Vídeo

Nascido em 27 de abril de 1972, Jody Plauché viveu toda sua infância na cidade norte-americana de Baton Rouge, capital do estado da Louisiana. Além de Jody, seus pais, Gary e June, tiveram outros três filhos. 

Pouco antes de Plauché completar 11 anos, ele foi matriculado junto de seus irmãos em aulas de Hapkido, dirigidas pelo ex-fuzileiro naval Jeff Doucet. De início, conforme relata o The Washington Post, a decisão parecia ter sido a mais perfeita possível: Jody logo ganhou um troféu na importante competição de Fort Worth Pro-Am.

Ele é nosso melhor amigo”, chegou a relatar Plauché sobre Doucet à um jornal da época. 

Mas o perigo mora justamente onde menos se espera. O ex-fuzileiro aproveitou da confiança do jovem para começar a 'testar seus limites'. Um dia, ele se ofereceu para ensiná-lo a dirigir. Quando colocou Jody em cima de seus joelhos, logo pôs suas mãos no colo do jovem. 

Divulgação/ Arquivo Pessoal

“Estou pensando: 'O que está acontecendo aqui? Talvez seja um acidente?'”, relata Plauché em seu livro 'Why, Gary, Why?: The Jody Plauché Story', publicado em 2019. “Então eu não disse nada. Mas agora eu sei que ele estava testando os limites. Todos eles testam nossos limites.”

Em pouco tempo, porém, os ‘testes’ de Doucet se transformaram em abuso sexual. Jody, entretanto, se calou. “Acho que uma das coisas que as pessoas realmente não entendem é por que eu não contei…”

“Primeiro: eu tinha 10 anos. Segundo: o que estava acontecendo, eu sabia que iria chatear meus pais. Em terceiro: na época, eu não queria que ele tivesse problemas. Era mais fácil para mim ficar quieto e calar a boca do que chatear todo mundo”, aponta. 

Como se a situação já não fosse cruel o suficiente com o jovem, elas se tornaram piores ainda em fevereiro de 1984. Conforme relata o The Washington Post, Jeff perguntou a Jody se ele queria ir para a Califórnia. Sem entender direito, ele disse que sim. Iniciava-se ali um plano de sequestro. 

Longe de casa

Então, no dia 19, Jeff Doucet apareceu na casa dos Plauchés e disse que para a mãe de Jody, June, que queria mostrar ao garoto o novo tatame comprado e que os dois estariam de volta em cerca de 15 minutos. Sem motivos para desconfianças, ela consentiu. 

Em vez disso, porém, ele embarcou com o jovem em um ônibus com destino a Los Angeles. Para despistar, Doucet raspou sua barba e pintou o cabelo loiro de Plauché de preto. Em seguida, os dois foram até um motel, onde os estupros começaram. “Deixei muitas coisas de fora [do livro]”, conta Jody

“Minha mãe disse: 'Por que você não coloca mais detalhes lá?'. Eu tenho que traçar uma linha tênue entre acionar um gatilho que uma vítima pode ter lendo o livro, e ter que largá-lo, e a de um pedófilo lendo-o como se fosse um Penthouse Forum: 'Oh, isso é ótimo’”, aponta. 

Eu não precisava entrar em detalhes explícitos ou as coisas mais grosseiras e desagradáveis. É o suficiente para você entender o ponto”, explica. 

Fim de uma angústia, o início de outra

O sequestro de Jody durou longos 10 dias, o que fez seus pais ficarem cada vez mais desesperados para encontrá-lo. Mas Doucet cometeu um deslize: ele permitiu que Plauché ligasse para sua família da casa onde eles estavam, em Anaheim, na Califórnia. Através disso, a polícia conseguiu rastrear a ligação — o que trouxe Jody de volta. 

“Não sabíamos o que fazer”, disse o pai de Jody Plauché, Gary, às notícias locais após o retorno de seu filho, segundo relata o All That Interesting. “Você apenas se sente impotente.”

Jody ao lado de seu pai e sendo abraçado por sua mãe/ Crédito: Divulgação/Video/WBRZ

Com as notícias repercutidas pelos noticiários, que mais tarde ainda confirmaram que Jody foi abusado sexualmente, ele ficou determinado a se vingar do ex-fuzileiro. 

Em 16 de março de 1954, enquanto estava tomando um drink em um bar chamado The Cotton Club, segundo aponta o The Washington Post, Gary ouviu a notícia de que Jeff Doucet chegaria a Baton Rouge naquela mesma noite. Seu voo estava marcado para desembarcar às 21h08. Gary já sabia onde e quando encontrá-lo. 

Meu pai foi ao aeroporto imaginando que ia morrer”, disse Jody Plauché mais tarde à ESPN. “Ele disse que ou Jeff ou ele ia morrer naquela noite.”

Gary esperava o desembarque perto de uma fila de telefones públicos com um revólver. 38 escondido em sua bota. Quando o avião pousou, ele ligou para um amigo e contou seu plano: “Aqui vem ele”, disse Gary. “Você está prestes a ouvir um tiro”. 

Instantes depois, as câmeras de segurança registraram o pai de Jody saltando das cabines telefônicas em direção a Doucet — que foi atingido na cabeça com um tiro. Todo o ato foi registrado por uma equipe de reportagem da WBRZ News, que estava ao vivo no local. 

"Por que, Gary, por que você fez isso?", gritou o vice xerife Mike Barnett que agarrou Gary e o prendeu contra a parede. “Se alguém fizesse isso com seu filho, você também faria!”, retrucou ele, chorando. 

Garry pouco antes de atirar em Jeff/Crédito: Divulgação/Video/WBRZ

Jeff Doucet morreu no dia seguinte, mas o drama de Jody passou longe de ter um fim naquele dia. “Eu não o queria morto”, disse Jody Plauché à ESPN, três décadas depois. “Eu só queria que ele parasse.”

O perdão ao pai

Após a morte de Doucet, Jody iniciou uma nova luta, agora para perdoar seu pai. “Depois que o tiroteio aconteceu, fiquei muito chateado com o que meu pai fez… Eu não queria que Jeff fosse morto. Eu sabia que ele iria para a cadeia, e isso foi o suficiente para mim”.

Posteriormente, o juiz de Baton Rouge determinou que Gary não era uma ameaça para a comunidade e sua sentença de sete anos de prisão foi convertida em cinco de liberdade condicional e 300 horas de serviço comunitário. 

Eventualmente, Jody Plauché veio a perdoar seu pai, que faleceu em 2014. “Consegui trabalhar com isso e, eventualmente, aceitar meu pai de volta à minha vida, e meio que voltamos ao normal”.

Não é certo tirar a vida de alguém, mas quando alguém é uma pessoa tão ruim, isso não incomoda muito a longo prazo”, encerrou.

Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), nos cinco primeiros meses de 2022, 4.486 denúncias de violação de direitos humanos foram registradas contra crianças e adolescentes, sendo 18,6% delas ligadas a situações de violência sexual. 

Em 2021, a pasta registrou 18.681 casos, sendo que, em quase 60% dos registros, a vítima tinha entre 10 e 17 anos. Cerca de 74% da violência foi feito contra meninas.  Para denunciar casos de violação de direitos humanos Disque 100. Para mais informações, clique aqui!