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No século 19, um médico cubano descobriu que insetos podiam causar doenças

Antes dos estudos de Carlos Juan Finlay, as enfermidades trazidas pelos vetores eram atribuídas até mesmo à ira dos deuses

Redação Publicado em 21/11/2021, às 08h00

Montagem com representações de diferentes insetos
Montagem com representações de diferentes insetos - Aventuras na História

Os insetos habitam o planeta Terra há 300 milhões de anos. O Homo sapiens surgiu há 300 mil anos e, desde então, a convivência não tem sido nada amigável. Na Grécia antiga, os médicos observavam que pessoas que travavam contato com mosquitos, moscas, abelhas ou vespas padeciam de dores, febre e indisposição.

Como não havia microscópio ou exames naquela época, então, atribuía-se o mal-estar às condições climáticas ou ao capricho dos deuses. Foi apenas no século 19 que se comprovou que os insetos podiam causar doenças.

Em 1879, Cuba passava por um surto de febre amarela. Uma comissão integrada por médicos americanos e cubanos colheu amostras de sangue dos doentes, mas, devido à precariedade dos instrumentos, não conseguiu detectar a presença de vírus.

O médico cubano Carlos Juan Finlay deduziu que, para invadir o sangue humano, o microorganismo teria de ter sido trazido por algum agente hematófago — até então ninguém imaginava que, ao sugar a vítima, os insetos deixavam detritos.

Finlay seguiu adiante com sua “Teoria do Mosquito” e, em 1881, demonstrou que o causador da febre amarela era o Aedes aegypti. Ele recomendou o combate ao mosquito e o isolamento dos enfermos para evitar novas infecções. Seguindo as sugestões do médico, Cuba viu-se livre da doença em apenas sete meses.

Uma vacina efetiva contra a febre amarela, contudo, só seria desenvolvida nos anos 1930, pelo médico sul-africano Max Theiler. O Aedes aegypti é famoso no Brasil graças às campanhas de saúde pública — ele também transmite dengue.

Surgida no norte da África, a espécie teria chegado aqui no século 17, em navios vindos das Antilhas, e provocado a primeira epidemia de febre amarela em 1685, em Pernambuco. De acordo com a OMS, a cada ano a dengue infecta cerca de 50 milhões de pessoas em mais de 100 países. Já a febre amarela atinge 200 mil pessoas por ano.