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Apetite insólito: conheça a curiosa Síndrome de Pica

Com exclusividade à AH, Fabiano de Abreu explica o distúrbio alimentar que leva pessoas a comerem tijolos, barro e terra

Pamela Malva Publicado em 14/02/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay

Entre os muitos hormônios presentes no organismo do ser humano, a serotonina é responsável por uma enorme gama de sensações. É ela, por exemplo, quem regula o humor, o sono, a temperatura corporal e até as funções cognitivas.

Quando um indivíduo apresenta falta de serotonina, então, ele pode passar a sofrer de diversos distúrbios. Os baixos níveis desse hormônio, por exemplo, aumentam compulsões alimentares como a chamada Síndrome de Pica.

Com exclusividade ao site Aventuras na História, o Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l'Homme de Paris, Fabiano de Abreu Rodrigues explicou as causas do distúrbio alimentar que é tão pouco discutido.

 

Quadro desconhecido

Neuropsicólogo e psicanalista, Fabiano explica que a palavra “pica”, que denomina a curiosa síndrome, é derivada do nome de um pássaro em latim. “Conhecido por ‘pega’, é uma espécie de ave que se alimenta do que quer que encontre”, conta o especialista.

Diante do comportamento desse pássaro, então, que o distúrbio alimentar recebeu o nome pouco usual. De acordo com Fabiano, então, a Síndrome de Pica é “caracterizada por um padrão de apetite e desejo por substâncias não-nutritivas”.

Sendo assim, é diagnosticado com Síndrome de Pica aquele paciente que tiver um “apetite por substâncias que não são adequadas, tais como tijolos, barro, terra, gelo, entre outras”. Suas causas, no entanto, são um pouco mais difíceis de identificar

Imagem meramente ilustrativa de tijolos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Origens de um distúrbio

Em seu estudo “Alotriofagia ou Síndrome de Pica”, Fabiano explica que a “Pica tem sido considerada um sintoma de anemia desde a época de Hipócrates”. Ainda não se sabe, todavia, se a “deficiência de ferro (comum da anemia) é uma causa ou um efeito da Pica”.

Ainda assim, o especialista pontua que a síndrome é “observada mais frequentemente durante o 2º e 3º anos de vida”. Nesse sentido, “a Pica ocorre em 25% a 33% das crianças pequenas e em 20% das crianças atendidas em clínicas de saúde mental”.

Segundo Lillian N. Stiegler, em estudo de 2005, “a exploração de objetos através da boca e da degustação faz parte do desenvolvimento normal”. Dessa forma, a “Pica só é suspeita quando os objetos não alimentares são consumidos repetidamente ao longo de um mês ou mais, apesar dos esforços para reduzir o comportamento”.

Ainda existem, contudo, as chances da síndrome se repetir para além da infância, ainda que em menor probabilidade. “A pica estende-se ocasionalmente à adolescência, mas raramente é observada em adultos que não são deficientes mentais”, narra Fabiano.

O corpo 

Independentemente das causas que desenvolvem a Pica em um ser humano, é importante pontuar que suas consequências podem ser bastante complexas. Em âmbito físico, por exemplo, podem ser observados quadros de ingestão tóxica, infeção ou infestação parasitária, lesões gastrointestinais e danificações nos dentes.

Ainda mais, os efeitos nutricionais dos casos graves da Síndrome de Pica, segundo Fabiano, “têm sido ligados aos quadros de deficiência de ferro e zinco”. Nesse aspecto, contudo, as consequências diretas do distúrbio "ainda não estão muito claras".

Quanto à forma de tratar o problema, o especialista aponta que “a Pica é uma síndrome que é facilmente identificável, mas seu tratamento deve ser feito por um conjunto multidisciplinar de profissionais”. Nesse sentido, as abordagens possíveis variam entre nutricionais, psicológicas, comportamentais, sensoriais, entre outras.

Tratamento minucioso

“Para construir um tratamento adequado”, explica Fabiano, “é muito importante que o médico e o nutricionista identifiquem os hábitos alimentares da pessoa”. Também é indicada a “realização de exames para identificar as deficiências nutricionais”.

Com especialização em neurociência geral em Harvard, o psicanalista ainda frisa a importância do acompanhamento psicológico nos casos da Síndrome de Pica. Nesse sentido, as consultas podem ajudar o paciente a “compreender que aquele automatismo não é apropriado” para sua saúde.

Por fim, Fabiano pontua que a psicoterapia também tem sido recomendada para os quadros em que a Pica é resultado de “perturbações emocionais ou psicogênicas”. Nesses casos, a equipe multidisciplinar é ainda mais necessária, já que, juntos, os especialistas podem encontrar o tratamento perfeito para o paciente.


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