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Aplausos substituídos por vaias: o cruel último show de Amy Winehouse

Bêbada, atrasada e com vaias do público, a cantora fez seu último concerto pouco mais de um mês antes de morrer

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/03/2021, às 08h00

Amy Winehouse nos bastidores do Brit Awards, em 2007
Amy Winehouse nos bastidores do Brit Awards, em 2007 - Getty Images

Amy Winehouse se definia, antes da fama, como uma cantora de jazz. O co-proprietário do pub inglês em que a artista costumava se apresentar em Camden Town, Charles-Ridler, contou em entrevista ao The Guardian em 2011 que “ninguém nunca tinha dado essa resposta antes”.

Mesmo antes de se tornar uma artista de sucesso, que recebeu oito estatuetas do Grammy e se consagrou com apenas dois álbuns de estúdio na carreira, Amy já espantava o público com seu potencial vocal e performance no palco. Quando ela se tornou famosa, o mundo pôde observar tal talento de perto.

Mas era perto demais. Conforme apresentado no documentário AMY, de 2015, com o reconhecimento, vieram também turnês exaustivas e um frequente assédio da mídia. Se isso já não fosse o suficiente, o relacionamento conturbado com seu ex-assistente de vídeo, Blake Fielder-Civil, em conjunto com o uso de drogas misturadas à álcool, tornaram o cenário ainda mais intrincado.

Em 2007, os problemas pessoais da cantora passaram a ficar cada vez mais explícitos. Ela cancelou performances, descobriu traições do marido, e, no ano seguinte, foi internada em uma clínica de reabilitação. Isso fez com que, inclusive, ela não fosse ao Grammy de 2008, quando ganhou em seis categorias. 

De volta à estrada

A artista durante performance / Crédito: Wikimedia Commons

 

A cantora voltou aos palcos no começo de 2011. Ela tentava não deixar a imagem negativa de desestabilidade emocional com o uso de drogas dominar seu nome em toda a indústria da música e mídia no geral. Foi então que a artista realizou cinco shows no Brasil, que, segundo o The Guardian, "deram um vislumbre tentador do talento que havia sido obscurecido por muitos anos”.

Contudo, os problemas que Amy enfrentava ficaram ainda mais claros durante um show em um festival de música em Belgrado, na Sérvia. Ela apareceu uma hora atrasada, não conseguia lembrar as letras das músicas, estava bêbada e o resultado de tudo isso foi a vaia de mais de 20.000 pessoas presentes.

Em entrevista ao portal Hollywood Reporter, o DJ e produtor Moby relembrou aquele 18 de junho, que entraria para a história como o dia do último show de Amy Winehouse. Uma performance de apenas 30 minutos, abandonada antes do fim devido aos gritos de decepção do público.

Amy estava parada ali, balançando para frente e para trás e resmungando ocasionalmente. A banda estava tocando silenciosamente e parecendo desconfortável e o público estava olhando sem acreditar”, lembrou.

Depois da meia hora embaraçosa, a cantora voltou ao palco e esperava conseguir cantar duas de suas canções mais famosas: “Back to Black” e “Valerie”. Mas ela não conseguiu e abandonou o palco após mais 30 minutos, deixando sua banda preenchendo o tempo restante para completar a obrigação do contrato de show. 

"No momento em que eu saí do carro, eu sabia que algo estava errado. Dos bastidores eu podia ouvir o público vaiando mais alto do que a música", disse Moby em 2011. “Ela ficou no palco por cerca de 30 minutos, depois foi embora e se deitou em uma mala de voo nos bastidores, cercada por algumas pessoas. Fiquei horrorizado”, contou.

Perto do fim

Winehouse voltou para o hotel às pressas e logo toda a turnê foi cancelada, que contava com mais 12 shows na Europa. Poucos dias depois, o empresário da artista afirmou que ela teria "o tempo que fosse preciso" para melhorar e, assim, voltar à ativa. 

Uma fonte disse ao The Guardian: "Todo mundo estava absolutamente pasmo. O hotel foi instruído a remover todos os vestígios de álcool, mas o que você pode fazer? Ela é uma mulher de 27 anos e se um viciado quiser se apossar de álcool, ele o fará."

No entanto, já era tarde. Pouco mais de um mês depois, em 23 de julho de 2011, a cantora foi encontrada sem vida em seu apartamento em Londres por um segurança. Ela estava em abstinência e, inclusive, recebeu uma visita médica no dia anterior devido a uma recaída, recorrendo à ajuda.

Amy não tinha consumido uma quantia que resultaria em overdose. Ainda assim, o consumo resultou em uma intoxicação, levando-a à óbito aos 27 anos de idade, o que a colocou nas estatísticas dos artistas que faleceram aos 27 anos de idade.


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