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Após 4 anos, é revelada identidade de restos mortais de soldado da Primeira Guerra

O combatente tinha apenas 16 anos de idade, tendo mentido para poder ser enviado ao campo de batalha

Ingredi Brunato Publicado em 01/12/2020, às 09h19

Fotografia do soldado (à esquerda) com colega de regimento
Fotografia do soldado (à esquerda) com colega de regimento - Divulgação/ Governo do Canadá

Nessa terça-feira, 1, foi revelada durante um evento na Bélgica a identidade dos restos mortais de um soldado da Primeira Guerra Mundial, encontrados no país em 2016.

John Lambert era um jovem canadense que tinha apenas 16 anos quando mentiu para as autoridades a respeito de sua idade a fim de ingressar na batalha. Infelizmente, o jovem encontrou a morte apenas um ano mais tarde. 

De acordo com o seu uniforme, o soldado englobava uma força nomeada “Regimento Terra Nova”. Sua identidade foi descoberta através de uma análise de amostras de DNA, e do trabalho do diretor dos arquivos da província onde foi feita a descoberta, Greg Walsh

Fotografia do arquivista Greg Walsh / Crédito: Divulgação/ Rádio do Canadá 

 

A pesquisa que revelou John 

"Os registros militares confirmaram que havia 16 soldados do Regimento da Terra Nova que lutaram nas proximidades, sem sepultura conhecida”, disse um comunicado oficial do governo da província, de acordo com o portal canadense CBC News. “Walsh começou sua busca com esta lista de 16 soldados e no decorrer de um ano foi capaz de encontrar os descendentes vivos de 13 deles". 

O diretor dos arquivos consultou inúmeras fontes até descobrir quem era o jovem soldado, reunindo diversos documentos de lugares como registros de censos, listas telefônicas e jornais da época. 

"Sinto que foi uma das coisas mais gratificantes que já fiz. Eu realmente sinto que colocamos um nome em um rosto e isso é uma grande parte do que fazemos como arquivistas. Uma conquista assim não é algo que dá para ter todos os dias", comentou Greg para o portal. 

O presidente do Conselho Executivo do Regimento Real de Terra Nova, Pierre Grandy também dividiu seus pensamentos sobre o caso: “Isso conectou nossa vida moderna com algo que aconteceu na história, sobre o qual apenas lemos", comentou o coronel.

O combate que o matou 

Medalhas que teriam sido dadas a Lambert / Crédito: Divulgação/ Governo do Canadá 

 

Em agosto de 1917, no penúltimo ano da Primeira Guerra Mundial (que durou um pouco mais que quatro anos), o Regimento de Terra Nova fez um ataque a soldados belgas que embora tenha terminado com o sucesso dos primeiros, não alcançou a vitória sem baixas. 

Para dar algum contexto, a força canadense estava do lado da Tríplice Entente, composta por Inglaterra, França e Rússia, enquanto a Bélgica dava apoio à Tríplice Aliança, formada pela Alemanha, Itália e o extinto Império Austro-Húngaro. 

No que ficou conhecida como Batalha de Langemark, os canadenses foram capazes de ultrapassar as trincheiras inimigas, invadindo os bunkers belgas.

Contudo, 27 soldados foram perdidos nesse processo, sendo Lambert um deles. Inclusive, quando foi desenterrado, havia restos humanos de mais três pessoas, ainda não foram identificadas.

Repercussões 

Até então, John tinha apenas seu nome gravado em um memorial no Bowring Park, na ilha de Terra Nova, no Canadá. O monumento é destinado a homenagear soldados mortos na Primeira Guerra Mundial que não puderam ser enterrados pelos parentes. 

Fotografia de memorial de Bowring Park / Crédito: Divulgação 

 

Graças à pesquisa, os descendentes da família de John Lambert puderam ser notificados da identificação de seu corpo, e além de receberem auxílio das Forças Armadas canadenses, puderam dar um enterro apropriado ao soldado, proporcionando a conclusão de um capítulo, ainda que seja com 103 anos de atraso. 

A cerimônia ainda contará com a presença das Forças Armadas e do governo não só canadense, mas também do belga, onde os restos mortais foram encontrados. 


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