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Matérias / Mundo

Após retirada de tropas russas, entenda as tensões entre a Rússia e Ucrânia

Para os EUA, o país governado por Putin pode invadir o vizinho 'a qualquer momento', em uma situação complexa que envolve uma 'guerra híbrida'

Redação Publicado em 15/02/2022, às 12h52

Imagem ilustrativa de combatentes russos - Getty Images
Imagem ilustrativa de combatentes russos - Getty Images

Nas últimas semanas, jornais de todo o mundo vem repercutindo a situação da Rússia e da Ucrânia, que está cada vez mais tensa em decorrência do possível conflito que pode eclodir na região em um período curto.

Nesta terça-feira, 15, parte das tropas russas que se encontravam na região da fronteira com a Ucrânia começou a deixar o local. "As unidades dos distritos militares Sul e Oeste, que já concluíram suas tarefas, começaram a carregar equipamentos para o transporte ferroviário e rodoviário e começarão hoje o retorno para seus quartéis", disse o porta-voz do ministério, Igor Konashenkov. Este é o primeiro sinal, desde o final do ano passado, de um recuo por parte da Rússia na crise com o Ocidente.

O Kremlin confirmou a informação divulgada, contudo, ressaltou que tratam-se de procedimentos normais e denunciou o que chamou de "histeria" ocidental diante de uma suposta invasão. Até o momento, o governo não informou quantos soldados já deixaram a fronteira. 

"Sempre dissemos que depois das manobras (...) as tropas voltariam para seus quartéis de origem. E é isso que está acontecendo agora. É o procedimento habitual", disse à imprensa o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov.

Contexto

Os Estados Unidos alertaram para o contexto de tensão. Há poucos dias, Jake Sullivan, atual conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, afirmou que EUA acreditam que a Rússia pode iniciar a invasão à Ucrânia a qualquer momento.

A opinião do conselheiro foi confirmada pelo presidente da nação, Joe Biden, em entrevista de imprensa após uma conversa com os líderes mundiais da França, Alemanha, Polônia, Romênia, Reino Unido e Canadá; e também com os chefes da Otan e União Europeia.

Segundo Biden, "um ataque russo à Ucrânia pode começar a qualquer momento e provavelmente iniciará com um ataque aéreo". Durante a ligação para discutir a crise entre Rússia e Ucrânia, os líderes prometerem sanções "rápidas e severas" em caso de invasão.

EUA se movimentam 

Em decorrência da iminente invasão e guerra, os Estados Unidos chegaram a enviar mais de 8 mil soldados para a Europa Oriental, como informou a BBC News. Com o andamento do conflito, o país retirou alguns dos soldados, mas continua com o apoio militar, segundo a CNN internacional.

A fronteira entre a Rússia e a Ucrânia chegou a acumular cerca de 100 mil soldados russos. Para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a concentração militar russa na região é um ato de “pressão psicológica” para abalar o governo e a população ucraniana em caso de invasão ao país.

"Consideramos que o acúmulo de tropas perto de nossas fronteiras é um meio de pressão psicológica da parte de nossos vizinhos. [...] Não há nada de novo aqui. Quanto aos riscos, existem e nunca cessaram desde 2014", escreveu o líder em um comunicado oficial emitido no último dia 10.

Embora tenha enviado soldados às fronteiras e esteja em constante discordância com líderes mundiais, Vladimir Putin negou a possibilidade de um ataque à Ucrânia. O governo russo também acusou os EUA de tentar levar a sua nação a uma guerra contra o território próximo.

Sem investida

Ainda não aconteceu nenhuma investida militar entre os países envolvidos no conflito. O governo de Putin tem como principal exigência que a Ucrânia não passe a aderir à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que é uma aliança defensiva composta por 30 países, liderada pelos EUA.

Para Moscou, a entrada da Ucrânia na instituição poderia ser considerada uma ameaça a sua segurança, visto que o país é considerado sua “fronteira ocidental”, o que estaria fazendo com que a Rússia tomasse medidas para impedir a medida.

O governo da Ucrânia já se posicionou sobre a situação caracterizando o conflito como a "manifestação da guerra híbrida que a Rússia mantém na Ucrânia desde 2014", em referência à anexação da península da Criméia pelo Kremlin.

Entre as estratégias usadas em “guerras híbridas” estão as “fake news”, ou desinformação, e outras formas de insurgência, como o ciberataque sofrido pela Ucrânia em meados de janeiro, pelo qual a Rússia é acusada.

Segundo o governo de Kiev, em comunicado oficial emitido na época, o intuito do ataque "não era apenas intimidar a sociedade", mas ainda "desestabilizar a situação" com "informações falsas sobre a vulnerabilidade da infraestrutura de TI estatal".