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Apresentador, produtor e... agente secreto? A vida curiosa de Chuck Barris

Após se aposentar da TV, o apresentador lançou uma biografia onde confessa ser um agente da CIA; a agência de inteligência negou e o mistério permanece até hoje

Fabio Previdelli Publicado em 25/02/2021, às 17h00

Chuck Barris apresentando The Gong Show
Chuck Barris apresentando The Gong Show - Wikimedia Commons

Idealizador, produtor e apresentador de game shows. Chuck Barris foi um dos maiores nomes da televisão americana nas décadas de 1970 e 1980. Ele foi o responsável por comandar o famoso The Gong Show, que recebia diversas atrações que tentavam impressionar os jurados — formados por três celebridades.  

Caso a apresentação não agradasse, a pessoa recebia a famosa “gongada”. Além dos palcos, ele também foi o compositor de “Palisades Park”, canção que foi gravada por Freddy Cannon. Mais tarde, a música recebeu versões de Bruce Springsteen e dos Beach Boys. 

Apesar de uma pessoa pública, poucos conheciam sua vida íntima. Aliás, essa parte era bem mais misteriosa do que muitos imaginam, afinal, em seu livro de memória “Confessions of a Dangerous Mind” (1982), revelou ser, por muitos anos, um agente secreto da CIA. 

Embora exista muitas controversas em relação a isso, inclusive com declarações da agência de espionagem negando qualquer relação com o apresentador, essa história acabou inspirando um filme dirigido por George Clooney, intitulado “Confissões de Uma Mente Perigosa”, que estreou por aqui no início dos anos 2000. Saiba mais sobre a vida secreta, ou não, de Chuck Barris

O início da carreira e sua trajetória na TV 

Barris nasceu em uma família judia, na Filadélfia, Pensilvânia, no Estados Unidos, em 3 de junho de 1929. Filho de Edith e Nathaniel, era sobrinho de Harry Barris, um importante cantor, compositor e ator. 

O apresentador e produtor Chuck Barris / Crédito: Getty Images

 

Em 1953, se formou na Drexel University, onde foi colunista do jornal universitário. Inclusive, foi por essa atividade extra classe que ele começou sua jornada na TV, onde trabalhava como redator na rede NBC, de Nova York.   

Posteriormente, começou a se envolver com a indústria musical, o que o levou até a ABC, em Los Angeles. Em 14 de junho de 1965, ele inaugura sua produtora a Chuck Barris Productions. Seu primeiro sucesso como produtor aconteceu no mesmo ano, quando idealizou o The Newlywed Game, o que seria uma espécie de “Jogo dos Recém-Casados”. 

A combinação da franqueza com toques de bom-humor dos casais com o questionamento astuto de Barris fez o programa ser um grande sucesso, tanto que ele foi o mais duradouro de sua produtora, sendo exibido até 1985 — por um total de 19 anos.  

Entrevistado no programa “Wait, Wait... Don’t tell me”, da rádio NPR, em agosto de 2009, ele disse que The Newlywed Game foi o programa mais fácil que ele desenvolveu: "Tudo que eu precisava eram quatro casais, oito perguntas e uma máquina de lavar e secar”. 

Sua transformação em celebridade aconteceu em 1976, quando migrou para frente das câmaras, apresentando The Gong Show. Fora a bizarrice dos participantes, os acessórios que Chuck usava no programa deixava tudo com um ar ainda mais insólito.  

Sua fase como apresentador televisivo durou até 1980, quando o programa foi cancelado. “Teve uma hora que eu já estava ficando louco de aparecer lá no palco, era lamentável”, disse Barris à Entertainment Weekly, em 2003, sobre a razão de ter parado com o show. “Se eu tivesse morrido na época, eu não me surpreenderia se meu obituário dissesse: ‘Gongado. Ele foi gongado. Finalmente gongado’. Mas isso não era eu. Não sou eu.” 

A suposta vida secreta como agente da CIA 

Em 1984, Barris escreveu uma autobiografia: “Confessions of a Dangerous Mind”. No livro, ele afirma que trabalhou para a Agência Central de Inteligência (CIA) como um assassino nas décadas de 1960 e 1970. 

Segundo conta, sua vida secreta ocorreu depois dele responder a um misterioso anúncio no jornal de classificados. Com isso, alega que passou um bom tempo sendo treinado. Chuck também alega que já gabaritou testes de aptidão, o que o permitiu atuar como agente.  

Chuck autografando um exemplar de seu livro / Crédito: Getty Images

 

Em uma edição do The Newlywed Game, ele acompanhou o casal vencedor do programa em uma viagem para o México. Foi por lá, inclusive, que ele diz ter cometido seu primeiro assassinato a mando da CIA. 

Conforme os anos foram passando, as missões paralelas ao seu posto de apresentador foram aumentando. Segundo narra, fez uma viagem até Londres para se encontrar com outro agente, que lhe daria um microfilme.  

Para contrabandeá-lo de volta aos Estados Unidos, conta que teve que matar o outro agente com três tiros no rosto. Além do suposto assassinato, ele teria alojado o microfilme em seu próprio ânus para não ser interceptado.  

Mas como muitos imaginam, a vida de agente secreto nem sempre é fácil. Isso, inclusive, teria feito o apresentador perder muitas pessoas que eram próximas a ele. No livro, revela que um agente infiltrado na CIA passou a perseguir e matar pessoas que faziam parte de seu cotidiano. Porém, por sorte, e competência, é claro, ele conseguiu eliminar esse agente.  

O que diz a CIA e o que aconteceu com Chuck? 

Dado a popularidade de sua biografia, sua história acabou sendo adaptada aos cinemas, no filme de suspense “Confissões de Uma Mente Perigosa”. O longa, que é dirigido por George Clooney, responsabiliza o apresentador pelo assassinato de 33 pessoas.  

Barris ao lado de Clooney na premiere de lançamento de Confissões de Uma Mente Perigosa / Crédito: Wikimedia Commons

 

A CIA, por sua vez, nega que possuiu qualquer ligação com Barris, o que é contestado pelo apresentador, que chegou a revelar que fora condecorado certa vez pela agência de inteligência. Questionado sobre o assunto em entrevistas posteriores ao lançamento do filme, ele não confirmou e tampouco negou sua vida “secreta”. 

Por fim, a verdade sobre essa parte de sua história se tornará uma incógnita para sempre, já que Chuck Barris levou toda a verdade consigo até o caixão. O apresentador e produtor faleceu em 21 de março de 2017, aos 87 anos, de causas naturais, segundo reportou a Associated Press na época. 


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