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Armas, bombas e vistos: os brasileiros que enfrentaram nazistas durante a Segunda Guerra Mundial

Seja portando um rifle ou uma caneta tinteiro, estes soldados e diplomatas salvaram a vida de milhares de pessoas no conflito

Pamela Malva Publicado em 13/09/2020, às 08h00 - Atualizado às 11h00

Soldados da Força Expedicionária Brasileira na Itália
Soldados da Força Expedicionária Brasileira na Itália - Wikimedia Commons

Ainda que o Brasil tenha se mantido neutro durante grande parte a Segunda Guerra Mundial, alguns soldados com a bandeira verde e amarela serviram durante o conflito. Ao lado de aliados, eles defenderam seus postos, seja em terra ou no mar.

São homens e mulheres que, através de seus cargos na Força Expedicionária Brasileira (FEB), fizeram história ao despistar, matar e atrasar inimigos. Além dos militares, ainda são burocratas que salvaram a vida de centenas de pessoas em seus escritórios.

Em alguns casos, como aconteceu com três mineiros, por exemplo, eles acabaram sendo homenageados até mesmo pelo inimigo. Bastou segundos de astúcia e coragem para que estes brasileiros entrassem para a história.

Soldados da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castello / Crédito: Domínio Público

 

Diplomacia e coragem

Para Gerson Machado Pires, do Rio de Janeiro, a coragem era uma das características definitivas do conflito. Servindo na guerra como voluntário, ele participou dos dois maiores confrontos da FEB na Itália: as batalhas de Monte Castello e Montese.

Foi na segunda delas, em 14 de abril de 1945, que ele salvou todo o seu pelotão de canhões antitanque da Alemanha. Se não fosse a notificação do soldado brasileiro, todo o esquadrão seria devastado pelas forças do Eixo.

Também carioca, Luiz Martins de Souza Dantas salvou a vida de mais de 500 pessoas emitindo vistos enquanto trabalhava como embaixador na França. Sem exigir as informações necessárias, ele assinava passaportes de judeus, comunistas, homossexuais e outras minorias à próprio punho, ainda que isso não fosse permitido.

Luiz foi formalmente impedido de emitir vistos em 12 de dezembro de 1940. Ainda em terras francesas, impediu a invasão da embaixada brasileira por tropas alemãs em Vichy e acabou sendo preso pelos inimigos. Considerado um herói pelo Brasil e um inimigo por Getúlio Vargas, ele morreu já aposentado, em 1954.

Fotografia de Luiz Martins de Souza Dantas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Anjo na Terra

Assim como Luiz, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, a segunda esposa do famoso autor brasileiro, também usou da diplomacia para salvar a vida de centenas de pessoas. Pelos seus feitos, a brasileira logo tornou-se o Anjo de Hamburgo.

Em meados de 1938, trabalhando no consulado brasileiro na cidade alemã, Aracy passou a embaralhar dezenas de vistos brasileiros entre os documentos que o cônsul deveria assinar. Assim, ela conseguiu emitir diversos documentos e, de quebra, conquistou o coração de Guimarães Rosa, que se emocionou com a atitude da mulher.

Após ficar sob custódia do governo alemão por quatro meses em Baden-Baden, Aracy e seu companheiro voltaram para o Brasil. Já casada com o autor, ela moreu em março de 2011, aos 102 anos, e é a única mulher citada como um dos 18 diplomatas que salvaram vidas de judeus no Museu do Holocausto de Jerusalém.

Retrato de Aracy de Carvalho Guimarães Rosa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Dos céus para o mar

Longe das burocracias e de terras estrangeiras, Alberto Torres Martins foi o único piloto brasileiro que afundou um submarino alemão durante a guerra. Tudo aconteceu no dia 31 de julho de 1943, as águas do litoral do Rio de Janeiro.

Fluente em inglês, alemão, espanhol, turco e italiano, Alberto percebeu o submarino a 87 quilômetros do Pão de Açúcar e lançou três bombas contra a embarcação. No total, 12 soldados alemães se salvaram e, misericordioso, o brasileiro lançou um bote inflável na direção dos náufragos, que acabaram presos de guerra em Recife.

Pelo feito, Alberto foi condecorado com medalhas concedidas pelo Brasil, pela França e pelos Estados Unidos. Nascido em terras norte-americanas, mas naturalizado no Brasil, ele morreu em São Paulo, no dia 30 de dezembro de 2001, aos 82 anos. 

Um dos únicos retratos de Alberto Torres Martins / Crédito: Wikimedia Commons

 

Soldados e batalhões

Nascidos em Minas Gerais, Geraldo Baeta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues de Uza foram três grandes soldados essenciais na batalha de Montese, na Itália. Sem eles, todo o seu pelotão brasileiro teria sido destruído por forças alemãs.

Em uma pequena patrulha, os três ficaram frente a frente com um exército de 100 inimigos e se recusaram a recuar. Corajosos, trocaram fogo com os alemães e, assim, salvaram a vida de pelo menos 30 brasileiros, alertando-os da invasão. Os três acabaram mortos na batalha, mas, depois, foram considerados heróis pela Alemanha.

Assim como eles, outros oito brasileiros também morreram em terras italianas. Os padioleiros, no entanto, serviam como enfermeiros e, apesar dos postos, não foram poupados pelas forças inimigas — mesmo trajados com roupas brancas, um indicativo de que não deveriam tornar-se alvos, todos acabaram alvejados em batalha.


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