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A árvore da discórdia que quase provocou uma guerra entre as duas Coreias

Para derrubar a planta de estimação do supremo líder da Coreia do Norte, em 1976, foi preciso mobilizar a ONU

Thiago Lincolins Publicado em 10/08/2019, às 12h00

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A árvore que causou toda a confusão / Crédito: Reprodução

Às 7 horas do dia 21 de agosto de 1976, 23 veículos americanos e sul-coreanos chegaram, sem nenhum aviso formal, à Área de Segurança Conjunta, parte da Zona Desmilitarizada da Coreia.

Duas equipes compostas de oito engenheiros militares desceram dos automóveis. Suas armas: motosserras e machados. Seu alvo: uma árvore. Uma missão de vingança: três dias antes, a planta fora responsável pela morte de dois soldados dos EUA.

Estabelecida em 1953, após o fim da Guerra da Coreia, a Zona atua como uma área tampão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Foi criada como parte de um acordo entre a Coreia do Norte, a China e o Comando das Nações Unidas.

Nos dois lados da região, que divide a península coreana pela metade, ainda hoje o clima é de constante tensão. Os exércitos estão sempre em prontidão. E foi assim que um álamo de 30 metros causou uma verdadeira tragédia.

A árvore bloqueava a linha de visão entre o posto de controle do Comando das Nações Unidas número 3 e o posto número 5. Como não conseguiam obter uma visão precisa do lado oposto, em 18 de agosto, cinco membros do Corpo de Serviço Coreano, escoltados por 11 soldados americanos e sul-coreanos, liderados pelo comandante Arthur Bonifas e o tenente Mark Barrett, foram instruídos a cortar os galhos da planta.

Enquanto aparavam, 15 soldados norte-coreanos, comandados pelo tenente Pak Chul, decidiram intervir. Aos berros, Chul mandou os adversários parar o ataque à planta. Explicou que a árvore era intocável, pois o próprio Grande Líder Kim Il-Sung a havia plantado pessoalmente e estava acompanhando o seu crescimento. Bonifas ignorou o apelo e ordenou que o ato fosse prosseguido.

Logo a seguir, um caminhão repleto de guardas norte-coreanos chegou ao local. Ignorado pela segunda vez, Pak ordenou: “Matem os bastardos!”. E o que se seguiu foi mais para filme de terror slasher que de guerra: Bonifas e Barrett foram atacados com os próprios instrumentos com que cortavam a árvore. Sangraram até a morte.

O Comando das Nações Unidas colocou então em prática a Operação Paul Bunyan — nome dado em homenagem a um notório lenhador mítico no folclore dos Estados Unidos. O objetivo era um só: derrubar a árvore da discórdia.

Acompanhando os oito engenheiros militares, foram enviados 64 soldados armados da Forças Especiais da Coreia do Sul e sete helicópteros de ataque. Soldados armados com mísseis e tanques esperavam um possível contra-ataque. Ao todo, a operação contava com 813 combatentes.

A Coreia do Norte enviou 200 guerreiros munidos de metralhadoras e fuzis. Mas decidiram engolir o orgulho diante da superioridade inimiga. Em 42 minutos, a planta de Kim Il-Sung estava no chão. O toco foi substituído por um monumento em 1987.