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As mulheres da vida real que inspiraram a criação da Mulher-Maravilha

Usada durante a Guerra Fria como símbolo americano, a história original da heroína chama atenção pelos princípios ativistas

Wallacy Ferrari Publicado em 16/12/2020, às 15h40

Cena de Mulher-Maravilha
Cena de Mulher-Maravilha - Divulgação / DC Comics

Após o estrondoso sucesso de Mulher-Maravilha, em 2017, o filme da heroína da DC ganhará uma sequência que já chegou aos cinemas brasileiros. O longa está sendo esperado com ansiedade pelas fãs, devido ao seu lançamento que era para ter acontecido no início do ano, mas, por conta da pandemia do novo coronavírus, foi adiado — inúmeras vezes.

Intitulado Mulher-Maravilha 1984, a nova produção, também dirigida por Patty Jenkins, apresentará Gal Gadot retornando ao papel de Diana Prince, dessa vez ambientada na década de 1980 e enfrentando novos inimigos.

Atormentada por seu amor perdido, Steve Trevor, a guerreira terá de impedir os planos malignos do empresário Max Lord e da arqui-inimiga, Mulher-Leopardo — dois personagens já conhecidos pelos fãs das histórias em quadrinho.

Contudo, se engana quem acredita que as primeiras passagens da personagem ocorreram em menos de 40 anos.

A personagem Diana Prince, que em roupas brilhantes se torna a Mulher-Maravilha, foi criada em 1941 por um psicólogo chamado William Moulton Marston, que já havia compreendido o sucesso do lançamento dos personagens Batman e Superman anos antes e que, com eles, os jovens conseguiram um meio de comunicação especializado para temas cotidianos.

A primeira super-heroína fez sua estreia no mesmo mês em que os japoneses atacaram a base naval americana de Pearl Harbor, no Havaí, o que levou à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra.

Contrastando com as lentas conquistas feministas da época, como o direito de voto e conquista do mercado de trabalho, William viu o meio como um jeito de defender o matriarcado e inspirar meninas a prosseguirem na luta pelos direitos igualitários.

Porém, a construção da personagem feminina não contou apenas com William, um homem branco de classe média, mas também com importantes mulheres ao seu redor.

William Moulton Marston sorri para câmera enquanto fuma um cigarro / Crédito: Divulgação

 

A criação

De acordo com Jill Lepore no livro “A história secreta da Mulher-Maravilha”, o criador tinha diversas mulheres ativistas integradas em sua rotina. A principal delas era Sadie Elizabeth Holloway, sua esposa, que estudou na primeira faculdade para mulheres dos EUA, na época em que instituições como Harvard e Oxford aceitavam apenas homens, além de militar pela igualdade e contra o controle masculino da natalidade.

Na família, outra integrante foi responsável por formar a imagem da heroína, a sobrinha de William, Margaret Sanger, era uma enfermeira, sexóloga e escritora que se tornou símbolo do controle de natalidade dos Estados Unidos, chegando a fugir para a Grã-Bretanha por críticas de contrários ao aborto e morando, por um curto período, com Sadie e William.

A terceira figura que serviu de base para a personagem foi uma jovem chamada Emmeline Pankhurst, que não apenas foi um exemplo de personalidade, mas foi também uma inspiração para as características físicas.

William a conheceu em 1911, quando a garota foi impedida de falar em público no campus da Universidade de Harvard, local onde estudava na época.

Gal Gadot interpretando a Mulher Maravilha no cinema / Crédito: Divulgação / Warner Bros.

 

Símbolo

Com a soma de inspirações, a personagem foi bem recebida comercialmente, mas pouco associada ao feminismo pela editora durante os anos iniciais. Com o falecimento do autor, em 1947, a poderosa foi vista como símbolo americano da Guerra Fria ao longo das décadas de 1950 e 1960, sendo suprimida pelo Comics Code Authority, um código do governo que regulamentava o conteúdo de HQs.

A luz sob o comportamento feminista da personagem volta à tona na aclamada edição de estreia da revista americana ‘Ms.’, que antes era uma badalada coluna feminina do ‘The New Yorker’. Logo na capa, a super-heroína era pedida como presidente e escolhida a dedo pelas autoras Dorothy Pitman Hughes e Gloria Steinem, em 1972.

Desde então, a figura heroica é propagada como um símbolo de fortalecimento feminino em todo o mundo, eliminando a sexualização ao longo de décadas nos quadrinhos e, por fim, sendo representada por Gal Gadot nos filmes da DC Comics.


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