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Assalto digno de comédia: A bizarra saga do cadáver de Charles Chaplin

No ano seguinte ao falecimento do ídolo do cinema mudo, um crime chamou a atenção da polícia — e resultou em uma investigação cômica

Wallacy Ferrari Publicado em 04/08/2020, às 11h52

Charles Chaplin atuando no filme "O Garoto"
Charles Chaplin atuando no filme "O Garoto" - Wikimedia Commons

Em 25 de dezembro de 1977, a lenda do cinema Charlie Chaplin morria em sua residência em Corsier-sur-Vevey, na Suíça, aos 88 anos de idade. Com diversas condecorações pelos serviços prestados ao desenvolvimento do cinema, o ator levou diversas personalidades notáveis, como chefes-de-estado e celebridades para o país europeu, buscando a última homenagem ao ídolo.

Dois dias após o óbito, uma cerimônia privada, organizada pela última esposa do cineasta, Oona O’Neil, recebeu amigos íntimos para enterrar Chaplin, em frente a uma lápide branca simplista, sem qualquer referência de sua presença além da escritura contendo o nome do falecido. Por lá, Charles teria seu descanso eterno ou, ao menos, alguns momentos longe da comédia e das aventuras que passou em vida.

Em 1 de março de 1978, a sepultura onde o ator estava instalado amanheceu vazia, com um monte de terra ao lado. Em meio a uma forte chuva, os funcionários do cemitério se surpreenderam com o fato; o cadáver de Chaplin havia sido roubado durante a madrugada. Iniciava assim uma quimérica investigação de dez semanas em busca do ídolo do cinema mudo.

Lápide de Charles Chaplin ao lado da esposa Oona O'Neil em fotografia recente / Divulgação: Wikimedia Commons

 

Onde está o corpo?

Residindo na Suíça, parte da família recebia diversas ligações sem informações contundentes, dificultando ainda mais as buscas. Para piorar, meses antes, o político Aldo Moro havia sido sequestrado e morto por terroristas na mesma região onde Chaplin morava, deixando os filhos e funcionários da casa aterrorizados com a possibilidade de ser um sinal criminoso.

Outras teorias apontavam o roubo aos feitos de Chaplin em vida; poderia ter sido um ataque motivado por antissemitas, visto que, de acordo com rumores, Chaplin era judeu e deveria repousar em um cemitério anglicano. Outra hipótese foi a de que admiradores levariam o corpo para a Inglaterra, onde seria sepultado em seu país-natal. Uma terceira teoria atribuía a autoria aos nazistas, em resposta a paródia de Hitler no filme ‘O Grande Ditador’.

Os saqueadores, no entanto, tiveram motivos bem menos complexos do que o esperado; tratava-se de uma dupla inexperiente que, após ver um sequestro de cadáver na Itália em um jornal, viu o roubo do corpo como uma solução para resolver a difícil situação financeira que passavam. A descoberta partiu da própria dupla, que ligou para o castelo dos Chaplin, sendo atendida pelo mordomo Giuliano Canese, que passou para Oona.

Oona O'Neil e Charles Chaplin juntos durante desembarque, no ano de 1965 / Créditos: Wikimedia Commons

 

O enredo do crime

De voz trêmula e com gaguejos, os telefonemas inicialmente pediam 600 mil francos suíços, mas posteriormente foram convertidos para 600 mil dólares americanos, ambos valendo cerca de 4 milhões de reais. A proposta foi recusada pela esposa com deboche, afirmando que a situação era “ridícula”. Os ladrões insistiram e diminuíram o valor gradativamente até os 100 mil dólares. Oona aceitou, mas era parte de um plano com a polícia para emboscá-los.

O pagamento do resgate foi agendado, porém, justamente no dia da entrega, um carteiro — com características semelhantes às descritas por funcionários do cemitério — caminhava na região e foi detido por engano. Os ladrões notaram o movimento e bolaram outro plano, sempre ligando por orelhões. A polícia, entretanto, saiu na frente; realizou uma megaoperação com militares em 200 cabines telefônicas na cidade.

Quando a ligação para a mansão foi feita, às 9h30 do dia 17 de maio, a polícia localizou Roman Wardos, 24, e Gantscho Ganev, 38, dois mecânicos responsáveis pelo sequestro. O corpo estava na casa dos rapazes em um enredo digno de Chaplin. Ambos foram condenados a realizar trabalho forçado, com Roman cumprindo quatro anos e Ganev apenas um e meio. Oona perdoou os rapazes, compreendendo que foi uma ação amadora e sem violência, conversando inclusive com a esposa dos criminosos de maneira amigável.


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